Vila Velha existe porque os portugueses precisavam de um ponto fixo no litoral para dominar o território que viria a ser o Brasil. Em 23 de maio de 1535, o donatário Vasco Fernandes Coutinho desembarcou na Prainha com sessenta homens e fundou o primeiro núcleo do Espírito Santo. Cinco séculos depois, a cidade preserva igrejas do século XVI, conventos no alto de penhascos e praias de água morna a cinco quilômetros da capital capixaba.
Por que a cidade se chama Vila Velha?
A resposta está em um golpe político do século XVI. Os portugueses fundaram a capital da Capitania do Espírito Santo exatamente onde Coutinho desembarcou, na Prainha. Mas ataques constantes de indígenas, franceses e holandeses tornaram o local indefensável. Em 1551, a sede foi transferida para a Ilha de Santo Antônio, onde fica a atual Vitória. O núcleo original ficou para trás, abandonado, e os moradores passaram a chamá-lo simplesmente de “a vila velha”. O apelido virou nome oficial em 1890.
Outro apelido da cidade também tem origem curiosa. “Terra dos Canelas-Verdes” surgiu nos primeiros anos da colonização: a versão mais aceita é que os índios chamavam assim os portugueses porque as algas marinhas da costa capixaba manchavam de verde as calças e as canelas dos colonizadores ao desembarcarem. A cidade carrega esse apelido até hoje com orgulho, segundo registros da Câmara Municipal de Vila Velha.

Uma cidade reconhecida dentro e fora do Brasil
Em 2024, a terra dos canelas-verdes superou Foz do Iguaçu, Rio de Janeiro, Curitiba e Montevidéu para conquistar o Prêmio Ibero-Americano como Destino Turístico Inteligente (DTI) da América Latina. Em 2025, o município repetiu o feito, vencendo em duas categorias, conforme divulgou a Secretaria de Estado do Turismo do Espírito Santo (Setur-ES). O prêmio reconhece cidades que investem em tecnologia, sustentabilidade e inovação no turismo.
Além do prêmio ibero-americano, o município recebeu certificação do Ministério do Turismo como Destino Turístico Inteligente, tornando-se o sexto destino do país a conquistar esse reconhecimento. O Portal de Turismo da Prefeitura de Vila Velha apresenta a cidade como a terceira mais antiga do Brasil, com história que atravessa cinco séculos, preservados em pedra, fé e orla.

Vale a pena morar em Vila Velha?
O município registra qualidade de vida com indicadores acima da média nacional. Segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o município alcançou índice de desenvolvimento humano de 0,800, classificado como muito alto e um dos mais elevados do Espírito Santo. A cidade figura entre as cinco com melhor qualidade de vida no estado, conforme apontou o Índice de Progresso Social 2025.
A infraestrutura reforça essa percepção: ciclovias que conectam pontos turísticos, investimento em mobilidade com bicicletas e patinetes elétricos compartilhados, e proximidade com a Grande Vitória, que oferece hospitais, universidades e emprego a apenas cinco quilômetros. A Universidade Vila Velha (UVV) é uma das instituições de ensino superior que atrai estudantes de todo o país para a cidade. Bairros como a Praia da Costa e Coqueiral de Itaparica combinam serviços de qualidade com vida à beira-mar.
O que fazer em Vila Velha?
Com 32 km de litoral e um dos maiores acervos históricos do país, a cidade oferece opções para quem quer praia, trilha ou cultura. Entre as principais atrações, confira:
- Convento da Penha: santuário franciscano erguido em 1558 no alto de um penhasco de 154 metros, com vista panorâmica da Baía de Vitória e das praias. É o ponto turístico mais visitado do Espírito Santo. O interior abriga um painel trazido de Portugal pelo Frei Pedro Palácios, possivelmente a pintura mais antiga do Brasil, segundo a Convento da Penha.
- Igreja de Nossa Senhora do Rosário: construída em 1535, é a mais antiga do estado em funcionamento e mantém sua estrutura original, tombada pelo reconhecimento patrimonial nacional desde 1950. Fica no Sítio Histórico da Prainha, o ponto exato onde o Brasil capixaba começou.
- Praia da Costa: a orla mais estruturada da cidade, com calçadão movimentado, quiosques e mar calmo. Referência para turistas e moradores que buscam banho e gastronomia à beira-mar.
- Morro do Moreno: trilha de nível moderado com vista de 360 graus, abrangendo o Convento, a Terceira Ponte e as praias da cidade. Acesso gratuito, todos os dias, com opções de rapel e parapente.
- Museu Vale: instalado na antiga Estação Ferroviária Pedro Nolasco, de 1927, o espaço preserva a história da ferrovia Vitória-Minas com acervo de cerca de 24 mil itens. O Café do Museu funciona dentro de um vagão histórico com vista para a Baía de Vitória. Entrada gratuita.
- Fábrica de Chocolates Garoto: fundada em 1929, é uma das unidades de produção de chocolate mais tradicionais do país. O aroma adocicado que sai da fábrica no bairro da Glória é uma das marcas sensoriais mais conhecidas da cidade.
Quem deseja explorar o melhor da cidade capixaba, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Gastronomades, que conta com mais de 19 mil visualizações, onde o Apresentador mostra um roteiro completo de 2 dias em Vila Velha, Espírito Santo:
Quando visitar Vila Velha?
O clima de Vila Velha é tropical litorâneo, com calor o ano inteiro e chuvas concentradas entre outubro e janeiro. A cidade pode ser aproveitada em qualquer época, mas a escolha do período influencia muito o tipo de passeio:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Vila Velha
O Aeroporto de Vitória (Eurico de Aguiar Salles) recebe voos diretos das principais capitais brasileiras e fica a cerca de 10 km do centro de Vila Velha. De carro, a ligação com a capital é feita pela Terceira Ponte, a apenas cinco km de distância. De ônibus, há linhas regulares conectando Vitória a Vila Velha em menos de 30 minutos, com saídas frequentes ao longo do dia. Quem vem do interior do Espírito Santo ou de outros estados pode acessar o município pela BR-101.
Cinco séculos de história e mar à vista
Poucas cidades brasileiras têm o privilégio de guardar o ponto exato onde um estado inteiro começou. Vila Velha une convento no alto do penhasco, praias de água morna, prêmios internacionais de turismo e qualidade de vida acima da média, tudo a cinco quilômetros da capital.
Quem conhece a terra dos canelas-verdes entende por que tantos escolhem ficar, seja para uma visita de fim de semana ou para chamar de casa.




