As vilas do ouro cresceram como o terreno permitia, espremidas entre morros, com ruas que seguiam o caminho das tropas. Mariana é a exceção da lista. A primeira cidade e primeira capital de Minas Gerais ganhou uma planta assinada por um arquiteto português antes de virar cidade, e ainda hoje é a única de traçado planejado entre as coloniais mineiras.
Por que Mariana é a única cidade colonial planejada de Minas?
A ordem veio de fora, e de cima. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a partir de 1743 a expansão da localidade foi subordinada, a pedido do governo português, à planta elaborada pelo arquiteto José Fernandes Pinto Alpoim.
O resultado é visível na caminhada. Enquanto as vizinhas se enrolam em ladeiras, o traçado policêntrico de Mariana distribui igrejas, Passos da Paixão e chafarizes de modo a produzir o efeito cênico típico da estética barroca de influência portuguesa, descreve o Iphan. Em 1745, a vila foi elevada à categoria de cidade e batizada em homenagem à rainha Maria Ana de Áustria, esposa de D. João V. Foi a primeira vila mineira e a primeira localidade da capitania a receber foros de cidade.

O que a cidade ganhou junto com o título de cidade em 1745?
Ganhou a Igreja inteira. Ainda em 1745, conforme o Iphan, Mariana recebeu o Bispado por bula do Papa Bento XIV, tendo como primeiro titular frei Manuel da Cruz. O status de cidade era condição para sediar um bispado, e as duas coisas chegaram juntas.
O que veio depois moldou a identidade local. Por ali passaram dez titulares, e em 1906 o Bispado foi elevado a Arcebispado com a posse de dom Silvério Gomes Pimenta. Não por acaso, a cidade ficou conhecida ao longo do tempo como a cidade dos bispos. A Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG) escolheu justamente Mariana para sediar, em 2025, a primeira edição do Seminário Bens Culturais e Turismo da Fé, na Cúria Metropolitana.

Quem trabalhou na Catedral da Sé de Mariana?
Os maiores nomes do barroco mineiro, em sequência. A Catedral de Nossa Senhora da Assunção, a Sé, é uma das mais antigas igrejas mineiras e foi construída a partir de 1713, informa o Iphan. Nela trabalharam Manuel Francisco Lisboa, pai do Aleijadinho, o construtor português José Pereira Arouca e Manuel da Costa Athaíde, o maior pintor do período barroco mineiro.
Ao lado dela está a Casa Capitular, um dos mais belos edifícios rococós do Brasil, também obra de Arouca, erguida entre o fim do século XVIII e o início do XIX para abrigar as reuniões do Cabido. Hoje funciona ali o Museu Arquidiocesano, com mobiliário raro e peças de arte sacra.

O que visitar no centro histórico de Mariana?
O conjunto arquitetônico e urbanístico foi tombado em 14 de maio de 1938 e elevado a Monumento Nacional em 1945. Quase tudo se percorre a pé, sem as ladeiras das vizinhas.
- Praça Minas Gerais: reúne a Igreja de São Francisco de Assis e a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, com o antigo pelourinho ao centro.
- Igreja de Nossa Senhora do Carmo: considerada a mais bela da cidade, com risco do retábulo-mor do reverendo Félix Antônio Lisboa, meio-irmão do Aleijadinho, e pintura de teto de Francisco Xavier Carneiro.
- Igreja de São Pedro dos Clérigos: planta incomum, em parte alta e panorâmica.
- Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos: guarda forro de Manuel da Costa Athaíde.
- Rua Direita: conjunto de sobrados com comércio no térreo e sacadas no andar superior, incluindo a casa onde viveu o poeta Alphonsus de Guimarães.
- Arquivo Histórico da Casa Setecentista: mais de 3 mil documentos, de 1713 a 1920, com chancela da UNESCO no programa Memória do Mundo.
Quem quer descobrir a primeira capital de Minas Gerais, vai curtir este vídeo do canal Num Pulo, com mais de 167 mil visualizações, que percorre as igrejas, praças e museus de Mariana:
Onde estudam os universitários de Mariana?
Dentro de um seminário do século XVIII, literalmente. O Seminário Maior foi fundado pela Arquidiocese em 1750, por preocupação do primeiro bispo, e é a casa de instrução mais antiga de Minas Gerais, registra o Iphan. Séculos depois, o prédio do antigo Seminário de Nossa Senhora da Boa Morte passou a abrigar um campus universitário.
Ali funciona o Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), criado em 1979 a partir da incorporação da Faculdade de Filosofia de Mariana, com graduações em História, Letras e Pedagogia e pós-graduação nas três áreas. Em 2008, a cidade ganhou um segundo campus, o Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA), com Administração, Ciências Econômicas, Jornalismo e Serviço Social.
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Como é o clima em Mariana durante o ano?
O verão concentra as chuvas e o inverno seco favorece as caminhadas pelo centro. As manhãs de névoa são comuns nos meses frios.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Conheça a cidade onde Minas começou
Poucos lugares no país permitem atravessar em uma tarde a planta de 1743, uma catedral iniciada em 1713 e um seminário de 1750 que hoje recebe estudantes de graduação. Em Mariana, o patrimônio não está isolado atrás de vidro: ele continua sendo prédio de aula, sede de arquidiocese e caminho de quem vai à padaria.
Você precisa reservar um fim de semana, entrar nas igrejas com calma e conhecer a cidade que foi a primeira de tudo em Minas Gerais.




