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Técnica criada pela NASA ajuda a revelar cerca de 200 pinturas quase invisíveis nas paredes de Angkor Wat

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
01/10/2026
Em Curiosidades
O processamento das imagens tornou visíveis detalhes que praticamente desapareciam quando observados a olho nu

O processamento das imagens tornou visíveis detalhes que praticamente desapareciam quando observados a olho nu

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A técnica decorrelation stretch realçou cerca de 200 pinturas quase invisíveis nas paredes de Angkor Wat.↓ Ver no artigo
As imagens reveladas incluem barcos, animais, edifícios, cavaleiros, figuras humanas e cenas musicais com o conjunto pinpeat.↓ Ver no artigo
Entre 2010 e 2012, um arqueólogo fotografou traços vermelhos apagados que ganharam definição após processamento digital.↓ Ver no artigo

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Resumo da matéria
01
Pinturas quase invisíveis
Traços vermelhos e escuros nas paredes ficaram muito mais legíveis depois que fotografias foram processadas para ampliar diferenças sutis de cor.
Realce digital
02
Cerca de 200 imagens
O levantamento identificou pinturas espalhadas pelo complexo, incluindo barcos, animais, construções, figuras humanas e cenas musicais.
Angkor Wat
03
Tecnologia reaproveitada
O decorrelation stretch nasceu no processamento de imagens e ganhou uma nova função arqueológica ao revelar pigmentos difíceis de enxergar.
Da NASA

Paredes visitadas por milhares de pessoas escondiam imagens quase apagadas: a técnica da NASA chamada decorrelation stretch ajudou a realçar cerca de 200 pinturas em Angkor Wat. O método amplia diferenças de cor em fotografias digitais e tornou visíveis barcos, animais, edifícios, cavaleiros e cenas musicais.

Como pinturas tão grandes ficaram escondidas em Angkor Wat?

Muitas imagens de Angkor Wat estão tão desbotadas que parecem manchas comuns a olho nu. O pigmento ainda existe, mas séculos de desgaste reduziram o contraste entre a pintura e a superfície de pedra do templo.

Entre 2010 e 2012, um arqueólogo percebeu traços vermelhos quase apagados e começou a fotografá-los. Quando as imagens digitais receberam processamento específico, formas antes difíceis de distinguir ficaram claras o bastante para revelar cenas completas e ampliar muito o inventário conhecido.

As paredes guardavam muito mais figuras do que visitantes e pesquisadores conseguiam perceber diretamente

O que a técnica da NASA faz com as fotografias?

O método chamado decorrelation stretch não pinta novamente a parede. Ele trabalha com os valores de cor da fotografia e aumenta diferenças pequenas entre pixels, fazendo pigmentos muito parecidos com a pedra aparecerem separados em uma faixa visual mais ampla.

A pesquisa acadêmica sobre as imagens foi publicada por uma equipe ligada também à Australian National University. A análise situa muitas pinturas em uma fase posterior do templo, especialmente no século XVI, quando Angkor Wat já estava ligado ao budismo theravada.

Que tipos de cenas apareceram nas paredes?

As imagens reveladas incluem barcos, animais, edifícios e figuras humanas. Em uma câmara próxima ao alto da torre central, o processamento deixou visíveis cavaleiros e um conjunto musical tradicional cambojano, detalhes que visitantes poderiam atravessar diariamente sem perceber.

Algumas pinturas já eram parcialmente conhecidas, enquanto outras ficaram claras apenas depois do realce digital. A variedade importa porque mostra usos e olhares sobre o templo em épocas posteriores à construção original, acrescentando uma camada visual que não aparece nos famosos baixos-relevos de pedra.

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A seguir listamos cinco temas visuais que aparecem entre as pinturas identificadas no complexo:

  • Barcos: diferentes embarcações aparecem em paredes de várias áreas.
  • Animais: figuras zoomórficas surgem entre os pigmentos realçados.
  • Edifícios: algumas cenas registram formas arquitetônicas pintadas.
  • Pessoas: cavaleiros e outras figuras humanas ficaram mais legíveis.
  • Música: uma cena mostra um conjunto tradicional conhecido como pinpeat.

Leia também: Carga de ferro de 2.200 anos encontrada no Danúbio tinha material suficiente para fabricar cerca de 500 espadas

A tecnologia permite estudar pinturas delicadas sem precisar alterar fisicamente a superfície do templo

Como uma técnica de satélite chegou à arqueologia?

O decorrelation stretch foi desenvolvido no ambiente de processamento de imagens da NASA e aplicado a dados de sensoriamento remoto. Anos depois, Jon Harman percebeu que o mesmo princípio poderia separar pigmentos quase apagados em fotografias de arte rupestre e criou o DStretch.

Essa passagem de uma área para outra funciona porque o problema básico é parecido: diferenças de cor pequenas podem esconder informação importante. Em vez de procurar lava ou minerais em imagens remotas, arqueólogos passaram a usar a técnica para ampliar pigmentos sobreviventes em superfícies antigas.

A seguir listamos quatro etapas dessa adaptação que levaram a técnica do sensoriamento remoto até Angkor Wat:

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DADOS EM FOCO
Da imagem espacial à parede antiga
Tabela resume origem, adaptação e aplicação do decorrelation stretch em arqueologia.
Etapa Uso Resultado
NASA Imagens digitais Contrastes ampliados
DStretch Arte rupestre Pigmentos realçados
Fotografia Paredes antigas Traços separados
Angkor Wat Templo Pinturas identificadas

O que as pinturas acrescentam à história do templo?

Angkor Wat é conhecido principalmente pela arquitetura monumental e pelos baixos-relevos esculpidos. As pinturas acrescentam outro tipo de registro, mais discreto e posterior, que mostra cenas de embarcações, pessoas, animais e práticas culturais deixadas nas paredes ao longo do uso do complexo.

A descoberta também mostra que tecnologia moderna pode revelar informação sem remover a pintura. O pigmento continua frágil e quase invisível na parede, mas a fotografia processada permite documentar formas que estavam presentes havia séculos e que os olhos modernos já tinham dificuldade para separar da pedra.

Sua história pode virar reportagem

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Tags: Angkor WatarqueologiaNasapinturas

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