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Esse vilarejo de cerâmica e neblina, onde fornos japoneses queimam barro a 1.400°C, se tornou o maior polo de arte de São Paulo

Vitor Bruno Por Vitor Bruno
14/06/2026
Em Cidades
O vilarejo de cerâmica e neblina no alto da Serra do Mar que é o maior polo de arte de São Paulo

O vilarejo de cerâmica e neblina no alto da Serra do Mar que é o maior polo de arte de São Paulo (imagem ilustrativa)

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Entre a névoa que desce das serras e o cheiro de lenha dos fornos, Cunha guarda uma identidade rara no interior paulista. A estância climática a 230 km de São Paulo abriga o primeiro forno japonês do país e foi reconhecida por lei como capital nacional de uma arte milenar.

Como uma técnica japonesa transformou Cunha na capital da cerâmica?

A virada aconteceu em 1975. Um grupo de ceramistas se instalou no antigo matadouro municipal e ergueu ali o primeiro forno Noborigama do Brasil, técnica de origem chinesa refinada no Japão, segundo a Agência Senado.

O pioneirismo tem nome e sobrenome. O grupo reunia o casal japonês Toshiyuki e Mieko Ukeseki, o arquiteto português Alberto Cidraes e os irmãos mineiros Vicente e Antônio Cordeiro. O que começou com poucas pessoas virou um movimento cultural que resiste há cinco décadas e levou o reconhecimento federal de Capital Nacional da Cerâmica de Alta Temperatura à cidade em 2022, segundo a Câmara dos Deputados.

Esse vilarejo de cerâmica e neblina, onde fornos japoneses queimam barro a 1.400°C, se tornou o maior polo de arte de São Paulo
Cunha, São Paulo // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

Por que cada peça de Cunha é única?

O segredo está no fogo. O forno Noborigama é construído em aclive, com câmaras interligadas que atingem temperaturas superiores a 1.400 °C em queimas que duram entre 30 e 40 horas, alimentadas apenas a lenha.

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O resultado nunca se repete. A cinza levada pelo calor extremo se deposita sobre a argila e cria vidrados orgânicos impossíveis de reproduzir, marca registrada das peças cunhenses. A tradição é ainda mais antiga: a cerâmica já existia na região no tempo dos índios tamoios, que moldavam utensílios em fornos rudimentares antes mesmo da chegada dos portugueses.

Esse vilarejo de cerâmica e neblina, onde fornos japoneses queimam barro a 1.400°C, se tornou o maior polo de arte de São Paulo
Cunha, São Paulo // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

O reconhecimento que cruzou fronteiras

Cunha concentra algo que nem o Japão contemporâneo reúne. A cidade tem a maior quantidade de fornos Noborigama ativos fora do país de origem da técnica, o que atrai colecionadores e artistas estrangeiros para a serra paulista.

O calendário ajudou a consolidar a fama. Desde 2005, o Festival de Cerâmica de Cunha acontece todos os anos com aberturas de fornada, oficinas e exposições. A edição de 2025 celebrou os 50 anos do primeiro forno e levou mais de 15 mil pessoas à cidade, com dezenas de ateliês abertos ao público ao mesmo tempo.

O que fazer em Cunha além dos ateliês?

A cidade reúne muito mais do que barro e fornos. As atrações se espalham entre o centro e a estrada que leva a Paraty.

  • Circuito de ateliês: dezenas de espaços abertos à visitação, como o Ateliê Suenaga e Jardineiro, um dos mais tradicionais, que marca aberturas de fornada para o público.
  • Pedra da Macela: mirante a cerca de 1.840 m no Parque Nacional da Serra da Bocaina, com vista para Paraty e a Baía de Ilha Grande após uma trilha curta e íngreme.
  • Núcleo Cunha do Parque Estadual da Serra do Mar: trilhas que variam de 1,7 km a mais de 14 km, com cachoeiras em meio à Mata Atlântica preservada.
  • Campos de lavanda: jardins instalados no alto da serra que rendem comparações com a Provença francesa, fora do roteiro mais óbvio.
  • Estrada Cunha-Paraty: trecho de terra pelo antigo Caminho do Ouro, dentro do parque nacional, com circulação restrita para proteger a fauna.

Quem procura uma viagem tranquila para curtir a natureza e se desligar da correria, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Vamos Fugir Blog, que conta com mais de 143 mil visualizações, onde os apresentadores mostram trilhas, cachoeiras e um roteiro essencial de viagem para 2 ou 3 dias em Cunha – SP:

Qual a melhor época para visitar Cunha?

O clima é tropical de altitude, com estações marcadas. O inverno traz frio intenso, geadas ocasionais e a célebre névoa que cobre as montanhas, enquanto o verão concentra a chuva da serra, uma garoa fina que pode durar dias.

🌧️ Verão
Dezembro a Março 18°C a 27°C
☔ Chuva Alta
O clima tropical de altitude traz o verão marcado pela chuva da serra, uma garoa fina que pode durar dias. A dica de ouro é se planejar bem para curtir trilhas pela manhã e ateliês à tarde.
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🌿 Outono
Abril a Junho 14°C a 22°C
🌤️ Chuva Média
As precipitações recuam suavemente e as temperaturas começam a cair. Uma janela formidável e super aromática para visitar os lindíssimos campos de lavanda e Festa do Divino.
🌤️ CLIMA AMENO
🏔️ Inverno
Julho a Setembro 8°C a 18°C
☀️ Chuva Baixa
A mais cobiçada e badalada alta temporada da região! O frio intenso traz a geada, criando o cenário impecável e poético para as aberturas de forno e neblina da serra.
⭐ ALTA TEMPORADA
🏺 Primavera
Outubro a Novembro 15°C a 24°C
🌤️ Chuva Média
O clima ameno e florido retoma as rédeas da serra paulista. Com os dias extremamente agradáveis, é uma época formidável e cultural para aproveitar o Festival de Cerâmica e trilhas.
🌸 FESTIVAL E CULTURA

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Cunha?

Cunha fica a 230 km da capital paulista. De São Paulo, o acesso é pela Rodovia Presidente Dutra até Guaratinguetá, onde se entra na SP-171 em direção a Paraty.

Do Rio de Janeiro, o trajeto soma cerca de 300 km pela mesma Dutra até Guaratinguetá. Não há ônibus direto, e a baldeação é feita em Guaratinguetá, por isso o carro é a opção mais prática, já que boa parte das atrações fica em estradas rurais.

Leia também: Eleita 1º lugar em qualidade de vida em Minas Gerais: a única cidade do Brasil na rota termal europeia tem águas sulfurosas a 45°C dentro de um vulcão extinto

Conheça a cidade que escolheu o barro como linguagem

Cunha tem uma identidade construída por escolha. Os ceramistas que chegaram em 1975 não vinham para um lugar famoso, eles criaram um, no alto da serra entre a névoa e o fogo dos fornos.

Você precisa visitar Cunha com calma, esperar uma abertura de forno e subir a Pedra da Macela para entender por que essa vila virou destino de arte e natureza.

Sua história pode virar reportagem

Conte por texto ou áudio — nomes e endereços viram fictícios antes de qualquer publicação.

Tags: cidadesCunhaSão Paulo

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