Vapor subindo das piscinas no meio do Cerrado, mesmo em noites frias de julho. Esse é o cartão-postal de Caldas Novas, no sul de Goiás, a 170 km da capital. O destino abriga a maior estância hidrotermal do mundo, com águas que afloram entre 30°C e 57°C diretamente do subsolo, segundo a Goiás Turismo, e ainda chamou a atenção da agência espacial norte-americana.
O que faz essa cidade ser tão diferente de tudo no Brasil?
A resposta está embaixo do chão. As nascentes não dependem de vulcões, como muitos ainda acreditam. O fenômeno é puramente geotérmico: a chuva penetra nas fendas da Serra de Caldas, desce cerca de mil metros de profundidade e se aquece pelo calor natural do interior da Terra antes de retornar à superfície sob pressão.
O resultado é um aquífero único. A cidade goiana reúne uma das maiores ocorrências de águas quentes sem vínculo com vulcanismo no planeta, abastecendo mais de 80 poços ativos. O governo estadual registrou que a água que sai hoje das torneiras dos resorts caiu como chuva há até mil anos sobre a serra.

O destino também ganhou holofotes internacionais. Em junho de 2025, a NASA publicou em suas redes sociais uma imagem aérea do planalto de formato oval, captada pelo satélite Landsat 9, com a legenda “What’s that?”. A postagem viralizou e impulsionou ainda mais o fluxo de visitantes curiosos pela formação geológica de 300 metros de altura.
Vale a pena viver na capital das águas quentes?
Sim, e os números ajudam a explicar. A cidade goiana é considerada uma das melhores do interior de Goiás em qualidade de vida, com indicadores oficiais classificados como altos, segundo dados consolidados pelo Score de Cidades. O município ocupa a 1.201ª posição entre os 5.570 do país no ranking nacional de desenvolvimento.
O custo de vida é considerado acessível em comparação a capitais brasileiras, com moradia, alimentação e lazer em valores mais baixos. A economia é diversificada e robusta, sustentada pelo turismo, que responde por cerca de 75% do PIB municipal, conforme aponta o portal oficial da cidade.
A infraestrutura urbana acompanha esse ritmo. O destino conta com mais de 100 hotéis, parque hoteleiro entre os maiores do país, aeroporto próprio com voos regulares e a presença da Universidade Estadual de Goiás (UEG). Quem mora ali troca o estresse das capitais por banho termal depois do expediente, em uma rotina que combina serviços completos com clima tranquilo do interior goiano.

Reconhecimento que vai do Cerrado ao espaço
Poucos destinos brasileiros acumulam tantos selos. A Goiás Turismo classifica o município como o maior manancial hidrotermal do planeta, com mais de 2 milhões de visitantes por ano. A vizinha Rio Quente, a 25 km, abriga o maior rio de águas naturalmente quentes do mundo, com vazão de 150 milhões de litros por dia.
A Serra de Caldas também tem peso geológico internacional. Em 2005, ela foi reconhecida como um dos sítios geológicos mais importantes do Brasil pela Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos, vinculada à organização internacional de ciência. E em junho de 2025, a Secretaria de Meio Ambiente de Goiás divulgou que o registro feito pelo satélite Landsat 9 colocou o parque no centro das atenções, com a publicação ultrapassando 400 mil curtidas e atraindo brasileiros e estrangeiros.
O que fazer no destino das águas termais?
O roteiro vai muito além das piscinas aquecidas. A região combina parques aquáticos de padrão internacional com ecoturismo no Cerrado preservado e cultura goiana autêntica. Entre as principais atrações da maior estância hidrotermal do planeta, destacam-se:
- Parque Estadual da Serra de Caldas Novas (PESCaN): primeira unidade de conservação de Goiás, com 12.315 hectares, trilhas para a Cascatinha e o Paredão e mirantes a mais de mil metros de altitude.
- Hot Park: no município vizinho de Rio Quente, abriga a Praia do Cerrado, maior piscina de águas quentes correntes do planeta.
- Lagoa de Pirapitinga: nascente histórica onde a água chega a 57°C. O famoso poço cozinha um ovo em poucos minutos.
- Lago Corumbá: 65 km² de espelho d’água para passeios de lancha, jet-ski, pesca esportiva e pôr do sol.
- diRoma Acqua Park: complexo com mais de 20 piscinas termais, toboáguas e área molhada infantil.
- Jardim Japonês: paisagismo oriental com pontes e meditação contemplativa, projetado nos anos 1980.
A mesa do destino goiano carrega o tempero forte do interior, com sabores que dialogam diretamente com o Cerrado. Entre os pratos típicos que valem a parada, estão:
- Empadão goiano: torta salgada com frango, linguiça, queijo e guariroba, o palmito amargo do cerrado.
- Arroz com pequi: o clássico goiano de aroma marcante e cor amarela intensa.
- Galinhada: arroz cozido junto com frango caipira e açafrão, servido em panelão.
- Pamonha: doce ou salgada, vendida fresca em pamonharias espalhadas pelo município.
- Sorvete de pequi: a curiosidade gastronômica que divide opiniões entre quem visita.
Quem planeja viajar para o paraíso das águas quentes, vai curtir esse vídeo do canal To De Férias, com mais de 96 mil visualizações, onde o apresentador mostra 15 locais incríveis para conhecer em Caldas Novas, Goiás:
Qual a melhor época para visitar Caldas Novas?
O destino pode ser visitado o ano inteiro, já que as piscinas mantêm temperatura constante. Caldas Novas tem clima tropical com duas estações bem marcadas: a seca, mais longa, e a chuvosa, concentrada no verão. O inverno é considerado a alta temporada por causa do céu limpo e das noites frescas, perfeitas para o contraste com a água quente.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme o ano.
Como chegar até a cidade das águas quentes?
O acesso é simples por terra ou pelo ar. A cidade goiana fica a 170 km de Goiânia, cerca de duas horas e meia de carro, com chegada pela BR-153 até o trevo de Morrinhos e seguindo pela GO-213. De Brasília, a distância é de aproximadamente 300 km, pela BR-060 e GO-139, em torno de quatro horas. Para quem prefere voar, o Aeroporto Nelson Ribeiro Guimarães recebe voos regulares da Azul e da Gol e é o segundo maior terminal de passageiros do estado.
Vale a viagem até a maior estância hidrotermal do mundo
Poucos lugares no planeta oferecem o privilégio de mergulhar em águas termais o ano inteiro, com fenômeno geológico raro, infraestrutura completa e a hospitalidade goiana servida de bandeja. A combinação de ecoturismo, parques aquáticos e cultura do Cerrado faz desse destino uma experiência difícil de repetir em outro canto do país.
Você precisa conhecer Caldas Novas e sentir o vapor subindo das piscinas no meio do Cerrado, em um pedacinho do Centro-Oeste que parece pertencer a outro planeta.




