O navegador italiano Américo Vespúcio avistou as ilhas em 1503 durante a segunda expedição portuguesa à costa brasileira, financiada pelo fidalgo Fernão de Loronha, dono original do arquipélago e nome que, com pequena alteração no registro, batizou o destino até hoje. O conjunto de 21 ilhas vulcânicas que forma Fernando de Noronha, a 354 km da costa de Pernambuco, abriga a praia eleita sete vezes a mais bonita do planeta e uma das mais ricas concentrações de vida marinha do Atlântico Sul.
O topo de uma cordilheira vulcânica a 4 mil metros de profundidade
As 21 ilhas, rochedos e ilhotas que formam o arquipélago ocupam cerca de 26 km² e representam o topo de uma cordilheira vulcânica cuja base se encontra a aproximadamente 4 mil metros de profundidade no Oceano Atlântico, segundo registra o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O isolamento geográfico criou um santuário ecológico raro no mundo.
A história também é singular. Pela posição estratégica no Atlântico, o arquipélago foi sucessivamente colônia portuguesa, presídio para ciganos em 1739, depois para farroupilhas em 1844 e capoeiristas em 1890, presídio político em 1938 e base militar avançada durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1988, a Constituição devolveu o território a Pernambuco, hoje um distrito estadual administrado por um governador-geral indicado pelo Estado.

Reconhecimento da UNESCO e título de melhor praia do mundo
O reconhecimento internacional veio em 16 de dezembro de 2001, quando o arquipélago e o vizinho Atol das Rocas foram inscritos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como Patrimônio Natural Mundial. As águas são consideradas essenciais para a reprodução e alimentação de atum, tubarão, tartarugas e mamíferos marinhos, além de abrigarem a maior concentração de aves tropicais marinhas do Atlântico.
O reconhecimento patrimonial veio também em 2017, quando o IPHAN tombou o Conjunto Histórico do arquipélago como Patrimônio Cultural do Brasil. A Baía do Sancho, dentro do Parque Nacional Marinho, soma sete títulos de melhor praia do mundo no ranking Travelers’ Choice Best of the Best do TripAdvisor, com vitórias em 2014, 2015, 2019, 2020, 2024 e 2025, conforme noticiou a Administração de Fernando de Noronha.

O que fazer no arquipélago que abriga 21 ilhas vulcânicas?
O acesso à maioria dos atrativos é controlado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que limita a visitação diária para preservar o ecossistema. Entre os passeios mais procurados, destacam-se:
- Baía do Sancho: melhor praia do mundo pelo TripAdvisor por sete vezes, com águas turquesa e acesso por escadarias verticais cravadas na fenda da falésia ou de barco autorizado.
- Baía dos Porcos: vizinha do Sancho, tem piscinas naturais de águas esmeralda e a vista clássica do Morro Dois Irmãos, cartão-postal mais fotografado do arquipélago.
- Baía dos Golfinhos: ponto de observação mais regular de golfinhos rotadores no planeta, segundo o Parque Nacional Marinho, com biólogos do Projeto Golfinho Rotador acompanhando o trabalho no mirante.
- Praia do Sueste: única área de mangue insular do Atlântico Sul, com tartarugas e a maior baía protegida do arquipélago, ideal para snorkeling supervisionado.
- Praia do Leão: uma das mais desertas, importante ponto de desova de tartarugas marinhas, monitorada pelo Projeto Tamar.
- Praia da Atalaia: piscina natural rica em vida marinha, com acesso agendado no ICMBio, banho com colete obrigatório e tempo limitado de 30 minutos para preservar os corais.
- Vila dos Remédios: centro histórico do distrito, com a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios e o Forte dos Remédios, parte do conjunto tombado pelo IPHAN.
- Pôr do sol no Fortinho do Boldró: ritual de fim de tarde com vista para os Morros Dois Irmãos, frequentemente acompanhado de música ao vivo.
Quem sonha em explorar o paraíso das praias mais lindas do mundo, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Trip Partiu, que conta com mais de 930 mil visualizações, onde mostram um roteiro completo com dicas e preços em Fernando de Noronha:
Qual a melhor época para visitar Fernando de Noronha e o que fazer em cada estação?
A melhor época para visitar o arquipélago é entre agosto e janeiro, na estação seca, quando o mar fica calmo e a visibilidade para mergulho atinge seu auge. Entre fevereiro e julho, as chuvas trazem outro charme, com cachoeiras temporárias caindo direto das falésias na Praia do Sancho e ondas grandes que atraem surfistas para o Mar de Dentro.
Cada estação muda completamente o ritmo da ilha:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao arquipélago a 354 km da costa pernambucana
O acesso é feito exclusivamente por via aérea. Voos regulares partem do Aeroporto Internacional do Recife e do Aeroporto Augusto Severo, em Natal, operados pelas companhias Azul e Gol, com duração média de 1h10 e 1h, respectivamente, até o Aeroporto de Fernando de Noronha. Ao desembarcar, o visitante precisa pagar a Taxa de Preservação Ambiental (TPA) cobrada por dia de permanência, e adquirir o ingresso do Parque Nacional Marinho para acessar praias como Sancho, Sueste, Leão e Atalaia, válido por 10 dias.
Atravesse o Atlântico e conheça o paraíso vulcânico
O arquipélago reúne em pouco mais de 26 km² o reconhecimento internacional da UNESCO, a praia mais premiada do planeta e uma vida marinha que segue praticamente intocada graças ao controle rigoroso de visitação. Poucos destinos brasileiros conseguem entregar essa combinação de natureza preservada, história colonial e isolamento geográfico.
Você precisa cruzar o Atlântico e conhecer Fernando de Noronha, descer os 208 degraus da escadaria do Sancho e nadar ao lado de tartarugas e golfinhos para entender por que o mundo elege essa praia, ano após ano, como a mais bonita do planeta.




