Uma máquina removia argila de uma pedreira inglesa quando pegadas de dinossauros começaram a aparecer no chão. O terreno de Oxfordshire guardava marcas com cerca de 166 milhões de anos. Os pesquisadores encontraram cinco trilhas extensas, capazes de mostrar como animais gigantes passaram por uma antiga região de lama.
O chão da pedreira revelou um caminho antigo
A descoberta ocorreu na pedreira Dewars Farm, em Oxfordshire, na Inglaterra. Um trabalhador percebeu elevações incomuns ao retirar argila e chamou a atenção para o local. Especialistas chegaram depois para investigar as marcas, preservadas em uma superfície que já foi lama de um ambiente jurássico.
Em junho de 2024, mais de cem participantes trabalharam na escavação. A Universidade de Oxford divulgou os resultados em janeiro de 2025: cerca de 200 pegadas documentadas, distribuídas em cinco trilhas principais, algumas com extensão muito maior que uma quadra.

Quais dinossauros deixaram essas marcas?
Quatro trilhas foram atribuídas a saurópodes de pescoço comprido, grandes herbívoros que caminhavam sobre quatro patas. Uma espécie possível é o Cetiosaurus, mas os pesquisadores não afirmam ter identificado cada animal individualmente. O tamanho e o formato das marcas ajudam na reconstrução do grupo.
A quinta trilha mostra pegadas de três dedos, associadas a um dinossauro carnívoro do tipo Megalosaurus. As marcas permitem distinguir o padrão de locomoção dos grupos. Ainda assim, uma pegada não é uma fotografia do animal: muitas espécies podem produzir rastros semelhantes.
O que as cinco trilhas revelam sobre os movimentos?
Uma das sequências tinha mais de 150 metros contínuos quando foi anunciada. As marcas ficaram preservadas porque a lama recebeu os pés dos animais e depois foi coberta por materiais que ajudaram a conservar sua forma. Hoje elas são estudadas como fósseis de atividade, não ossos.
- Tamanho: ajuda a estimar o porte do animal.
- Formato: sugere o tipo de pé e grupo.
- Passadas: indicam o modo como ele caminhava.
- Cruzamentos: mostram trajetos sobre a mesma superfície.
Esses sinais são estudados pela ciência dos fósseis de vestígios. Eles revelam ações de seres vivos, mesmo quando não há esqueletos no mesmo lugar. No entanto, trilhas cruzadas não provam encontro simultâneo: os dinossauros podem ter passado em momentos diferentes.
Uma lagoa antiga ajuda a explicar a conservação
Na época, a região tinha áreas úmidas próximas a uma lagoa. A lama recebia o peso dos pés, deformava-se e mantinha as marcas após o endurecimento do sedimento. O Museu de História Natural de Londres explica como esse ambiente ajudou a guardar rastros por milhões de anos.
Em algumas pegadas, pesquisadores enxergaram detalhes de como a lama cedeu quando o pé entrou e saiu. Essa deformação ajuda a estudar o peso e o movimento do animal. Não permite, porém, saber exatamente sua cor, idade ou se estava fugindo de outro dinossauro.

Como os cientistas registram pegadas tão grandes?
A equipe usou fotografias feitas por drones para montar modelos digitais em três dimensões. Isso permite medir distâncias entre as marcas e comparar formatos sem depender apenas de desenhos manuais. O registro detalhado é importante porque uma pedreira em atividade pode mudar durante o trabalho industrial.
Novas escavações ocorreram em 2025 e revelaram outras trilhas. Esses resultados são posteriores ao anúncio das cinco sequências de 2024, portanto não devem ser misturados na mesma contagem. Cada campanha acrescenta dados que podem alterar a compreensão do conjunto de pegadas.
As pegadas preservam uma cena sem contar tudo
O chão da pedreira funciona como um registro de deslocamentos de animais que viveram muito antes dos humanos. Rastros de herbívoros e carnívoros mostram que grupos diferentes passaram por aquela paisagem. O estudo das distâncias e das camadas permite propor explicações sobre seus movimentos.
O valor da descoberta está no que ficou gravado no solo e no cuidado para não ir além disso. Cinco trilhas não contam toda a história da vida jurássica, mas oferecem dados raros sobre como aqueles animais caminharam em um ambiente que deixou de existir.
Sua história pode virar reportagem
Conte por texto ou áudio — nomes e endereços viram fictícios antes de qualquer publicação.




