Alimentação

Guia completo de ovos: tipos, qualidade e como não ser enganado

Nos últimos anos, o interesse pelo regulamento dos vários tipos de ovos aumentou de forma consistente. Saiba mais!

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Nos últimos anos, o interesse pelo regulamento dos vários tipos de ovos aumentou de forma consistente. Consumidores passaram a observar com mais atenção rótulos, códigos impressos na casca e expressões como “caipira”, “orgânico” e “enriquecido com ômega 3”. Ao mesmo tempo, surgiram dúvidas sobre o que realmente cada termo significa e quais são as regras que orientam a produção e a comercialização desses produtos no Brasil.

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Entender o que está por trás de cada classificação de ovo ajuda a evitar enganos na hora da compra. A legislação brasileira estabelece parâmetros para o bem-estar das aves, o tipo de alimentação, o uso de medicamentos e até o padrão de embalagem. Ainda assim, a fiscalização não alcança todos os pontos de venda da mesma maneira, o que torna importante saber interpretar os códigos e informações presentes na casca e no rótulo.

De modo geral, os ovos convencionais vêm de galinhas criadas em sistema intensivo, muitas vezes em gaiolas, com alimentação padronizada e controle sanitário rígido – depositphotos.com / kapinosova

Quais são os principais tipos de ovos regulamentados?

No Brasil, a principal palavra-chave nesse tema é regulamento de ovos. A classificação leva em conta tanto a forma de criação das galinhas quanto a forma de apresentação do produto. Entre os tipos mais comuns estão: ovos convencionais (de granja), ovos caipiras ou de galinhas criadas soltas, ovos orgânicos e ovos especiais, como os enriquecidos com nutrientes adicionais. Cada categoria segue normas específicas definidas por instruções normativas do Ministério da Agricultura e por regras de vigilância sanitária.

De modo geral, os ovos convencionais vêm de galinhas criadas em sistema intensivo, muitas vezes em gaiolas, com alimentação padronizada e controle sanitário rígido. Já os ovos caipiras, também chamados de “livre de gaiola” em algumas embalagens, devem ser produzidos por aves com acesso a áreas de circulação, seguindo exigências de espaço mínimo e uso de comedouros e bebedouros adequados. No caso dos ovos orgânicos, o regulamento é ainda mais restrito: a ração precisa ser orgânica, o uso de antibióticos é limitado e o manejo deve seguir normas específicas de certificação.

Além disso, o regulamento dos ovos estabelece categorias de qualidade e peso. Quanto à qualidade, as classes mais altas exigem casca íntegra, sem trincas, e gema bem centralizada quando o ovo é aberto. Quanto ao peso, há classificação em jumbo, extra, grande, médio e pequeno, que devem estar indicados na embalagem. Essa padronização ajuda a comparar produtos e a entender o que está sendo oferecido.

Como funciona o código impresso na casca do ovo?

Um dos pontos mais importantes do regulamento para os vários tipos de ovos é a identificação individual por código na casca. Esse código costuma incluir letras e números que indicam, entre outros dados, o tipo de criação, o registro do estabelecimento e, em alguns casos, a data de produção. Embora nem todos os consumidores observem esse detalhe, ele é uma das principais ferramentas para rastrear a origem do alimento.

Em geral, o sistema de marcação segue um padrão que pode incluir:

  • Tipo de produção (quando a empresa adota esse padrão na impressão);
  • Registro do produtor ou do entreposto de ovos junto ao órgão fiscalizador;
  • Lote, que permite identificar o grupo de ovos produzidos em determinado período;
  • Validade impressa na embalagem, obrigatória para o consumidor final.

Esse conjunto de informações facilita ações de fiscalização e eventuais recolhimentos de produtos, se necessário. Para o consumidor, a presença de um código legível, acompanhado do registro no Ministério da Agricultura ou órgão estadual equivalente, é um indicativo de que o ovo passou por um processo formal de inspeção.

Como saber se o ovo é realmente caipira ou orgânico?

A dúvida mais frequente é se o ovo rotulado como “caipira” ou “orgânico” corresponde, de fato, ao que prometem as embalagens. O regulamento de ovos caipiras determina que as galinhas tenham acesso a áreas externas, alimentação baseada em grãos e espaço mínimo por ave. Nos ovos orgânicos, além disso, as aves devem receber ração certificada como orgânica e o manejo precisa seguir normas definidas por entidades certificadoras credenciadas.

Alguns sinais ajudam a identificar maior conformidade com as regras:

  1. Presença de selos oficiais: ovos orgânicos, por exemplo, devem ter o selo de produto orgânico do Brasil, emitido por certificadora reconhecida.
  2. Identificação do produtor: rótulos com CNPJ, endereço e registro no órgão de inspeção indicam que há rastreabilidade.
  3. Descrição do sistema de criação: informações como “galinhas com acesso a piquete”, “criação em sistema livre de gaiolas” ou menção a normas específicas costumam aparecer em produtos regulamentados.
  4. Preço compatível: ovos caipiras e orgânicos geralmente têm custo de produção maior; valores muito abaixo da média podem indicar distorções.

É importante destacar que coloração da casca (branca ou marrom) e intensidade da cor da gema não são critérios oficiais do regulamento. Esses aspectos dependem da raça da galinha e da composição da ração, não sendo garantia de que o ovo seja caipira ou orgânico.

A dúvida mais frequente é se o ovo rotulado como “caipira” ou “orgânico” corresponde, de fato, ao que prometem as embalagens – depositphotos.com / MicEnin

Quais cuidados ajudam a não ser enganado na compra de ovos?

Para reduzir o risco de engano, o consumidor pode adotar uma rotina simples de verificação. Ler o rótulo com atenção e observar a consistência das informações já é um passo importante. Produtos que se apresentam como “caipira” ou “orgânico” sem especificar o sistema de criação, sem selo de inspeção ou sem dados completos do produtor merecem maior cautela.

Algumas atitudes práticas incluem:

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  • Conferir data de validade e condições de armazenamento no ponto de venda;
  • Verificar se há registro de inspeção (federal, estadual ou municipal) na embalagem;
  • Checar se o ovo possui marcação na casca quando o estabelecimento adota esse padrão;
  • Guardar a embalagem ou anotar dados do rótulo ao perceber características estranhas no produto, o que facilita eventuais reclamações;
  • Dar preferência a marcas e produtores com histórico de transparência e informações detalhadas sobre o sistema de criação.

Em caso de suspeita de descumprimento do regulamento de ovos, a orientação é entrar em contato com os canais de atendimento do Procon local, da vigilância sanitária ou dos serviços de inspeção de produtos de origem animal. A notificação desses casos contribui para o aperfeiçoamento da fiscalização e para um mercado mais claro em relação aos diversos tipos de ovos disponíveis.

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