No fim do século XVII, a Bandeira das Esmeraldas comandada por Fernão Dias Paes e o genro Borba Gato cruzou o sertão à procura da mítica Sabarabuçu, a “montanha que resplandece”. O acampamento à margem do rio das Velhas virou o primeiro povoamento de Minas Gerais e, em 1711, foi elevado à Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará, a 25 km de onde hoje fica Belo Horizonte.
A vila que nasceu na busca pela montanha que resplandece
O caminho foi aberto pelo sertanista paulista Matias Cardoso de Albuquerque, escolhido para preparar picadas e roças no trajeto da bandeira. Em 1702, o arraial já era um movimentado centro de comércio de gado, cavalos e mantimentos, e três anos depois da elevação a vila se tornou sede da extensa Comarca do Rio das Velhas, uma das quatro primeiras criadas na Capitania das Gerais, conforme registra o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
A Vila do Sabará acolheu a Casa de Fundição que cunhava o ouro com o selo real e recolhia os impostos, transformando-se em um dos núcleos mineradores que mais ouro encaminharam à Coroa Portuguesa. O nome do município é uma corruptela do tupi-guarani sabaá (curva do rio) e buçu (grande), em referência ao encontro do rio Sabará com o rio das Velhas, segundo a Prefeitura de Sabará.

Vale a pena viver na cidade histórica mais próxima de Belo Horizonte?
Vale para quem deseja qualidade de vida com herança barroca e o conforto da Região Metropolitana. A cidade integra a RMBH, fica a 25 km do centro da capital pela MG-5 ou pela BR-040, e mantém o conjunto arquitetônico tombado pelo IPHAN, com igrejas do século XVIII e casario colonial preservado. A proximidade com BH garante acesso rápido a hospitais, universidades e serviços, enquanto o ritmo do interior preserva o silêncio das ruas de pedra.
O município é parada obrigatória da Estrada Real, roteiro turístico oficial que conecta as cidades do antigo Caminho do Ouro entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. O reconhecimento patrimonial, somado à proximidade da capital, ajuda a manter o destino atrativo para moradores que buscam segurança, infraestrutura e identidade cultural em um único endereço.

O que fazer na primeira vila do ouro de Minas?
O centro histórico concentra os principais cartões-postais, todos a poucos minutos de caminhada uns dos outros. Entre os passeios mais procurados, destacam-se:
- Igreja de Nossa Senhora do Ó: inaugurada em 1717, joia do barroco com decoração de talha dourada e pinturas de influência chinesa, possivelmente obra de artistas de Macau, segundo a Prefeitura de Sabará.
- Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição: erguida entre 1710 e 1720, reúne características das três fases do barroco mineiro, fato raro nas cidades históricas do estado.
- Museu do Ouro: instalado na antiga Casa de Intendência e Fundição, é administrado pelo IPHAN e guarda peças do ciclo do ouro, incluindo uma prensa de 1670.
- Teatro Municipal: a antiga Casa da Ópera foi inaugurada em 2 de junho de 1819, construída com esforço da população, e segue como um dos teatros mais antigos do Brasil em atividade.
- Chafariz do Kaquende: abastece a cidade desde 1757 com águas da nascente do Morro de São Francisco; reza a lenda que quem bebe sempre volta a Sabará.
- Solar do Padre Correia: construção de 1773 que já hospedou D. Pedro I e D. Pedro II, com escadaria em jacarandá e talha da terceira fase do barroco mineiro.
- Igreja de Nossa Senhora do Carmo: tem trabalhos de Aleijadinho no coro, no púlpito e na decoração em pedra-sabão da fachada.
- Festival da Jabuticaba: realizado em novembro nas Praças Melo Viana e Santa Rita, chegou à 39ª edição em 2025 com gastronomia, música e visitas guiadas.
Quem deseja conhecer uma cidade histórica ao lado de Belo Horizonte, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 87 mil visualizações, onde Tati Marmon mostra as igrejas, casarões e curiosidades de Sabará, Minas Gerais:
Qual a melhor época para visitar Sabará e o que fazer em cada estação?
A melhor época para conhecer a cidade colonial é entre maio e setembro, quando a estação seca garante céu limpo e temperaturas amenas para caminhar pelas ruas de paralelepípedo. O outono também coincide com o tradicional Festival do Ora-Pro-Nóbis no distrito de Pompéu, e novembro reúne os turistas no Festival da Jabuticaba.
Cada estação oferece um perfil diferente de passeio em Sabará:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade colonial vizinha da capital mineira
O acesso é simples e curto. De carro, a opção mais usada é a MG-5, que conecta o destino a Belo Horizonte em cerca de 25 km, ou a BR-040 para quem chega de outras regiões. O Aeroporto Internacional de Confins fica a aproximadamente uma hora do centro histórico, com voos diários de capitais brasileiras. Linhas regulares de ônibus saem da rodoviária da capital mineira e param na cidade ao longo do dia, segundo a Secretaria-Geral do Governo de Minas Gerais.
Conheça a primeira vila do ouro do estado
A cidade reúne em poucas ruas um patrimônio que conta a história do Brasil colonial inteiro, do esplendor da mineração aos artistas vindos do Oriente, das obras de Aleijadinho ao chafariz que abastece a comunidade há mais de 260 anos. Tudo isso a menos de 30 minutos da capital mineira, com facilidade de transporte e estrutura para visitas curtas ou roteiros completos.
Você precisa cruzar a Estrada Real e conhecer Sabará, beber da água do Kaquende e provar um frango com ora-pro-nóbis para entender por que a cidade segue viva quase 315 anos depois da fundação.




