Ladeiras de pedra, casarões coloridos e igrejas barrocas que despontam no alto de cada colina. Olinda, em Pernambuco, guarda quase cinco séculos de história em pouco mais de um quilômetro quadrado de centro histórico. Foi a primeira capital do Brasil Colônia, rica em cana-de-açúcar, e hoje atrai turistas do mundo inteiro durante o Carnaval e fora dele.
O que poucos brasileiros sabem sobre a história da cidade
O destino pernambucano foi fundado em 1535 pelo donatário português Duarte Coelho e, durante o século XVI, chegou a ser tão rico que ganhou o apelido de “pequena Lisboa” entre cronistas da época. A cidade chegou a ser sede do Brasil Colônia entre 1624 e 1625, durante a primeira invasão holandesa.
Em 1631, os holandeses incendiaram quase tudo. Restou pouco do casario original, mas foi justamente a reconstrução nos séculos seguintes que deu ao destino sua identidade barroca atual, com cerca de 1.500 imóveis preservados em apenas 1,2 km² de sítio histórico, segundo dados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Outra curiosidade pouco conhecida é que a cidade já foi capital de Pernambuco até 1837, quando o título passou definitivamente para o Recife. A relação entre as duas cidades-irmãs é tão antiga que ambas comemoram aniversário no mesmo dia, 12 de março.

Reconhecimento nacional e internacional
O conjunto arquitetônico de Olinda foi tombado pelo IPHAN em 1968 e, em 14 de dezembro de 1982, recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Foi a segunda cidade brasileira a entrar na lista, atrás apenas de Ouro Preto, em Minas Gerais.
A própria Prefeitura de Olinda registra que o processo durou quatro anos e foi articulado pelo designer pernambucano Aloisio Magalhães. O reconhecimento internacional coloca o centro histórico ao lado de monumentos como a Catedral de Notre-Dame e a Cidade do Vaticano.
A cultura local também ganhou destaque mundial pela Fundação Joaquim Nabuco, vinculada ao Ministério da Educação. O frevo, ritmo dançado nas ladeiras da cidade durante o Carnaval, foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2012.

O que fazer no destino pernambucano
Caminhar é o melhor jeito de conhecer o sítio histórico, já que as ruas estreitas e as ladeiras de pedra revelam novas paisagens a cada esquina. A cidade combina turismo cultural e religioso com mirantes naturais e oficinas de arte popular.
Entre os principais pontos turísticos, destacam-se:
- Alto da Sé: mirante mais famoso da cidade, com vista panorâmica do Recife, do mar e do centro histórico.
- Catedral Sé de Olinda: igreja-símbolo do destino, construída originalmente em 1535 e dedicada a Nosso Senhor Salvador do Mundo.
- Basílica e Mosteiro de São Bento: abriga o famoso altar-mor folheado a ouro, considerado um dos mais ricos do barroco brasileiro.
- Convento de São Francisco: o primeiro convento franciscano do Brasil, fundado em 1585, com azulejos portugueses originais.
- Museu de Arte Sacra de Pernambuco: instalado no antigo Palácio Episcopal e em funcionamento desde 1977.
- Mercado da Ribeira e Mercado Eufrásio Barbosa: pontos de artesanato local, com bonecos de Olinda em miniatura e peças em barro.
A gastronomia local mistura raízes indígenas, africanas e portuguesas em sabores marcantes da culinária pernambucana:
- Tapioca do Alto da Sé: vendida nas barracas das tradicionais tapioqueiras locais, é considerada patrimônio imaterial da cidade.
- Bolo Souza Leão: cremoso, à base de massa de mandioca, leite de coco e gemas, recebeu por lei o status de Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco.
- Bolo de rolo: doce fino feito com massa enrolada e recheio de goiabada, também tombado como patrimônio imaterial estadual.
- Cartola: sobremesa quente de banana com queijo coalho assado, canela e açúcar.
- Caldinho de sururu: servido em copinhos pelos bares do sítio histórico, com sabor intenso de molusco e coentro.
Quem deseja fazer uma imersão na história e nos sabores de Pernambuco, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Tesouros do Brasil, que conta com mais de 91 mil visualizações, onde João Vitor mostra o roteiro definitivo em Olinda:
Qual a melhor época para visitar Olinda?
A melhor época para conhecer Olinda vai de setembro a fevereiro, período menos chuvoso e que coincide com o Carnaval, principal atração turística da cidade. O clima é tropical quente o ano inteiro, com temperaturas médias entre 24°C e 30°C e duas estações bem definidas.
Entre março e julho acontece o período mais chuvoso, com pancadas concentradas que costumam dar trégua durante o dia. O verão e a primavera, por outro lado, oferecem dias secos e ensolarados, ideais para caminhar pelas ladeiras sem se preocupar com guarda-chuva. Veja como cada estação se comporta no destino pernambucano:
Temperaturas aproximadas conforme o Climatempo. Condições podem variar ao longo do ano.
Como chegar até a cidade histórica
O acesso mais comum é pelo Aeroporto Internacional do Recife, no Guararapes, que fica a cerca de 18 km do centro histórico de Olinda. O trajeto leva de 30 a 50 minutos de carro, dependendo do trânsito, e pode ser feito por aplicativo, táxi ou transfer.
Para quem está hospedado no Recife, a viagem é ainda mais curta: pouco mais de 10 km separam a capital pernambucana do sítio histórico olindense pela Avenida Governador Agamenon Magalhães. Também há linhas regulares de ônibus que conectam as duas cidades ao longo do dia.
Vale a pena conhecer Olinda
Poucos destinos no Brasil reúnem tanta história, cor e cultura popular em um espaço tão pequeno. As ladeiras coloridas, os casarões coloniais e o som constante do frevo fazem da cidade uma experiência que mistura herança colonial e vida pulsante.
Você precisa visitar Olinda e subir as ladeiras do sítio histórico para sentir como uma cidade de quase 500 anos pode estar tão viva.




