Cidades universitárias costumam viver no ritmo de quem chega para estudar e vai embora depois. Na Zona da Mata mineira, Viçosa fez o caminho oposto e reorganizou o próprio território em torno de uma escola de agricultura criada nos anos 1920, que virou uma das federais mais respeitadas do país e puxou consigo prédios, laboratórios, empresas e um colégio que lidera o ranking nacional do ensino público.
Por que a melhor escola pública do país fica numa cidade de 76 mil habitantes?
A resposta está dentro do campus. O Colégio de Aplicação (CAp-Coluni) funciona colado à estrutura da Universidade Federal de Viçosa (UFV), e esse convívio diário com o ambiente universitário aparece nos resultados. Conforme a UFV, o colégio conquistou pela 19ª vez desde 2006 o primeiro lugar entre as escolas públicas brasileiras no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com a edição de 2025.
O detalhe que dá dimensão ao feito é a companhia. Entre as 50 melhores colocadas do país no ranking geral, que mistura redes pública e privada, apenas duas são públicas: o CAp-Coluni, na 39ª posição nacional, e o Colégio Politécnico da Universidade Federal de Santa Maria. A raiz dessa engrenagem é antiga. A universidade nasceu como Escola Superior de Agricultura e Veterinária (ESAV), criada por decreto em 1922 e inaugurada em 28 de agosto de 1926 pelo viçosense Arthur Bernardes, então presidente da República, e só foi federalizada em 1969.

O que transformou a cidade na mais verticalizada de Minas Gerais?
A pressão por moradia perto do campus levantou prédios onde antes havia quintais. Segundo o levantamento do Censo 2022 divulgado pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), 41,6% dos moradores vivem em apartamentos, marca que coloca o município em sexto lugar no Brasil, à frente de Niterói e Florianópolis e atrás apenas de nomes como Santos, Balneário Camboriú e Vitória. Em todo o estado, nenhuma outra cidade chega perto.
Essa densidade não veio sozinha. O município soma 76.430 moradores pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e vem melhorando nos indicadores sociais. De acordo com o IPS Brasil, o Índice de Progresso Social que avalia 57 indicadores nos 5.570 municípios do país, a cidade alcançou 67,99 pontos na edição de 2026 e subiu para a 181ª posição nacional, contra a 428ª do ano anterior. O melhor desempenho veio nos fundamentos do bem-estar, puxado pelo acesso à informação e à comunicação.

Como o campus virou também um endereço de empresas de tecnologia
Do outro lado da cerca acadêmica funciona o tecnoPARQ, o parque tecnológico ligado à UFV. A área chama atenção pela proporção incomum: dos 214 hectares totais, 174 são de preservação ambiental, o que faz startups de biotecnologia e agricultura digital dividirem o mesmo endereço com remanescentes de mata.
O crescimento tem financiamento. Conforme a UFV, o parque foi contemplado com R$ 14,7 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com a meta de dobrar o número de empresas vinculadas e apoiar mais de 600 startups em cinco anos. É um roteiro parecido com o de outra cidade mineira, que virou o Vale do Silício brasileiro a partir de uma escola técnica, e reforça um padrão mineiro de ensino que vira economia.

O que visitar entre a Vila Gianetti e a mata atlântica preservada?
A cidade fica a cerca de 230 km de Belo Horizonte, com acesso rodoviário pela MG-262 e ligação com a região por linhas intermunicipais frequentes. Boa parte do que há para ver está a poucos minutos do centro, dentro ou ao redor do campus. Confira abaixo os pontos que resumem a cidade:
- Mata do Paraíso: reserva de Mata Atlântica administrada pela UFV, com trilhas, nascentes protegidas e Centro de Educação Ambiental, conforme o portal Minas Gerais.
- Museu de Zoologia João Moojen: acervo com mais de 20 mil peças na casa 32 da Vila Gianetti, de visita gratuita, segundo o Visite Museus.
- Santuário Santa Rita de Cássia: igreja da padroeira no centro histórico, com torre do relógio e vitrais coloridos.
- Parque do Cristo Redentor: mirante no alto do bairro Bela Vista, de onde se enxerga o desenho vertical da cidade inteira.
- Feira Livre: encontro semanal de produtores da Zona da Mata, ponto de queijos, doces e hortaliças da região.
Quem quer conhecer a famosa cidade universitária e terra do doce de leite em Minas Gerais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 156 mil visualizações, onde Tati Marmon mostra as atrações, o comércio e a vida de Viçosa – MG:
Como é o clima de Viçosa ao longo do ano?
O município fica em terreno acidentado e alterna um verão úmido e chuvoso com um inverno seco e ameno, sem extremos. Veja abaixo o comportamento das médias em Viçosa durante o ano:
Médias aproximadas com base no Climatempo. As condições podem variar de um ano para outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale checar a previsão atualizada antes de viajar.
Uma cidade que aprendeu a crescer para cima e para dentro
Poucos municípios brasileiros desse tamanho reúnem uma universidade centenária, o colégio público mais premiado do Enem e um parque tecnológico cercado de mata preservada no mesmo raio de caminhada. O resultado é uma cidade jovem, densa e verde ao mesmo tempo, que cresceu sem precisar se espalhar pelo vale.
Você precisa subir até o mirante do Cristo Redentor ao entardecer e entender, de uma só vez, por que a Zona da Mata guarda a cidade mais vertical de Minas.




