Mary Wollstonecraft criticou a educação que ensinava mulheres a agradar, mas limitava sua capacidade de pensar e decidir. Em 1792, a escritora inglesa defendeu o uso da razão e a formação intelectual feminina em A Vindication of the Rights of Woman, obra que antecipou debates sobre autonomia e direitos.
Uma crítica à educação feminina no século XVIII
Em 1792, Mary Wollstonecraft publicou uma obra contra a formação que valorizava boas maneiras e beleza acima do pensamento. Ela questionava por que meninas eram estimuladas a conquistar admiração enquanto meninos recebiam incentivo para desenvolver autonomia intelectual e senso crítico.
O livro, conhecido em português como Reivindicação dos direitos da mulher, integra a discussão histórica sobre direitos e educação das mulheres. A história da obra de Wollstonecraft ajuda a situar sua circulação e suas críticas ao ensino desigual.

Qual é a frase original de Wollstonecraft sobre autonomia?
No capítulo IV, após discutir uma afirmação de Jean-Jacques Rousseau sobre educar mulheres como homens, ela escreveu: “I do not wish them to have power over men; but over themselves.” A passagem está no texto original em inglês.
Em tradução livre, o sentido é que as mulheres deveriam ter poder sobre si mesmas, não dominar os homens. A frase responde diretamente a Rousseau: o objetivo da formação seria fortalecer a capacidade feminina de julgar e escolher com independência.
A razão era o centro da proposta de educação
Para a autora, a educação não deveria formar pessoas apenas para receber elogios ou agradar socialmente. A preocupação central era desenvolver raciocínio, caráter e responsabilidade, qualidades que ela entendia como humanas, e não como privilégios de apenas um sexo.
Essa defesa também tinha limites históricos. Wollstonecraft escreveu dentro das discussões do século XVIII e frequentemente relacionou formação intelectual à vida familiar e à cidadania. Por isso, sua obra precisa ser lida em seu contexto, sem atribuir a ela todas as pautas atuais.
O que ela criticava no ensino dado às meninas?
Na introdução, Wollstonecraft associa parte da desigualdade a um sistema de educação inadequado, que valorizava a aparência e a dependência. Seu argumento era que essa formação restringia oportunidades e depois fazia parecer natural a própria desigualdade que ajudara a produzir.
- Aparência: aprender a agradar não deveria ocupar o lugar do estudo e do pensamento independente.
- Raciocínio: meninas precisavam exercitar o entendimento, em vez de apenas seguir regras sem explicação.
- Autonomia: educação deveria permitir decisões próprias, inclusive diante da pressão de familiares e costumes.
- Responsabilidade: conhecimento e caráter eram vistos como bases para participar da vida social.
- Escola: a autora também propôs formas de ensino que reunissem meninos e meninas.
- Independência: aprender habilidades práticas ajudaria mulheres a não depender sempre de outras pessoas.
O contraste não era entre educação e vida em família, mas entre uma formação limitada pela aparência e outra capaz de desenvolver a pessoa. A diferença ajuda a compreender por que ela ligava o estudo feminino à igualdade de respeito.

O debate alcançou escolas e direitos sociais
Wollstonecraft não tratou apenas de ideias abstratas. No capítulo XII, defendeu escolas diurnas para diferentes idades, com ensino conjunto de meninos e meninas. A proposta aparece junto de preocupações com acesso, currículo e preparação para responsabilidades fora do ambiente doméstico.
A Enciclopédia de Filosofia de Stanford registra que seus escritos defendiam razão, formação e recursos para maior independência. Isso não significa que as mudanças tenham ocorrido imediatamente, mas mostra como sua reflexão articulava ensino, condição social e direitos.
Por que essa frase continua relevante?
A pergunta que atravessa o livro permanece clara: a educação oferece condições para que uma pessoa pense e decida por si ou apenas ensina a corresponder às expectativas dos outros? A resposta depende também de oportunidades reais, e não somente de orientações individuais.
Ao defender o desenvolvimento da razão, Mary Wollstonecraft contestou uma forma de ensino que reduzia mulheres à aprovação alheia. Seu argumento de 1792 continua importante para distinguir formação intelectual, autonomia e respeito, sem confundir sua época com a realidade de hoje.
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