As colunas de pedra que crescem dentro de uma caverna levam milhares de anos para se formar, gota a gota, e quase nunca nascem em pares iguais. É exatamente isso que existe no subsolo de Sete Lagoas, no centro de Minas Gerais: duas colunas redondas, quase idênticas, num salão a poucos metros da BR-040. A cidade conhecida pelas lagoas espalhadas pela área urbana guarda, logo abaixo do asfalto, um dos conjuntos de pedra mais raros do país.
O que torna as Colunas Gêmeas da Gruta Rei do Mato tão raras
São duas colunas lado a lado, redondas e com altura estimada entre 12,5 e 13 metros, no chamado Salão das Raridades. Segundo o Circuito das Grutas, programa turístico que reúne as principais cavernas mineiras, as formações têm diâmetro entre 25 e 30 centímetros e são consideradas únicas no mundo inteiro pela simetria com que se desenvolveram.
A caverna que as abriga também impressiona pelo tamanho. Conforme o Instituto Estadual de Florestas (IEF), a Gruta Rei do Mato tem 998 metros de extensão, dos quais 220 metros abertos ao público por passarelas e escadarias, e está entre as 50 maiores cavernas de Minas Gerais pela Sociedade Brasileira de Espeleologia. Os salões chegam a desníveis de cerca de 30 metros.

Por que um naturalista dinamarquês explorou essas cavernas em 1840
A resposta está nos fósseis. Peter Wilhelm Lund, considerado o pai da paleontologia brasileira, começou a estudar a região no século XIX atrás de ossadas de animais extintos, e a área ficou conhecida como Carste de Lagoa Santa, um terreno de calcário onde a água dissolve a rocha e abre paredões, poços e túneis subterrâneos. O primeiro mapeamento documentado da gruta só viria bem depois, em 1973.
Hoje a caverna é uma unidade de conservação de proteção integral gerida pelo IEF e integra a Rota das Grutas Peter Lund, circuito criado pelo Governo de Minas que reúne também a Gruta da Lapinha, em Lagoa Santa, e a Gruta de Maquiné, em Cordisburgo. Ao lado da entrada principal fica a Grutinha, sítio arqueológico com pinturas rupestres de cerca de 6 mil anos, feitas com pigmentos de origem animal e vegetal.

Onde ficam as lagoas que deram nome à cidade
O município nasceu cercado de lagoas em cima desse mesmo terreno de calcário, e boa parte delas virou área de lazer urbana. Confira abaixo os principais pontos indicados pelo portal oficial de turismo de Minas Gerais:
- Lagoa Paulino: a principal do conjunto, no centro, com orla movimentada por bares e vista para a serra que fecha o horizonte da cidade.
- Lagoa José Félix: a maior das sete oficiais, conhecida como Lagoa do Náutico e a única onde a pesca é permitida, conforme a Secretaria de Estado de Turismo.
- Serra de Santa Helena: morro de calcário a 7 km do centro, cerca de 400 metros acima da cidade, com a igrejinha no alto e vista das serras do Curral e da Piedade.
- Parque da Cascata: 295 hectares no alto da serra, com represa, praia artificial, trilhas e uma queda d’água ao fim do percurso.
- Embrapa Milho e Sorgo: centro de pesquisa federal implantado em 1976 em uma área de mais de 1.900 hectares, aberto a visitas técnicas e escolares.
- Museu Ferroviário: acervo que preserva a memória dos trilhos que estruturaram o crescimento urbano da região.
Vale reservar tempo para o Mercadão e para as feiras de bairro, onde a cozinha mineira aparece em versão simples, com queijo, pequi e doces de tacho. É o contraponto perfeito a uma manhã dentro da gruta.
Quem quer conhecer as atracões históricas e os cartões-postais no interior mineiro, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Vou na Frente, que conta com mais de 13 mil visualizações, onde o apresentador mostra a Serra de Santa Helena, a Lagoa Paulino e o Museu do Zacarias em Sete Lagoas – MG:
Como o clima de Sete Lagoas se comporta ao longo do ano
A cidade fica em torno de 700 metros de altitude e tem duas estações bem marcadas, com verão chuvoso e inverno praticamente seco. A diferença entre os meses aparece muito mais na chuva do que na temperatura. Veja abaixo como o clima se distribui ao longo do ano:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. As condições variam bastante de um ano para outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale checar a previsão atualizada antes de viajar.
Como chegar à cidade e à gruta
São cerca de 70 km desde Belo Horizonte pela BR-040, com a entrada da gruta praticamente à beira da rodovia, no trevo de acesso ao município. O Aeroporto Internacional de Confins fica a aproximadamente 40 km, o que facilita para quem chega de fora do estado e quer emendar o roteiro com outros destinos próximos, como o vilarejo mineiro que nasceu do ouro a 113 km de BH.
Conheça a cidade que guarda um tesouro geológico embaixo da rodovia
Poucos destinos brasileiros oferecem um contraste tão imediato: lagoas urbanas, uma serra com mirante e, a poucos minutos dali, um salão subterrâneo com formações que a ciência considera sem paralelo no planeta.
Você precisa reservar um fim de semana em Sete Lagoas, subir a Serra de Santa Helena pela manhã e descer os 220 metros visitáveis da Gruta Rei do Mato para ver as Colunas Gêmeas de perto.




