Alimentação

Amaranto: o grão sagrado e nutritivo que ganha espaço no Brasil

O amaranto vem ganhando espaço como alimento e também como objeto de pesquisa nutricional. Saiba mais sobre esse grão, que já foi considerado sagrado.

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O amaranto vem ganhando espaço como alimento e também como objeto de pesquisa nutricional. Conhecido há milênios por diferentes civilizações, ele reúne propriedades interessantes para a alimentação diária. Ademais, carrega um forte simbolismo histórico. Na atualidade, aparece em forma de grãos, farinha, flocos e até em produtos industrializados, sendo alvo de estudos por seu valor nutricional e sua versatilidade na culinária.

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Entre os aspectos que chamam atenção no amaranto, estão a quantidade de proteínas, o teor de fibras e a presença de minerais importantes. Além disso, a planta se adapta a diferentes climas e solos. Portanto, isso ajuda a explicar por que foi foi tão valorizada por povos antigos e por que começa a despertar maior interesse em países como o Brasil. Isso tanto na agricultura familiar quanto na indústria de alimentos.

Em sociedades pré-colombianas, sobretudo entre povos da região onde hoje se localizam México e partes da América Central, o amaranto ocupava posição de destaque não só na alimentação, mas também na esfera religiosa – depositphotos.com / Avella2011

Principais propriedades nutricionais do amaranto

O amaranto é classificado como pseudocereal, assim como a quinoa, porque não pertence à mesma família do trigo ou do milho. Porém, seu consumo se dá de forma semelhante aos cereais. Sua composição nutricional costuma incluir boa quantidade de proteínas, com presença de aminoácidos considerados essenciais, em especial a lisina, que costuma ser limitada em outros grãos. Essa característica torna o amaranto uma opção de complemento proteico interessante em dietas baseadas em vegetais.

Outro ponto relevante é o teor de fibras alimentares, que contribuem para a sensação de saciedade e para o funcionamento do intestino. O grão também fornece minerais como cálcio, ferro, magnésio e fósforo. Além disso, vitaminas do complexo B, em especial riboflavina e niacina, em quantidades que variam conforme o tipo de processamento e a forma de preparo.

De acordo com estudos recentes, o amaranto ainda apresenta compostos bioativos, como fitoesteróis e antioxidantes. Assim, eles são investigados por seu potencial papel na saúde metabólica. Em paralelo, a ausência de glúten em sua estrutura torna o amaranto uma alternativa em preparações destinadas a pessoas com intolerância ou sensibilidade ao glúten, desde que não haja contaminação cruzada no processamento.

Por que o amaranto já foi uma planta sagrada?

Em sociedades pré-colombianas, sobretudo entre povos da região onde hoje se localizam México e partes da América Central, o amaranto ocupava posição de destaque não só na alimentação, mas também na esfera religiosa. Para essas culturas, a planta reunia características simbólicas, agrícolas e alimentares que a transformavam em elemento central de rituais e festividades.

Relatos históricos indicam que utilizava-se o amaranto em cerimônias religiosas. Muitas vezes, moldado em figuras simbólicas que representavam divindades ou elementos importantes da cosmologia local. Misturado com mel ou outros ingredientes, o grão era transformado em massas consumidas em ocasiões específicas, reforçando a ideia de alimento sagrado e de conexão com o mundo espiritual.

A planta também tinha valor estratégico. Como o amaranto se desenvolve bem em solos pobres, resiste a períodos de seca relativa e possui ciclo de cultivo relativamente curto, ele ajudava a garantir a oferta de comida em contextos de incerteza climática. Essa combinação de resiliência agrícola e densidade nutricional contribuiu para que o grão fosse associado à força, vitalidade e continuidade da comunidade, o que reforçou seu caráter sagrado em alguns povos.

Quais são os usos atuais do amaranto e como ele é consumido?

Na alimentação contemporânea, as propriedades do amaranto permitiram sua incorporação em diferentes produtos e receitas. O grão pode ser cozido de forma semelhante ao arroz, preparado em mingaus ou usado em sopas e saladas. Quando aquecido em panela seca, pode estourar como pequenas pipocas, que entram em barras de cereais, granolas e lanches prontos.

A farinha de amaranto é outro uso bastante comum. Ela pode ser combinada com outras farinhas em pães, bolos, panquecas e massas em geral, contribuindo para elevar o teor de proteínas e fibras das preparações. Em alguns casos, aparece também em bebidas vegetais e produtos instantâneos, como complemento nutricional.

  • Grão inteiro cozido em pratos salgados e caldos;
  • Flocos e grãos estourados em lanches e cereais matinais;
  • Farinha misturada a outras farinhas em receitas variadas;
  • Ingrediente em barras, biscoitos e snacks industrializados.

Esse leque de usos faz com que o amaranto seja um alimento versátil, cuja incorporação pode se dar tanto em refeições principais quanto em pequenos lanches entre as refeições, de acordo com o planejamento alimentar de cada pessoa.

É comum encontrar amaranto no Brasil atualmente?

No Brasil, o amaranto ainda não é tão difundido quanto cereais tradicionais, como arroz, milho ou trigo, mas sua presença tende a crescer. Nas grandes cidades, é relativamente fácil encontrá-lo em supermercados de médio e grande porte, lojas de produtos naturais e empórios especializados. Em especial, nas formas de grãos, farinha e flocos.

Em regiões mais afastadas ou em cidades menores, o acesso pode ser mais limitado, embora o comércio eletrônico tenha ampliado a disponibilidade de produtos à base de amaranto em todo o país. Pequenos produtores rurais e projetos de agricultura familiar vêm testando o cultivo do amaranto no Brasil, sobretudo em áreas de clima mais seco, aproveitando a resistência da planta.

Algumas iniciativas acadêmicas e de extensão rural buscam avaliar o potencial do amaranto em solos brasileiros. Isso tanto para diversificação de culturas quanto para enriquecimento nutricional de merendas escolares e programas de alimentação. Em paralelo, a indústria de alimentos integra o grão em formulações de produtos voltados a públicos específicos, como pessoas com restrição ao glúten e consumidores que buscam itens com maior teor de proteínas e fibras.

No Brasil, o amaranto ainda não é tão difundido quanto cereais tradicionais, como arroz, milho ou trigo, mas sua presença tende a crescer – depositphotos.com / karissaa

Aspectos a considerar ao incluir o amaranto na rotina alimentar

Ao incorporar o amaranto ao dia a dia, alguns pontos práticos costumam ser observados. O tempo de cozimento varia conforme o tipo de grão e a forma de uso, e o sabor é neutro a levemente terroso, o que facilita combinações com legumes, frutas, laticínios e outras fontes de carboidratos e proteínas.

Para aproveitar melhor as propriedades do amaranto, é comum que ele seja combinado com outros alimentos vegetais, formando perfis de aminoácidos mais completos. Em preparações doces, pode aparecer em mingaus com frutas e oleaginosas; em pratos salgados, entra em risotos, recheios e até em hambúrgueres vegetais.

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  1. Ler o rótulo para verificar a presença de glúten por contaminação cruzada;
  2. Ajustar a quantidade de água e o tempo de cozimento conforme a marca;
  3. Testar diferentes formas de preparo (grão, farinha, flocos) para avaliar a melhor adaptação à rotina;
  4. Combinar o amaranto com outras fontes de nutrientes para montar refeições equilibradas.

Dessa forma, o amaranto mantém o elo entre sua história como planta sagrada em antigas civilizações e seu papel atual como ingrediente que amplia as opções de alimentação variada e rica em nutrientes, inclusive em território brasileiro.

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