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Sandálias de fibras vegetais de 6.200 anos sobreviveram em uma caverna e revelaram como eram feitos os calçados na pré-história

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
16/10/2026
Em Curiosidades, Notícias
A descoberta mostra como materiais simples já eram usados para criar objetos úteis no dia a dia - IMAGEM ILUSTRATIVA

A descoberta mostra como materiais simples já eram usados para criar objetos úteis no dia a dia - IMAGEM ILUSTRATIVA

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Sandálias de esparto com cerca de 6.200 anos foram encontradas na Cueva de los Murciélagos, perto de Albuñol, na Espanha.↓ Ver no artigo
Pesquisa publicada em 2023 na Science Advances analisou 76 objetos orgânicos retirados da caverna durante minerações no século XIX.↓ Ver no artigo
Torção e entrelaçamento de fibras permitiam formar solas, laços e pontos de fixação, revelando técnicas artesanais desenvolvidas.↓ Ver no artigo

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Resumo da matéria
01
Calçados de 6.200 anos
Sandálias feitas com fibras de esparto foram conservadas em uma caverna espanhola e estudadas novamente em uma pesquisa publicada em 2023.
Neolítico
02
Fibras trabalhadas
Solas e amarrações mostram que seus fabricantes conheciam técnicas de torção e entrelaçamento usadas para transformar plantas em utensílios resistentes.
Artesanato antigo
03
Cestas ainda mais antigas
A mesma coleção também reúne objetos de cestaria com aproximadamente 9.500 anos, pertencentes a uma fase anterior à fabricação das sandálias.
Datações diferentes

As sandálias de fibras vegetais encontradas na Cueva de los Murciélagos, no sul da Espanha, têm cerca de 6.200 anos. Uma pesquisa de 2023 examinou como o esparto foi trabalhado para fabricar esses calçados e mostrou por que o ambiente da caverna conservou materiais que normalmente desaparecem com o tempo.

Por que havia sandálias tão antigas nessa caverna espanhola?

A Cueva de los Murciélagos, próxima a Albuñol, na província espanhola de Granada, guardava sandálias confeccionadas no Neolítico. O estudo publicado em 2023 na revista Science Advances reexaminou peças de uma coleção arqueológica que também inclui cestos, cordas e objetos de madeira.

A investigação reuniu 76 objetos orgânicos recuperados durante atividades de mineração do século XIX. Pesquisadores das universidades de Alcalá e Autônoma de Barcelona analisaram matérias-primas, técnicas e datas. Os calçados não foram fabricados há 9.500 anos: essa idade corresponde a peças de cestaria mais antigas do conjunto.

O ambiente da caverna ajudou a conservar peças que normalmente teriam desaparecido com o tempo – IMAGEM ILUSTRATIVA

Como o esparto era transformado em calçados resistentes?

Para montar as sandálias, os artesãos utilizavam esparto, uma fibra obtida de gramíneas da região mediterrânea. Torcer e entrelaçar feixes vegetais permitia formar solas, laços e pontos de fixação. A aparência ainda lembra calçados simples usados em diferentes épocas.

O estudo The earliest basketry in southern Europe: Hunter-gatherer and farmer plant-based technology in Cueva de los Murciélagos (Albuñol) compara formas de trabalho da fibra. As análises identificaram variações de preparo e trançado, indicando conhecimento técnico acumulado, não uma simples amarração improvisada.

O que permitiu preservar fibras vegetais durante milênios?

Essas fibras teriam se degradado com facilidade em um ambiente úmido. Na caverna de Albuñol, condições secas favoreceram a permanência de materiais frágeis. A preservação permitiu observar detalhes da confecção que geralmente não aparecem em escavações de assentamentos pré-históricos.

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Nem todos os exemplares estão igualmente conservados, e a presença de um calçado não informa, sozinha, quem o vestiu. O valor científico está na estrutura das fibras e na comparação com os demais artefatos, que ajudam a identificar escolhas de matéria-prima e de fabricação.

A seguir listamos quatro condições e cuidados de análise que ajudam a explicar a conservação dos calçados:

  • Ambiente seco: reduziu processos que costumam degradar fibras e outros vestígios vegetais depois do descarte.
  • Material orgânico: o esparto conservado permite estudar o preparo das fibras, algo normalmente perdido em solos úmidos.
  • Documentação histórica: registros antigos ajudam a reconstruir a origem de peças retiradas durante a mineração.
  • Datação por carbono: permite diferenciar as sandálias neolíticas de cestas mais antigas da mesma coleção.
As técnicas de fabricação revelam habilidades que nossos antepassados dominavam há milhares de anos – IMAGEM ILUSTRATIVA

Leia também: Um pedaço de resina mastigado há 5.700 anos preservou DNA suficiente para reconstruir o genoma de quem o usou

Que detalhes da trama revelam o trabalho dos artesãos?

As tramas mostram que preparar a fibra era parte do trabalho, não apenas entrelaçá-la. O comprimento dos feixes, o modo de uni-los e os pontos destinados a segurar o pé influenciavam o resultado. Esses sinais podem ser reconhecidos mesmo após milhares de anos.

A mesma coleção contém peças associadas a períodos diferentes. As cestas mesolíticas chegam a aproximadamente 9.500 anos, enquanto as sandálias pertencem a fases neolíticas posteriores. A comparação aponta mudanças nas técnicas, sem afirmar que todos os objetos foram produzidos pela mesma comunidade.

A seguir listamos quatro vestígios e suas pistas sobre o domínio de materiais vegetais na pré-história:

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DADOS EM FOCO
Vestígios da caverna e suas informações
Comparação de vestígios da caverna e suas informações.
Vestígio O que foi observado O que permite investigar
Sandálias Solas e amarrações de esparto Construção e fixação no pé
Cestos Tramas vegetais de períodos anteriores Técnicas de coleta e armazenamento
Cordas Fibras torcidas ou entrelaçadas Maneiras de unir materiais
Peças de madeira Objetos associados ao conjunto Diversidade de utensílios

O que essas sandálias mudam no conhecimento da pré-história?

Os calçados demonstram que a tecnologia pré-histórica também estava presente em objetos feitos para necessidades diárias. Antes das máquinas e dos tecidos industriais, pessoas conheciam as propriedades de plantas e conseguiam convertê-las em peças ajustadas ao corpo.

Ao conservar solas e amarrações reconhecíveis, a caverna espanhola aproxima a pesquisa arqueológica de algo familiar: proteger os pés. O achado não revela o nome de quem usou as sandálias, mas preserva decisões práticas tomadas por artesãos há cerca de 6.200 anos.

Sua história pode virar reportagem

Conte por texto ou áudio — nomes e endereços viram fictícios antes de qualquer publicação.

Tags: arqueologiaEspanhapré-históriasandálias

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