Toda cidade termal deve suas águas a alguma coisa que aconteceu no subsolo, mas poucas devem tanto quanto Araxá. O Complexo do Barreiro, endereço do hotel mais imponente do Alto Paranaíba, ocupa o centro de uma cratera de origem vulcânica que produziu as águas sulfurosas e os minérios da região. Hoje, o mesmo lugar recebe o principal encontro de queijos artesanais das Américas.
Por que as termas de Araxá ficam dentro de uma cratera?
A geologia veio antes do turismo. Segundo o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG), o Complexo Hidrotermal e Hoteleiro do Barreiro fica em torno do centro da grande cratera que forma a bacia do Barreiro, cuja formação geológica ligada a fenômenos vulcânicos deu origem às águas e aos minérios que determinaram a ocupação da região desde épocas remotas.
A exploração turística começou ainda no fim do século XIX, muito antes dos edifícios que hoje são cartão-postal. O conjunto se organiza em torno de um lago artificial, com as construções distribuídas ao redor dele, e foi tombado pela Constituição do Estado de Minas Gerais de 1989.

Quem projetou o Grande Hotel e as Termas de Araxá?
Os nomes por trás do conjunto explicam sua escala. O IEPHA registra que o projeto arquitetônico das Termas (1944) e do Grande Hotel (1945) foi coordenado por Luiz Signorelli, enquanto os parques e jardins, de 1944, tiveram concepção de Roberto Burle Marx, e a Fonte Andrade Júnior, de 1947, foi criada por Francisco Bologna.
Signorelli adotou o chamado estilo missões, corrente então em disseminação no Brasil, que abandonava os modelos europeus em favor de influências ecléticas vindas dos Estados Unidos. As edificações do hotel e das termas são inteiramente estruturadas em concreto armado, com pavilhões distribuídos ao longo de eixos longitudinais e articulados por circulação em dois pavimentos. O complexo guarda ainda a antiga Casa de Força, a Igreja de Nossa Senhora das Graças e a Capela de Jesus Crucificado, além do Lago Norte, à margem do qual o próprio arquiteto ergueu sua residência.

O que é a ExpoQueijo Brasil e por que ela acontece em Araxá?
É o principal evento do segmento nas Américas, e ele cabe dentro do Grande Hotel. Conforme a Prefeitura de Araxá, a edição de 2026 reuniu produtores, especialistas, jurados, empresários e visitantes de diversos estados brasileiros e de 19 países no complexo do Barreiro, ao longo de quatro dias.
O volume dá a dimensão. A expectativa era de que mais de oito toneladas de queijo circulassem pelo evento, entre as peças inscritas no Concurso Internacional de Queijos Artesanais e os itens vendidos na feira. A programação inclui fórum técnico, Cozinha Show, oficinas gastronômicas, degustações e apresentações musicais gratuitas na Vila Gastronômica.

O queijo de Araxá tem reconhecimento internacional?
Tem, e o mais alto que existe. Em 4 de dezembro de 2024, durante a 19ª sessão do comitê intergovernamental reunido em Assunção, os Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal foram incluídos na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, informa a UNESCO. Foi o primeiro bem cultural brasileiro ligado à cultura alimentar a receber o título.
Araxá entrou nessa história por uma porta específica. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) registrou o modo artesanal de fazer queijo de Minas em 2008, contemplando então Serro, Serra da Canastra e Serra do Salitre/Alto Paranaíba. Em 2021, o instituto alterou o título do bem e ampliou o território do registro, e Araxá foi uma das novas regiões reconhecidas.
O que mais visitar na cidade além do Barreiro?
O complexo termal concentra as atenções, mas a prefeitura tem apostado no entorno rural e na produção cultural local. Alguns roteiros nasceram justamente da vitrine que a ExpoQueijo criou.
- Roteiro das cachoeiras: a Secretaria Municipal de Turismo lançou um guia com QR Codes das cachoeiras do entorno de Araxá, criado para facilitar o acesso às informações e incentivar o turismo de natureza.
- Fundação Cultural Calmon Barreto: leva a eventos peças feitas no tear, além do próprio equipamento, mostrando o artesanato têxtil da cidade em funcionamento.
- Lago do Barreiro: o espelho d’água artificial em torno do qual todo o conjunto tombado foi organizado.
- Igreja de Nossa Senhora das Graças: uma das edificações históricas listadas pelo IEPHA dentro do complexo.
- Vila Gastronômica: montada durante a ExpoQueijo, com degustações e música gratuita.
Quem quer conhecer as águas termais de Araxá, vai curtir este vídeo do canal Físicos Turistas, com mais de 18 mil visualizações, que mostra atrações e banhos tradicionais da cidade:
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Como é o clima em Araxá durante o ano?
O inverno é a época mais seca, com noites frias e dias abertos, condição ideal para quem vem pelas termas. As chuvas se concentram no verão.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Conheça a cidade onde o queijo virou assunto internacional
Poucos lugares conseguem juntar um conjunto arquitetônico assinado por Burle Marx, águas que brotam de uma antiga cratera vulcânica e um produto rural que a UNESCO decidiu proteger. Em Araxá, essas três camadas ocupam o mesmo endereço, e o visitante atravessa todas elas numa caminhada.
Você precisa reservar alguns dias no Alto Paranaíba, provar o queijo na origem e conhecer a cidade que o mundo aprendeu a procurar no mapa. Roteiros e serviços atualizados estão no portal Visite Araxá.




