Em janeiro de 1964, uma jovem atriz francesa de 29 anos desembarcou em um vilarejo isolado no litoral do Rio de Janeiro em busca de sossego. Brigitte Bardot ficou quatro meses hospedada em uma casa simples na Praia de Manguinhos. Quando partiu, o destino que era distrito de Cabo Frio começou a entrar nos mapas internacionais. Hoje, Búzios, emancipada em 1995, reúne mais de 20 praias, uma cena gastronômica em ascensão e o título informal de Saint Tropez Brasileira, herança direta daquela visita.
Por que Búzios virou Saint Tropez Brasileira?
A explicação tem nome, data e endereço. A atriz francesa chegou à península em janeiro de 1964 acompanhada do então namorado, o produtor Bob Zagury, em busca de privacidade. O cenário era de uma vila de pescadores sem hotel, sem comércio organizado e quase sem estrutura. Conforme nota oficial da Secretaria de Cultura e Patrimônio Histórico de Búzios, as duas passagens da atriz pela cidade representaram um significativo evento de divulgação nacional e internacional que acelerou a transformação socioeconômica da região.
Em 1999, a cidade inaugurou a Orla Bardot, calçadão à beira-mar com estátua de bronze da atriz feita pela escultora Christina Motta. A homenagem se tornou um dos pontos mais fotografados da região e integra hoje o patrimônio urbano do município, segundo a prefeitura. Bardot nunca retornou após 1965 e faleceu em dezembro de 2025, aos 91 anos, na França.

Reconhecimento internacional do destino fluminense
A península aparece em guias de turismo internacionais como uma das principais escapadas de praia do Brasil. O guia Lonely Planet descreve o município como uma península com ruas estreitas de paralelepípedo e orla pitoresca que firmaram a imagem da cidade como Saint Tropez do Brasil, hoje um dos resorts à beira-mar mais sofisticados e animados do país.
O reconhecimento ambiental também é internacional. As praias Azeda, Azedinha e Forno receberam o selo Bandeira Azul, certificação concedida pela Foundation for Environmental Education (FEE), com sede na Dinamarca, que reconhece a qualidade ambiental de praias e marinas em todo o mundo. O selo exige critérios rigorosos de gestão ambiental, segurança e acessibilidade.
Segundo a Prefeitura de Búzios, a cidade organiza um calendário de eventos pensado para manter o fluxo de visitantes o ano todo, incluindo Carnaval, Réveillon, Natal Luz, Anarriê (festa junina) e festivais gastronômicos.

O que fazer em Búzios?
A península de 8 km concentra mais de 20 praias e dois eixos de bares e restaurantes em poucos minutos de caminhada. Entre as principais experiências, destacam-se:
- Praia de Geribá: a mais extensa e badalada, com boa estrutura de quiosques e ondas que atraem surfistas e escolas de surfe.
- Praia da Ferradura: enseada em forma de meia-lua com mar calmo, pedalinhos e caiaques, queridinha de famílias.
- Praia Azeda e Azedinha: dupla de pequenas praias com mar verde-limão, ambas com selo Bandeira Azul, acessadas por trilha curta a partir da Praia dos Ossos.
- Praia de João Fernandes: mar transparente com piscinas naturais, ideal para mergulho com peixes coloridos.
- Orla Bardot e Rua das Pedras: calçadão à beira-mar com estátua de Brigitte Bardot e a rua mais badalada da cidade, com lojas, bares e baladas.
- Monumento dos Três Pescadores: escultura em bronze na Praia da Armação que homenageia a origem pesqueira do município.
A gastronomia segue o ritmo internacional do destino, com base nos frutos do mar locais. Entre os pratos mais procurados, destacam-se:
- Polvo grelhado: protagonista das mesas buzianas, presente em entradas, risotos e pratos principais nos restaurantes da Orla Bardot.
- Camarão na cachaça: especialidade clássica de restaurantes do centro, servida flambada na mesa.
- Bobó de camarão: receita afro-brasileira muito presente nos cardápios, servida com arroz e farofa de dendê.
- Empanadas argentinas: herança da forte presença de turistas e moradores argentinos na cidade desde os anos 1970.
- Crepes da Rua das Pedras: tradição na cidade, com versões doces e salgadas adaptadas ao paladar brasileiro.
- Caipirinhas tropicais: feitas com cachaça e frutas como maracujá, kiwi e morango, servidas nos quiosques de praia.
Quem planeja um roteiro completo de 2 dias pela região, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Só Preciso Viajar, que conta com mais de 153 mil visualizações, onde Laura mostra as praias, o passeio de bug e os pontos turísticos de Búzios:
Qual a melhor época para visitar Búzios?
O município tem clima tropical e funciona o ano todo, com sol abundante e temperaturas amenas. A alta temporada vai do Natal ao Carnaval, mas o início do outono concentra a melhor combinação de calor, mar quente e areia menos disputada. Quem quer fugir das multidões prefere dias de semana fora dos feriados.
Veja como o clima muda em cada estação na península buziana:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme o ano.
Como chegar até a península buziana?
O caminho mais comum começa na capital fluminense. Do Rio de Janeiro são cerca de 175 km até a cidade, percorridos em aproximadamente 2h30 pela Via Lagos (RJ-124), que liga a Região dos Lagos à capital. Há também opção de ônibus rodoviário regular saindo da Rodoviária Novo Rio com viagens diárias. Quem prefere voar pode usar o aeroporto regional de Cabo Frio, a cerca de 25 km de Búzios, com voos sazonais.
Conheça a península que mudou o mapa do turismo brasileiro
O destino reúne o que poucos lugares do Brasil oferecem juntos: mais de 20 praias com personalidades distintas em uma península de 8 km, gastronomia premiada baseada em peixe fresco, vida noturna intensa na Rua das Pedras e um capítulo de cinema internacional incrustado em uma estátua de bronze à beira-mar. Mais de seis décadas depois da visita de Bardot, a antiga vila de pescadores segue se reinventando sem perder o ar de cidade litorânea.
Você precisa conhecer Búzios e descobrir por que tantos argentinos, paulistas e europeus voltam ano após ano para o pedaço do Rio de Janeiro que mudou o mapa do turismo nacional.




