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Pingente de 15 mil anos foi confundido com dente de lobo por mais de um século até pesquisadores descobrirem que veio de uma foca

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
15/09/2026
Em Curiosidades
A identificação aceita durante décadas mudou depois que pesquisadores voltaram a examinar a pequena peça

A identificação aceita durante décadas mudou depois que pesquisadores voltaram a examinar a pequena peça

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Encontrado em 1867 na Kents Cavern, Devon, o pingente de 15 mil anos foi confundido por mais de um século com dente de lobo, texugo ou outro carnívoro.↓ Ver no artigo
Microscopia, digitalização 3D e microtomografia revelaram que o artefato é um pré-molar de foca-cinzenta de cerca de 12 anos.↓ Ver no artigo
A raiz afinada, o furo desgastado e o polimento indicam que o dente foi perfurado e usado por longo período como ornamento suspenso.↓ Ver no artigo

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Resumo da matéria
01
Descoberto em 1867
O dente perfurado apareceu nas escavações pioneiras de William Pengelly em Kents Cavern, no sudoeste da Inglaterra.
Achado antigo
02
Identidade mudou
Durante décadas, o artefato foi atribuído a animais terrestres, incluindo texugo e lobo, até a comparação com focas corrigir a identificação.
Reanálise
03
Objeto foi muito usado
Desgaste e polimento indicam que o dente ficou suspenso por cordão e provavelmente foi usado durante longo período.
Uso pessoal

Encontrado em 1867 numa caverna de Devon, um pingente de 15 mil anos passou mais de um século identificado como dente de animal terrestre. Novas análises mostraram que veio de uma foca-cinzenta, foi perfurado para cordão e provavelmente percorreu mais de 100 quilômetros desde a antiga costa até Kents Cavern.

Como um pingente de 15 mil anos ficou mal identificado por tanto tempo?

O artefato foi retirado de Kents Cavern, em Devon, durante escavações de William Pengelly em 1867. O dente perfurado acabou classificado ao longo do tempo como pertencente a texugo, lobo ou outro carnívoro terrestre.

O problema só começou a ser resolvido quando pesquisadores compararam forma, raiz e desgaste com coleções modernas. A correspondência apareceu numa foca-cinzenta de cerca de 12 anos, permitindo reconhecer que o objeto vinha de mamífero marinho e não de um predador terrestre.

Novas técnicas podem revelar detalhes que não estavam disponíveis quando objetos antigos foram catalogados

O que permitiu descobrir que o dente era de uma foca?

A análise descrita pela University College London usou microscopia de alta potência, digitalização 3D e microtomografia. Como a peça é rara e frágil, os métodos foram não destrutivos, evitando retirar amostras do dente.

As imagens mostraram que a raiz foi afinada e cuidadosamente perfurada. A identificação zoológica veio da comparação com dentes de mamíferos marinhos. O resultado revelou um pré-molar de foca-cinzenta, modificando mais de um século de classificação do artefato.

Por que os pesquisadores consideram a peça um pingente?

O Natural History Museum explica que o orifício apresenta desgaste compatível com cordão. A superfície está lisa e polida em grande parte, sinal de uso prolongado como ornamento suspenso, possivelmente no pescoço ou no braço.

O trabalho de perfuração também exigiu cuidado porque a raiz poderia se partir. Além de indicar habilidade, esse investimento sugere que o objeto tinha valor pessoal ou simbólico. Não é possível saber o significado exato, mas o desgaste mostra que ele não foi produzido e abandonado logo depois.

A seguir listamos quatro marcas físicas do pingente que ajudaram os pesquisadores a reconstruir sua fabricação e seu uso ao longo do tempo:

  • Raiz afinada: a base do dente foi reduzida antes da perfuração.
  • Furo: uma abertura cuidadosamente feita permitia passar um cordão.
  • Desgaste: a parte superior do furo ficou alterada pelo atrito repetido.
  • Polimento: a superfície lisa indica contato e manuseio por longo período.

Leia também: Pegada de gato descoberta em telha romana de quase 2 mil anos ficou marcada quando a argila ainda estava úmida

A verdadeira origem do material acrescenta novas perguntas sobre circulação, caça e escolha de adornos

Como um dente de foca chegou tão longe do litoral?

Há cerca de 15 mil anos, o nível do mar era mais baixo e a linha costeira ficava muito mais distante da caverna. Os pesquisadores estimam que a costa poderia estar a mais de 100 quilômetros, tornando a presença de material marinho no interior especialmente significativa.

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As possibilidades incluem viagem de longa distância, migração sazonal ou troca entre grupos. Nenhuma delas pode ser escolhida com certeza hoje. O pingente mostra movimento de pessoas ou objetos, mas não preserva o caminho específico usado para chegar até a caverna.

A seguir listamos quatro etapas conhecidas do pingente que resumem a trajetória desde o animal marinho até sua reidentificação moderna:

Logo EM Foco
DADOS EM FOCO
A longa história do pingente
Etapas conhecidas da trajetória arqueológica e científica do pingente.
Etapa Evidência O que revela
Origem Dente de foca-cinzenta Material marinho
Fabricação Raiz perfurada Uso como ornamento
Descoberta Escavação de 1867 Contexto arqueológico
Reanálise Imagem 3D e comparação Identificação correta

Por que essa reidentificação muda tanto o valor do objeto?

Quando era tratado apenas como dente de carnívoro, o artefato parecia menos informativo sobre mobilidade. Saber que veio de uma foca acrescenta distância geográfica, conexão costeira e paralelos europeus, porque ornamentos semelhantes são conhecidos em sítios magdalenianos da França e da Espanha.

O pingente de 15 mil anos mostra como coleções antigas ainda podem mudar com novas técnicas. Encontrado em 1867, ele precisou de microscopia, imagens tridimensionais e comparação zoológica moderna para contar outra história, transformando um dente mal classificado em evidência de viagem, troca e identidade pessoal.

Sua história pode virar reportagem

Conte por texto ou áudio — nomes e endereços viram fictícios antes de qualquer publicação.

Tags: arqueologiafocaPaleolíticopingente

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