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Um pescador morreu com pelo menos 790 ferimentos há cerca de 3.000 anos e seu esqueleto preservou o ataque de tubarão mais antigo já documentado

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
03/09/2026
Em Entretenimento
A quantidade e a distribuição dos ferimentos ajudaram pesquisadores a reconstruir o que aconteceu

A quantidade e a distribuição dos ferimentos ajudaram pesquisadores a reconstruir o que aconteceu

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O pescador Jōmon, indivíduo 24 de Tsukumo, morreu entre 1370 e 1010 a.C. com pelo menos 790 lesões no esqueleto.↓ Ver no artigo
As marcas profundas e serrilhadas, concentradas no tronco e nos membros, indicam o ataque de um tubarão-tigre ou tubarão-branco.↓ Ver no artigo
A mão esquerda e a perna direita desapareceram; ferimentos na pelve e sinais de defesa sugerem que ele estava vivo no mar.↓ Ver no artigo

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Resumo da matéria
01
Ferimentos fora do comum
O esqueleto guardou centenas de cortes profundos e serrilhados, concentrados nos braços, nas pernas e na frente do tronco.
790 marcas
02
Ataque em águas profundas
A distribuição das mordidas, a mão ausente e a perda da perna indicam que o homem estava vivo durante o ataque.
No mar
03
Corpo recuperado depressa
O enterro preservou pequenos ossos e uma perna deslocada, sinal de que outras pessoas recolheram os restos pouco depois da morte.
Rito funerário

No Japão, um ataque de tubarão deixou pelo menos 790 marcas no esqueleto de um pescador Jōmon. A posição dos ferimentos indica que ele estava vivo no oceano, perdeu partes do corpo durante o ataque e foi rapidamente recuperado por companheiros antes de receber sepultamento no cemitério antigo da aldeia.

Como o ataque de tubarão ficou gravado nos ossos?

O homem, chamado de indivíduo número 24, foi encontrado no cemitério de conchas de Tsukumo, na região japonesa de Okayama. Ele pertencia à cultura Jōmon, formada por grupos que viviam de pesca, caça e coleta no arquipélago.

A datação por radiocarbono colocou a morte entre 1370 e 1010 a.C. O esqueleto apresentava pelo menos 790 lesões, muitas delas profundas e serrilhadas, espalhadas pelos braços, pelas pernas e pela parte da frente do peito e do abdômen.

O esqueleto preservou marcas que permaneceram legíveis mesmo depois de milhares de anos

Por que os ferimentos apontaram para um tubarão?

A forma das marcas afastou outras causas. Muitos cortes eram profundos, afiados e em V, enquanto as serrilhas não combinavam com as armas usadas naquela fase. Mordidas de animais terrestres e danos sofridos pelo osso depois do enterro também não explicavam o conjunto.

A concentração das lesões seguia um padrão conhecido em ataques de tubarão. As mordidas atingiram áreas com mais carne, enquanto o crânio e as vértebras ficaram livres de marcas. A análise indicou um possível tubarão-tigre ou tubarão-branco, ambos com dentes serrilhados.

O que o corpo revela sobre os últimos minutos?

A mão esquerda não foi encontrada, e a perna direita também faltava. Marcas de dentes apareceram na pelve, perto do ponto onde a perna se separou. Já a perna esquerda, muito ferida, foi colocada invertida sobre o corpo durante o enterro.

Os golpes maiores na parte inferior do corpo apontam para água funda. A perda da mão esquerda combina com um movimento de defesa contra um ataque vindo de baixo. Mordidas que alcançaram grandes vasos teriam causado desmaio e morte em poucos minutos.

A seguir listamos quatro sinais preservados que ajudam a reconstituir aqueles minutos:

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  • Mão esquerda ausente: provável ferimento de defesa durante o ataque.
  • Perna direita perdida: a pelve guardou marcas junto ao ponto de separação.
  • Mordidas sobrepostas: várias investidas atingiram as mesmas partes do corpo.
  • Grandes vasos atingidos: a perda de sangue teria sido rápida e fatal.
O caso oferece uma rara evidência direta de encontros perigosos entre humanos e tubarões no passado

Leia também: Uma impressão completa de mão ficou escondida sob uma peça funerária egípcia durante cerca de 4.000 anos

Quais pistas ajudaram a reconstruir o ataque?

As lesões foram colocadas em um mapa tridimensional do esqueleto. Isso mostrou onde as mordidas se acumulavam e permitiu comparar o caso com registros forenses modernos. Tomografias da tíbia e da pelve não localizaram dentes presos aos ossos.

O modo de vida também explica a presença do homem no mar. A descrição museológica dos Jōmon registra aldeias semipermanentes e alimentação obtida por coleta, caça e pesca, atividades ligadas aos montes de conchas onde muitos mortos foram enterrados.

A seguir listamos três pistas principais que ligam o esqueleto à reconstrução do ataque:

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DADOS EM FOCO
Pistas preservadas no esqueleto
Pistas do esqueleto de Tsukumo e o que elas indicam sobre o ataque de tubarão.
Pista Observação O que indica
Cortes serrilhados Pelo menos 790 lesões Dentes de tubarão
Membros ausentes Mão esquerda e perna direita Ataque violento no mar
Enterro preservado Perna esquerda sobre o corpo Recuperação rápida dos restos

O caso muda o que sabemos sobre o povo Jōmon?

O achado é a evidência direta mais antiga de um ataque de tubarão contra uma pessoa. Isso não significa que encontros fatais fossem comuns. O valor está na rara combinação de ossos preservados, registro do enterro e marcas que permitem reconstruir uma morte no mar.

Do cemitério de conchas ao mapa das mordidas, o caso mostra como um esqueleto pode guardar um acontecimento de três milênios atrás. Ele também revela cuidado coletivo: alguém trouxe o pescador de volta, reuniu o que restou e preparou seu corpo para o enterro.

Sua história pode virar reportagem

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Tags: arqueologiaJapãoJōmontubarão

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