Aos pés do Pico da Ibituruna, uma montanha escura que se ergue a quase 900 metros acima do Rio Doce, Governador Valadares cresceu primeiro pela extração de mica durante a Segunda Guerra Mundial e depois pelo comércio de pedras preciosas que ainda movimenta a cidade. Hoje, a cidade do leste mineiro reúne térmicas consideradas as melhores do planeta para o voo livre, um dos maiores eventos gemológicos do país e uma rotina urbana de cidade média, com cerca de 260 mil habitantes.
Por que essa cidade ganhou o apelido de Valadólares?
O apelido nasceu de uma onda de emigração para os Estados Unidos que começou na Segunda Guerra Mundial. Com a Índia bloqueada pela marinha alemã, os norte-americanos montaram em Valadares uma base de extração de mica, mineral essencial à indústria elétrica e à aviação militar.
Entre os engenheiros enviados estava Richard Pitt Simpson, conhecido como Mister Simpson, que se fixou na cidade e ajudou a fundar o primeiro Rotary Club local. A partir dos anos 1960, jovens valadarenses começaram a migrar em massa para Boston e outras cidades americanas, e as remessas em dólar aqueceram o comércio. A dinâmica migratória da região é tema de pesquisa acadêmica registrada no Repositório Institucional da UFJF, que aponta o município como um dos principais polos de emigração brasileira para os Estados Unidos.
O Ibituruna entrou nessa trajetória por outro caminho. O primeiro salto de asa-delta no pico aconteceu em 1977, pelo mineiro Emerson André Miranda Monteiro, e em 1983 nasceu o Clube Valadarense de Voo Livre. O lugar entrou no circuito internacional pouco depois, e a Confederação Brasileira de Voo Livre passou a tratar a cidade como referência mundial do esporte.

Vale a pena viver em Valadares?
Vale para quem busca uma cidade média com economia diversificada e contato direto com a natureza. O município funciona como o principal centro de comércio, saúde e educação para dezenas de cidades vizinhas do Vale do Rio Doce, segundo a Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais.
A estrutura combina o campus avançado da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a Universidade Vale do Rio Doce (Univale) e uma unidade do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG). Bairros como a Ilha dos Araújos, um dos poucos bairros-ilha do estado, oferecem calçadão arborizado à beira do rio para caminhadas e ciclismo. O custo de vida é competitivo frente a Belo Horizonte, e o deslocamento entre casa e trabalho costuma ser curto.
O destino aparece em estudos regionais como referência em serviços. A Fundação João Pinheiro aponta que a cidade concentra a maior parte da população da Região Geográfica Intermediária e responde por boa parte da atividade econômica do leste mineiro, sustentada principalmente pelo setor de serviços e pelo comércio de gemas.
O que fazer em Governador Valadares
O roteiro gira em torno do pico, do rio e das pedras preciosas, com programas que misturam aventura, história e contemplação. Entre os principais pontos da cidade, destacam-se:
- Pico da Ibituruna: monumento natural de 1.123 metros com rampa de voo livre, mirante panorâmico e trilhas, segundo a Secretaria de Turismo de Minas. Voos duplos de parapente são abertos a iniciantes.
- Ilha dos Araújos: maior ilha natural do Rio Doce, com calçadão de pedras portuguesas de 1,2 km, ciclovia, bares e restaurantes.
- Parque Natural Municipal: área de Mata Atlântica preservada na base do pico, com trilhas ecológicas e fauna nativa, gerida pela prefeitura local.
- Brazil Gem Show: feira internacional de gemas e minerais que reúne expositores e compradores do mundo todo, posicionando a cidade como um dos maiores centros gemológicos do Brasil.
- Museu da Cidade: fundado em 1983, reúne mais de 1.200 peças sobre a história da mineração, da ferrovia e da emigração valadarense.
- Deck Viva Valadares: mirante urbano com vista do Rio Doce, do pico e da área de pouso dos pilotos de voo livre.
Na mesa, a tradição mineira ganha um toque urbano, com restaurantes, queijarias e botecos espalhados pelo centro e pela ilha. Para provar o melhor do destino:
- Tutu de feijão e frango com quiabo: clássicos da culinária local servidos em restaurantes regionais espalhados pelo centro.
- Queijo Minas artesanal: produzido na região e protagonista de queijarias que combinam tábuas com vinhos e doces de leite.
- Carne de sol com mandioca: prato presente na vida noturna de bairros como o Lourdes, ponto tradicional de bares.
- Doces em calda e compotas: encerram refeições com sabores do Vale do Rio Doce, em especial figo, goiaba e leite.
- Mercado Municipal: parada para queijos frescos, cachaças, biscoitos e produtos da roça.
Quem quer descobrir os encantos do leste de Minas, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Viajando com Toledo, que conta com mais de 69 mil visualizações, onde Toledo mostra uma viagem inesquecível por Governador Valadares, Minas Gerais:
Qual o clima em Governador Valadares e a melhor época para visitar
A cidade fica em baixa altitude na área urbana, cerca de 170 metros, e por isso o calor é uma marca de quase todo o ano em Valadares. O inverno seco, entre maio e setembro, é o preferido pelos pilotos de parapente, e o verão concentra as chuvas mais fortes. Confira as médias por estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Capital Mundial do Voo Livre
O destino fica a cerca de 320 km de Belo Horizonte pela BR-116, em aproximadamente 4 horas de carro. Também há ligação por rodovia com Vitória, a cerca de 350 km, e com o Rio de Janeiro, pela mesma BR-116. De avião, o Aeroporto de Governador Valadares (GVR) recebe voos regionais. Quem prefere trilho pode chegar pela Estrada de Ferro Vitória a Minas, que mantém serviço de passageiros entre a capital capixaba e Belo Horizonte, passando pela cidade.
Vale subir o Ibituruna pelo menos uma vez
A combinação de pico tombado, rio caudaloso, comércio de pedras preciosas e história de emigração faz da cidade um pedaço incomum do interior mineiro. Poucos lugares no Brasil juntam adrenalina internacional e ritmo de capital regional no mesmo dia.
Você precisa conhecer Governador Valadares e subir o Ibituruna pelo menos uma vez para entender por que pilotos do mundo todo voltam ao leste de Minas atrás dessas térmicas.




