No alto de uma serra que marca o início sul da Cadeia do Espinhaço, uma cidade mineira ergueu uma das maiores usinas siderúrgicas do planeta sem perder o ar de interior. Fundada no final do século XVII, quando bandeirantes encontraram um ouro de tom esbranquiçado misturado a paládio, Ouro Branco trocou a mineração pelo aço e hoje produz cerca de 12% de todo o aço brasileiro. O município está entre as 500 melhores cidades do Brasil em qualidade de vida e a apenas 100 km de Belo Horizonte.
Por que esta cidade entrou no mapa industrial do Brasil?
A resposta começa em 1976, quando foi instalada no município a estatal Aço Minas Gerais (Açominas), embrião da operação que hoje pertence à Gerdau. A planta inaugurou o ciclo do aço na região e mudou para sempre a vocação de uma terra que já havia passado pelos ciclos do ouro, da uva e da batata.
Hoje, a usina de Ouro Branco é a maior unidade da Gerdau no mundo, com capacidade instalada de 4,5 milhões de toneladas de aço líquido por ano, em uma planta de 10 milhões de metros quadrados aos pés da serra. A unidade emprega cerca de 8,5 mil colaboradores e atende setores como construção civil, automotivo, naval e energia.
Segundo a Agência Minas Gerais, a produção local responde por cerca de 12% de todo o aço fabricado no Brasil. A operação convive com o casario colonial, as igrejas do século XVIII e a serra de quartzito que abraça o município.

Vale a pena viver em Ouro Branco?
Sim, e os números explicam o motivo. A cidade alcançou em 2010 a primeira posição no Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (IFDM) entre todos os municípios mineiros, e na edição mais recente do ranking, com dados de 2023, segue entre as 500 melhores do país. Conforme dados do Sistema FIRJAN, o município ocupa a posição 491 entre as 5.550 cidades analisadas pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro.
O PIB per capita chegou a cerca de R$ 111 mil em 2023, conforme dados oficiais, e a escolarização de crianças entre 6 e 14 anos alcança quase 100%. Outro diferencial é a presença de duas instituições federais de ensino superior: o Campus Alto Paraopeba da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e o campus do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG). A combinação de indústria forte, vida universitária e altitude de 1.041 metros cria uma rotina rara para uma cidade do porte.

O que faz a cidade ganhar reconhecimento nacional e internacional?
O destaque vem em duas frentes. A primeira é ambiental: a Serra do Ouro Branco é o marco inicial sul da Cadeia do Espinhaço, declarada Reserva da Biosfera pela UNESCO em 2005. A região reúne campos rupestres com um dos maiores graus de endemismo de toda a cadeia, segundo o Instituto Estadual de Florestas (IEF).
A segunda frente é o patrimônio histórico. A Igreja Matriz de Santo Antônio, erguida a partir de 1717, guarda obras atribuídas a Aleijadinho e pinturas do Mestre Ataíde, e a serra é tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA). A cidade também integra o trajeto histórico da Estrada Real, rota colonial de mais de 1.600 km que ligava as minas aos portos do litoral.
O que fazer em Ouro Branco?
Entre serras, casarões coloniais e mirantes a mais de 1.500 metros de altitude, o município oferece um roteiro que mistura natureza preservada e arquitetura setecentista. Os destaques, segundo o Site Oficial de Turismo do destino:
- Parque Estadual Serra do Ouro Branco: 7.520 hectares de campos rupestres e mata atlântica, com trilhas, cachoeiras e mirantes. Entrada gratuita, mas com agendamento prévio.
- Mirante do ET: a 1.568 metros de altitude, permite avistar Ouro Branco, Congonhas e Conselheiro Lafaiete ao mesmo tempo, com acesso pela MG-129.
- Igreja Matriz de Santo Antônio: construção iniciada em 1717, com forro pintado por Mestre Ataíde e portada com influência de Aleijadinho.
- Casa de Tiradentes: parte da Fazenda Carreiras, na margem da Estrada Real, com mais de 300 anos de história e tombamento estadual.
- Distrito de Itatiaia: vilarejo com a terceira igreja mais antiga de Minas, vista privilegiada da serra e atmosfera de montanha.
- Versilindro: escultura monumental em aço com 30 estrofes e 105 palavras, instalada em comemoração aos 70 anos de emancipação do município.
Quem deseja conhecer as maravilhas da região central mineira, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 76 mil visualizações, onde Tati Marmon mostra curiosidades, cultura e as belezas naturais de Ouro Branco, Minas Gerais:
Quando é a melhor época para visitar Ouro Branco?
O município tem clima tropical de altitude, com temperaturas amenas o ano inteiro e estações bem marcadas. O inverno seco é a alta temporada para quem busca trilhas e mirantes, enquanto o verão concentra chuvas mais frequentes, mas garante a serra no auge do verde.
Para planejar a viagem, vale conferir as condições antes de subir a serra:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar até o destino mineiro?
A 100 km de Belo Horizonte, o acesso mais comum é pela BR-040, sentido Rio de Janeiro, com entrada na MG-443 até o centro da cidade. Quem vem de São Paulo percorre cerca de 584 km, e do Rio de Janeiro, aproximadamente 363 km. O município também conta com terminais rodoviários e fica a curta distância de outros destinos da Estrada Real, como Ouro Preto e Congonhas.
Conheça a cidade do aço aos pés da serra
Pouca gente imagina que uma cidade do interior mineiro produz parte tão expressiva do aço brasileiro e ainda assim mantém igrejas barrocas, trilhas em campos rupestres e qualidade de vida digna de ranking nacional. Ouro Branco prova que tradição e indústria pesada podem dividir o mesmo CEP.
Você precisa subir a serra e conhecer Ouro Branco, a cidade onde o ouro virou aço e o aço nunca apagou o cheiro de café passado e o silêncio das montanhas.




