Existem cidades que dão nome a uma empresa e outras em que a empresa dá nome à cidade. Itaú de Minas, no sudoeste de Minas Gerais, é do segundo tipo: nasceu como um povoado chamado Córrego do Ferro, ligado à extração de calcário e ferro, e passou a se chamar como a cimenteira que se instalou ali. Quase noventa anos depois, a chaminé continua sendo o coração de um município que ainda vive daquilo que existe debaixo do próprio solo.
Como uma cimenteira acabou dando nome ao município
Pela ordem dos acontecimentos. Segundo a ficha histórica do município no acervo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a história do lugar se confunde com a da indústria de cimento, e o povoado de Itaú se formou em torno de uma estação com esse nome. O distrito de Itaú de Minas foi criado em 1943, ainda vinculado a Pratápolis.
A independência veio bem depois. A emancipação política aconteceu em 11 de setembro de 1987, conforme a Prefeitura Municipal de Itaú de Minas, o que faz do município um dos mais jovens do estado, apesar de a atividade industrial ali ser bem mais antiga que a própria cidade.

O que a jazida de calcário produz até hoje
Muito mais do que cimento. A ficha do IBGE registra que o município abriga a maior fábrica de cimento e cal da América Latina, apoiada em uma das jazidas de calcário mais importantes da região, hoje administradas pelo Grupo Votorantim.
Os números da unidade explicam o peso na economia local. A fábrica foi fundada em 1937 pela Companhia de Cimento Portland Itaú e incorporada pelo grupo na década de 1970, e tem capacidade instalada para 2,2 milhões de toneladas de cimento por ano, além de clínquer, argamassa, calcário agrícola e cal hidratada, conforme balanço divulgado pela Conexão Mineral, portal do setor mineral mineiro.
O que sobrou da fábrica antiga virou patrimônio
O conjunto original não foi demolido. As antigas instalações da Companhia de Cimento Portland Itaú, conhecidas como Conjunto Arquitetônico do CECOI, foram tombadas pelo município por meio do Decreto nº 529/2003, registrado no acervo do ipatrimônio com dados da Prefeitura Municipal.
É um caso raro de patrimônio industrial protegido no interior mineiro. Enquanto cidades históricas preservam igrejas e casarões coloniais, ali o que se decidiu guardar foi o centro comercial e industrial que organizou a vida dos operários e das famílias em torno da produção de cimento.
O que fazer e ver na cidade e no entorno
O município não é destino de turismo de massa, e o roteiro se apoia mais na rotina local e na paisagem do sudoeste mineiro. Confira abaixo o que costuma organizar a visita:
- Conjunto do CECOI: núcleo arquitetônico tombado da antiga cimenteira, no centro da cidade.
- Festa do Peão Boiadeiro: um dos eventos mais tradicionais do calendário local, que movimenta a economia no período seco.
- Paisagem do Córrego Tebas: a altitude do município varia de pouco mais de 700 metros até cerca de 1.095 metros na cabeceira do córrego.
- Passos: cidade vizinha e centro regional, a poucos quilômetros pela MG-050.
- Represa de Furnas: o lago artificial da região fica ao alcance de um bate-volta a partir das cidades do entorno.
- Comércio local: estrutura funcional de cidade pequena, com serviços concentrados em poucas quadras.
Quem chega percebe rápido o contraste. É uma cidade pequena, de rotina tranquila, sustentada por uma operação industrial de escala continental instalada logo ali ao lado.
Quem quer conhecer a história e os atrativos das cidades do interior mineiro, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rotas da Estrada, que conta com mais de 7 mil visualizações, onde Flaviana mostra as praças, a antiga estação ferroviária e os locais históricos de Itaú de Minas – MG:
Como o clima de Itaú de Minas se comporta ao longo do ano
O município fica no sudoeste mineiro, com verão quente e chuvoso e inverno bastante seco, padrão típico da transição entre cerrado e mata atlântica. A diferença entre as estações aparece sobretudo na chuva. Veja abaixo como o clima se distribui ao longo do ano:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. As condições variam bastante de um ano para outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale checar a previsão atualizada antes de viajar.
Como chegar a Itaú de Minas
São cerca de 334 km desde Belo Horizonte, segundo a Prefeitura, com acesso pela MG-050, entre Passos e São Sebastião do Paraíso, ou pela MG-344 para quem chega por Cássia. Quem monta um roteiro maior pelo interior costuma emendar com destinos do Sul de Minas, como a Capital Nacional do Milho, a cinco horas de BH.
Conheça a cidade que cresceu ao redor de uma chaminé
Itaú de Minas mostra o que acontece quando uma única indústria chega antes da cidade e permanece por gerações. O povoado mudou de nome, virou distrito, virou município e manteve a mesma base: o calcário que está debaixo dos pés.
Você precisa passar pelo sudoeste mineiro e conhecer Itaú de Minas, onde o patrimônio tombado não é uma igreja barroca, e sim o conjunto de uma fábrica de cimento.




