Existe um tipo de cidade que não cresceu por causa de estrada, mina ou fábrica, e sim por causa do que brota do próprio chão. É o caso de São Lourenço, encaixada na Serra da Mantiqueira, no sul de Minas Gerais, onde nove fontes de água mineral com composições diferentes couberam dentro de um mesmo parque. Essa herança rendeu ao município dois reconhecimentos que raramente aparecem juntos: o primeiro lugar nacional em qualidade de vida para quem envelhece e o selo de melhor água com gás natural do país.
Por que a cidade lidera o ranking nacional de longevidade
Pela combinação de saúde, segurança e perfil da população. Segundo a Prefeitura de São Lourenço, o município ficou em primeiro lugar entre 674 cidades médias brasileiras no Índice de Desenvolvimento Urbano para Longevidade (IDL), levantamento do Instituto de Longevidade que mede o quanto cada cidade está preparada para uma população mais velha.
O índice não é palpite: são 23 indicadores de economia, saúde e condições socioambientais, medidos a cada três anos. A cidade se destacou pela concentração de estabelecimentos de saúde, pela proporção de profissionais com nível superior e pelo baixo número de mortes por causas não naturais, como acidentes e violência.

O que faz a água daqui ganhar prêmio nacional
A gaseificação vem da própria rocha, não da fábrica. A Água São Lourenço é uma das raras brasileiras naturalmente gasosas, com o gás saindo direto da fonte, e recebeu o Selo Ouro do Paladar, do Estadão, como melhor água com gás natural do Brasil em teste às cegas com júri de sommeliers, conforme registrou o FoodBiz Brasil.
A origem comercial dessa água é antiga. Conforme o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA), a Companhia de Águas Minerais São Lourenço foi constituída em 1890, e a Fonte Oriente começou a ser captada em 1892, no mesmo ano da construção da ermida Bom Jesus do Monte, a edificação mais antiga do conjunto.

Como uma nascente achada em 1826 virou uma cidade inteira
Tudo começou com um caçador. Antônio Francisco Viana encontrou em 1826 uma nascente cristalina e naturalmente gasosa em terras da família, e a fama das propriedades atribuídas àquela água correu tão rápido que o lugar passou a ser chamado de Águas Santas do Viana, muito antes de existir município ali.
O parque que existe hoje consolidou essa vocação. O IEPHA registra que o conjunto integra o Circuito das Águas mineiro e representa o auge das cidades de banho no país, entre 1930 e 1945, quando o hábito europeu de viajar para beber água mineral chegou ao interior brasileiro com jardins, arquitetura e programação social. É a mesma tradição que aparece em vizinhas do circuito, como a cidade mineira das águas termais que nasceu dentro de uma cratera.
O que fazer na cidade das nove fontes
O parque funciona como centro da vida local, e as demais atrações se organizam a partir dele. Confira abaixo o que costuma estruturar o roteiro de quem chega, segundo o Circuito das Águas de Minas Gerais:
- Parque das Águas: as nove fontes, o balneário e o lago principal, com jardins, trilhas e áreas de descanso abertos diariamente.
- Centro de hidroterapia: espaço dentro do próprio parque onde as águas minerais são usadas em banhos e tratamentos, e não só bebidas.
- Trem das Águas: locomotiva a vapor dos anos 1920 que segue até Soledade de Minas pelas margens do Rio Verde.
- Mirante da Pedra Preta: ponto alto com vista da cidade cercada pelos morros da Mantiqueira.
- Passeios de balão: voos matinais que aproveitam o ar estável dos meses secos.
- Caminho Velho da Estrada Real: rota histórica que atravessa o município e ligava o sul mineiro ao litoral fluminense.
O ritmo da cidade explica boa parte do resultado no ranking de longevidade. É um lugar plano no centro, com calçadas movimentadas de manhã cedo, hotéis próximos ao parque e uma rotina construída em torno de caminhada, banho e conversa em praça.
Quem busca um roteiro fascinante pelo circuito das águas e das montanhas mineiras, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que conta com mais de 464 mil visualizações, onde Matheus Boa Sorte mostra a Maria Fumaça, o Parque das Águas e o café especial de São Lourenço – MG:
Como o clima de São Lourenço se comporta ao longo do ano
A altitude da Mantiqueira segura o calor mesmo no verão e derruba bastante a temperatura nas madrugadas de inverno. A diferença entre as estações aparece principalmente na chuva. Veja abaixo como o clima se distribui ao longo do ano:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. As condições variam bastante de um ano para outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale checar a previsão atualizada antes de viajar.
Como chegar a São Lourenço
São cerca de 390 km desde Belo Horizonte e aproximadamente 350 km desde São Paulo, com acesso pelas rodovias que saem da Rodovia Fernão Dias (BR-381) rumo ao circuito. Linhas rodoviárias regulares ligam a cidade às duas capitais e às vizinhas de águas, como Caxambu e Baependi.
Conheça a cidade que envelhece bem e engarrafa a própria fama
Poucos municípios brasileiros conseguem transformar geologia em qualidade de vida com essa clareza. Nove nascentes distintas em um mesmo parque sustentaram um século de turismo, uma marca de água conhecida no país inteiro e uma estrutura de saúde acima da média para o porte da cidade.
Você precisa subir a Mantiqueira e passar um fim de semana em São Lourenço, provando uma fonte por vez para sentir a diferença entre águas que brotam a poucos metros umas das outras.




