Um frasco de pedra encontrado no Irã guardou pigmento vermelho de quase 4 mil anos. O estudo de 2024 indica possível uso para colorir os lábios. A mistura contém minerais e substâncias vegetais semelhantes aos cosméticos atuais, mas o recipiente não revela quem o utilizou, como a pintura era aplicada.
Onde apareceu o frasco com pigmento vermelho de 4 mil anos?
O frasco de pedra veio da região de Jiroft, no sudeste do Irã, onde objetos antigos foram recuperados depois de saques. Seu formato alongado e a presença de uma pasta vermelha chamaram atenção por lembrarem materiais de cuidados pessoais, e não utensílios de cozinha.
A pesquisa de 2024, registrada também no repositório da Universidade de Pádua, analisou o pigmento preservado no recipiente. O trabalho situa o material no começo do segundo milênio antes de Cristo, durante a Idade do Bronze, quando já existiam técnicas elaboradas de preparação de cosméticos.

O que havia dentro do pequeno recipiente de pedra?
O principal responsável pela cor era a hematita, um mineral que produz tonalidade avermelhada quando moído. Os testes também identificaram outros minerais escuros, pequenos vestígios de chumbo e componentes vegetais, incluindo substâncias parecidas com ceras que podem ajudar na consistência da mistura.
Para identificar o conteúdo, a equipe combinou exames da composição dos minerais com análises de moléculas orgânicas. Isso revelou que o pigmento vermelho não era simplesmente terra acumulada no frasco: havia uma preparação com ingredientes diferentes, embora a receita original não possa ser reconstruída por completo.
Por que a mistura pode ter sido usada nos lábios?
A ideia de uma pintura para os lábios vem da cor intensa, da presença de ceras e do formato do frasco. Essa combinação lembra a função de um batom, embora o produto antigo não tivesse necessariamente a apresentação, a aplicação ou os hábitos de uso de hoje.
Os autores da pesquisa publicada na revista Scientific Reports empregaram a expressão provável, não uma identificação definitiva. Não foram encontrados lábios ou instrumentos de aplicação associados diretamente ao conteúdo. Portanto, a hipótese é consistente com os vestígios, mas não permite afirmar quem o usava.
A seguir listamos três pistas da possível função do pigmento que ajudam a entender melhor as evidências:
- Cor intensa: A hematita moída dava à pasta uma tonalidade vermelha marcante.
- Ingredientes vegetais: As ceras e outros compostos ajudaram a caracterizar uma preparação intencional.
- Pequeno recipiente: O frasco de pedra poderia guardar uma quantidade reduzida de cosmético.

Quais detalhes sustentam essa interpretação arqueológica?
O recipiente tinha decoração e abertura estreita, elementos compatíveis com o armazenamento de pequenas quantidades de material. Já a mistura apresentava minerais vermelhos e substâncias vegetais. Juntos, esses sinais ajudam a diferenciar o achado de um simples pedaço de pedra tingido.
A análise também encontrou baixa presença de minerais de chumbo em comparação com outros cosméticos antigos da região. Os pesquisadores discutiram essa diferença, mas ela não comprova preocupação consciente com toxicidade. Tampouco existe prova de que o frasco tenha pertencido a uma pessoa específica.
A seguir listamos quatro elementos do achado que resumem as diferenças importantes:
| Elemento | O que foi observado | O que isso permite dizer |
|---|---|---|
| Frasco | Pedra decorada | Guardava pequena porção |
| Cor | Hematita e minerais | Preparação vermelha |
| Composição | Substâncias vegetais | Mistura elaborada |
| Uso | Sem aplicação preservada | Pintura labial provável |
O que esse objeto ensina sobre os cuidados pessoais antigos?
O objeto mostra que a preparação de pigmentos envolvia escolhas de materiais e conhecimentos práticos há milhares de anos. Moer minerais, combinar ingredientes e guardar pequenas porções exigia trabalho, mesmo antes da existência das embalagens e fórmulas industriais atuais.
A descoberta aproxima os cuidados pessoais antigos de um costume conhecido, mas seu valor está também nas perguntas ainda abertas. A química identifica a mistura e a datação situa o período; a maneira exata de usar o produto continua uma interpretação sustentada por pistas, não uma cena comprovada.
Sua história pode virar reportagem
Conte por texto ou áudio — nomes e endereços viram fictícios antes de qualquer publicação.




