Em Malta, vestígios de caçadores-coletores com 8.500 anos mudaram a data da primeira ocupação humana conhecida. Eles cruzaram pelo menos 100 quilômetros de mar aberto, provavelmente saindo da Sicília, e chegaram ao arquipélago cerca de mil anos antes dos primeiros agricultores, em plena Pré-História.
O que foi encontrado na caverna de Latnija?
A prova veio da caverna de Latnija, na região de Mellieħa, ao norte de Malta. Camadas escavadas guardavam ferramentas de pedra, pontos de fogueira e restos de alimentos cozidos, sinais diretos de pessoas vivendo no local.
Esses materiais registram ocupações de caçadores-coletores, grupos que obtinham comida sem depender de lavouras ou rebanhos. A presença não foi deduzida de um objeto isolado: diferentes vestígios apareceram juntos e permitiram ligar moradia, preparo de comida e uso de recursos locais.

Como os vestígios mudaram a pré-história de Malta?
Antes da escavação, a ocupação permanente das pequenas ilhas era associada à chegada de agricultores, por volta de 7.500 anos atrás. A nova cronologia empurrou esse começo para aproximadamente 8.500 anos, ampliando em cerca de um milênio a presença humana conhecida no arquipélago.
O estudo publicado na Nature reuniu datação, arqueologia, restos de animais e plantas. O conjunto indica ocupações entre cerca de 8.500 e 7.500 anos atrás, quando a forma das ilhas e o nível do mar já eram próximos dos atuais.
Como seria uma travessia de 100 quilômetros?
A rota mais curta partiria da Sicília, a massa de terra mais próxima. Com uma velocidade estimada em cerca de quatro quilômetros por hora, os viajantes precisariam passar muitas horas remando. Mesmo no dia mais longo do ano, parte do caminho ocorreria após o anoitecer.
Nenhuma embarcação foi preservada, por isso o tipo usado continua desconhecido. Uma hipótese é a canoa escavada em tronco, mas correntes, ventos, estrelas e pontos visíveis também teriam ajudado. O resultado mostra capacidade de planejar uma viagem para uma ilha pequena e distante.
A seguir listamos quatro desafios da travessia que precisavam ser vencidos durante o percurso:
- Distância longa: cerca de 100 quilômetros separavam a Sicília de Malta.
- Horas no escuro: nem o dia mais longo bastaria para completar a rota com luz.
- Ilha pequena: o destino oferecia uma faixa limitada para ser avistada.
- Recursos incertos: os viajantes precisavam encontrar água e alimento após chegar.

Leia também: Uma impressão completa de mão ficou escondida sob uma peça funerária egípcia durante cerca de 4.000 anos
Como esses grupos conseguiram viver na ilha?
A sobrevivência dependia de uma dieta muito variada. Nas fogueiras apareceram restos de cervos-vermelhos, tartarugas e aves, inclusive espécies grandes hoje extintas. Isso mostra que os habitantes exploravam diferentes ambientes terrestres em vez de depender de um único animal.
O mar completava a alimentação. Foram encontrados peixes, focas e milhares de moluscos, além de caranguejos e ouriços, todos com sinais de cozimento. Essa mistura de recursos ajudaria um grupo pequeno a permanecer em uma ilha com pouca área e oferta terrestre limitada.
A seguir listamos três grupos de achados que mostram como era a vida em Latnija:
| Grupo | Exemplos | O que revela |
|---|---|---|
| Atividades humanas | Ferramentas e fogueiras | Ocupação da caverna |
| Recursos terrestres | Cervos, aves e tartarugas | Caça e preparo de comida |
| Recursos marinhos | Peixes, moluscos e ouriços | Uso amplo do litoral |
Por que a descoberta importa para outras ilhas?
A viagem representa a mais longa travessia marítima conhecida entre caçadores-coletores no Mediterrâneo. Ela sugere que grupos anteriores à agricultura podiam manter contatos pelo mar e alcançar ilhas consideradas pequenas demais para sustentar pessoas com os meios disponíveis naquela época.
Ferramentas, fogueiras e comida formam uma resposta concreta: os caçadores de Malta não apenas chegaram, mas aprenderam a usar terra e mar durante séculos. A travessia amplia a imagem dessas comunidades, que planejavam rotas longas e viviam em ambientes isolados muito antes da agricultura.
Sua história pode virar reportagem
Conte por texto ou áudio — nomes e endereços viram fictícios antes de qualquer publicação.




