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Seis tabuleiros gravados na rocha há quase 4.000 anos podem mudar a história de um dos jogos mais antigos do mundo

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
05/09/2026
Em Entretenimento
As marcas na pedra podem indicar que o passatempo já circulava por aquela região muito antes do imaginado

As marcas na pedra podem indicar que o passatempo já circulava por aquela região muito antes do imaginado

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Arqueólogos identificaram seis tabuleiros do jogo de 58 cavidades em sítios do Azerbaijão, datados do fim do 3º e início do 2º milênio a.C.↓ Ver no artigo
Os tabuleiros foram encontrados na Península de Abşeron e na Reserva de Gobustan, em contextos ligados a pastores da Idade do Bronze Média.↓ Ver no artigo
O jogo, conhecido como Cães e Chacais, tinha dois conjuntos de 29 espaços e provavelmente era disputado por dois participantes.↓ Ver no artigo

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Resumo da matéria
01
Seis padrões na pedra
Os arqueólogos reconheceram seis tabuleiros com a geometria típica do jogo de 58 cavidades em sítios do Azerbaijão.
seis tabuleiros
02
Pastores também jogavam
Parte dos exemplares está ligada a contextos usados por comunidades móveis de criadores de gado durante a Idade do Bronze Média.
vida cotidiana
03
Origem fica aberta
Os achados enfraquecem a ideia de que o jogo necessariamente surgiu no Egito, mas ainda não provam qual cultura o inventou.
origem debatida

No Azerbaijão, seis tabuleiros de 58 cavidades gravados em pedra mostram que um jogo conhecido no Egito já circulava pelo Cáucaso há quase 4.000 anos. As peças sumiram, mas o padrão dos buracos sobreviveu. O achado liga pastores a uma rede cultural ampla e reabre a discussão sobre onde esse jogo surgiu.

Que jogo aparece nesses seis tabuleiros gravados na rocha?

Os padrões correspondem ao jogo hoje chamado de Cães e Chacais ou jogo de 58 cavidades. O tabuleiro costuma ter dois conjuntos de 29 espaços, usados para receber peças em forma de pino que percorriam trajetos paralelos.

O nome antigo e as regras originais se perderam. O que permite reconhecer o jogo é a geometria das 58 cavidades, muitas vezes acompanhadas por linhas que ligam determinados pontos. No Azerbaijão, os arqueólogos encontraram esse padrão gravado em rochas e objetos de pedra.

O formato dos tabuleiros permite comparações com exemplares conhecidos em outros sítios antigos

Por que os tabuleiros do Azerbaijão são tão importantes?

O estudo de Walter Crist e Rahman Abdullayev reuniu seis exemplos na Península de Abşeron e na Reserva de Gobustan. As evidências arqueológicas colocam o jogo no final do terceiro e começo do segundo milênio a.C., quando comunidades de pastores ocupavam a costa do Cáspio.

A presença dos tabuleiros mostra que essas comunidades não estavam isoladas. O padrão aparece em regiões que incluem Egito, Mesopotâmia, Anatólia e Irã. Por isso, o jogo funciona como uma pista sobre trocas culturais de longa distância que atravessavam diferentes grupos sociais e econômicos.

Como funcionavam as 58 cavidades do jogo antigo?

O Metropolitan Museum of Art conserva tabuleiros egípcios com 58 furos e dois conjuntos de cinco peças. Os pesquisadores entendem que era um jogo de corrida para dois participantes, embora detalhes das regras tenham desaparecido.

Nos tabuleiros do Cáucaso, algumas linhas cruzam de uma trilha para outra, algo diferente de certos exemplares egípcios. Essas variações podem indicar regras locais transmitidas oralmente. O jogo, portanto, podia manter a estrutura básica enquanto sofria pequenas mudanças conforme passava de uma comunidade para outra.

A seguir listamos 4 características do jogo que permitem reconhecer os tabuleiros mesmo sem as peças originais:

  • 58 cavidades: o percurso é formado por dois conjuntos de 29 espaços.
  • Duas trilhas: a disposição sugere uma disputa entre dois participantes.
  • Linhas gravadas: alguns furos aparecem conectados, possivelmente indicando movimentos especiais.
  • Formato repetido: a geometria semelhante surge em regiões distantes do Egito ao Cáucaso.
Encontrar várias peças no mesmo local reforça a importância do jogo para quem passou por ali

Leia também: Caçadores chegaram a Malta há 8.500 anos depois de atravessar pelo menos 100 quilômetros de mar aberto em embarcações desconhecidas

Esses achados provam que o jogo não nasceu no Egito?

Ainda não. O artigo questiona a antiga impressão de que o primeiro aparecimento ocorreu no Egito e considera uma origem no sudoeste da Ásia mais plausível diante do novo conjunto. Porém, os próprios autores dizem que faltam exemplos antigos com datação precisa para apontar um inventor.

Isso acontece porque alguns tabuleiros conhecidos têm contexto incompleto ou datas amplas. Um exemplar muito antigo fora do Egito pode mudar a ordem conhecida, mas não basta para provar onde tudo começou. A descoberta do Azerbaijão torna a história da circulação do jogo mais complexa e menos centrada em um único lugar.

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A seguir listamos 3 cenários históricos que ajudam a entender por que a origem continua aberta mesmo com os novos tabuleiros:

Logo EM Foco
DADOS EM FOCO
O que mudou com os tabuleiros
Resumo do que os seis tabuleiros do Azerbaijão acrescentam à história do jogo
Evidência Interpretação Limite
Seis tabuleiros Jogo presente no Cáucaso na Idade do Bronze Não define sozinho a origem
58 cavidades Mesmo sistema básico visto em outras regiões Regras exatas continuam desconhecidas
Contexto pastoril Jogo circulava fora das elites urbanas Transmissão específica ainda é debatida

O que os seis tabuleiros revelam sobre os pastores da Idade do Bronze?

O achado mostra que jogos não pertenciam apenas a palácios ou tumbas de elite. Comunidades móveis de criadores de gado também participavam de uma cultura de jogos compartilhada, levando regras e práticas sociais por rotas de contato que ligavam o Cáucaso a regiões mais ao sul.

É essa combinação que torna os seis tabuleiros tão importantes. Eles não entregam a certidão de nascimento do jogo, mas mostram que Cães e Chacais já tinha alcance amplo há quase 4.000 anos. Cada novo tabuleiro datado pode mudar a sequência conhecida de transmissão e aproximar a arqueologia de sua origem real.

Sua história pode virar reportagem

Conte por texto ou áudio — nomes e endereços viram fictícios antes de qualquer publicação.

Tags: arqueologiaAzerbaijãobronzeJogos

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