No gelo de Digervarden, na Noruega, um esqui de 1.300 anos apareceu em 2014 ainda com parte da amarração. Sete anos depois, o recuo do gelo revelou outro exemplar a só cinco metros. A segunda peça media 1,87 metro e conservava couro e fibras de bétula, formando um par arqueológico excepcional no alto da montanha.
Como o primeiro esqui de 1.300 anos apareceu no gelo?
O primeiro esqui de 1.300 anos foi encontrado em 2014 na mancha de gelo de Digervarden, nas montanhas de Reinheimen, na Noruega. A peça tinha cerca de 1,72 metro e conservava parte da amarração, combinação muito rara entre esquis arqueológicos encontrados em gelo ou turfeiras.
Achados desse tipo ajudam a reconstruir a história do esqui como ferramenta de transporte, caça e deslocamento. O objeto de Digervarden chamou atenção porque a madeira não apareceu sozinha: elementos que prendiam o pé também tinham sobrevivido.

Por que os arqueólogos voltaram ao local sete anos depois?
A equipe monitorou o gelo durante anos porque havia chance de o segundo esqui estar próximo. Em 2021, imagens de satélite mostraram que a mancha de gelo havia recuado em relação a 2014. Um arqueólogo foi enviado novamente para verificar a área onde a primeira peça apareceu.
A busca funcionou. O segundo esqui estava apenas cinco metros distante do primeiro ponto, ainda preso ao gelo. Depois de uma tempestade e nova neve, uma equipe retornou com ferramentas e água morna para libertar a peça sem danificar madeira e amarrações preservadas.
O que o segundo esqui preservou depois de 1.300 anos?
A nova peça mede 1,87 metro de comprimento e 17 centímetros de largura. No apoio do pé, três fibras torcidas de bétula, uma tira de couro e um pino de madeira atravessavam o orifício da amarração. O conjunto mostra muito mais do sistema original do que o primeiro esqui.
Os dois objetos não são idênticos, o que é esperado em peças feitas à mão. O segundo é maior e melhor preservado, possivelmente porque ficou alguns metros mais para dentro do gelo. Marcas de reparo indicam uso prolongado, mostrando que não eram objetos cerimoniais novos abandonados no local.
A seguir listamos 5 detalhes preservados que permitem comparar os dois esquis e reconstruir melhor sua tecnologia:
- Comprimento: o segundo esqui mede 1,87 metro, 17 centímetros a mais que o primeiro.
- Largura: a nova peça chega a 17 centímetros, também um pouco mais larga.
- Fibras de bétula: três cordões torcidos atravessam o apoio do pé.
- Tira de couro: parte do sistema de fixação do calcanhar permaneceu junto ao esqui.
- Marcas de reparo: o apoio mostra que a peça foi usada e consertada antes de ser perdida.

Por que esse par é tão importante para a arqueologia do gelo?
Esquis antigos de madeira não são desconhecidos, mas amarrações completas são muito raras. Sem elas, é difícil entender como o pé ficava preso e como o equipamento era usado. O par de Digervarden conserva justamente esse detalhe, transformando duas tábuas antigas em um conjunto tecnológico muito mais informativo.
A Innlandet fylkeskommune confirma que o par de 1.300 anos foi encontrado em Digervarden, em Reinheimen. As peças hoje fazem parte do trabalho do programa regional de arqueologia glacial, que recupera objetos expostos pelo recuo do gelo.
A seguir listamos 3 razões arqueológicas que explicam por que um par com amarrações preservadas oferece muito mais informação que um esqui isolado:
| Característica | Primeiro esqui | Segundo esqui |
|---|---|---|
| Descoberta | 2014 | 2021 |
| Comprimento | Cerca de 1,70 metro | 1,87 metro |
| Amarração | Bétula e couro preservados | Três fibras de bétula, couro e pino |
Quem perdeu esses esquis no alto da montanha?
Essa pergunta continua sem resposta. O local contém vestígios ligados à caça de renas, mas a equipe também identificou montes de pedras que podem marcar uma antiga rota de montanha. O dono poderia ser caçador, viajante ou ambos, e nenhuma dessas possibilidades foi comprovada até agora.
O que se sabe é que os dois esquis foram usados juntos e terminaram no gelo há cerca de 1.300 anos. O reencontro, separado por sete anos e apenas cinco metros, mostra por que áreas congeladas são acompanhadas continuamente: quando o gelo recua, uma peça perdida pode reaparecer e completar uma história que parecia incompleta.
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