Cidade pequena com indústria gigante costuma pagar caro pela conta: fumaça, trânsito pesado e pouco verde sobrando. Ouro Branco, na região central de Minas Gerais, escapa desse retrato. Ao lado da maior usina siderúrgica do maior grupo brasileiro de aço, a cidade mantém uma serra inteira transformada em parque estadual, trilhas da Estrada Real e um centro histórico setecentista intacto.
Por que a maior usina da Gerdau no mundo fica em uma cidade do interior?
Por causa da posição no meio do minério, do calcário e das rodovias que ligam Minas ao litoral. Segundo a Agência Minas, a planta local tem capacidade anual de 4,5 milhões de toneladas e responde por 12% de todo o aço produzido no Brasil, sendo a maior unidade produtora da empresa no mundo.
A escala física impressiona tanto quanto a produtiva. A operação ocupa 10 milhões de metros quadrados, área que inclui 5 mil hectares de mata preservada, e opera com dois altos-fornos que abastecem setores como construção civil, automotivo, agropecuário, naval, ferroviário e de energia. Em termos práticos, cada vergalhão ou bobina que sai daqui equivale a uma fatia de um em cada oito quilos de aço fabricados no país.
O que muda na cidade com R$ 1,5 bilhão em obras?
Emprego durante a construção e mais capacidade instalada depois dela. Conforme a mesma fonte do Governo de Minas, a ampliação do laminador de bobinas a quente recebeu R$ 1,5 bilhão, gerou mais de 2,5 mil empregos na região durante as obras e elevou a produção anual desse item em 250 mil toneladas, chegando a 1,1 milhão de toneladas.
O aporte faz parte de um pacote maior. O plano da companhia prevê R$ 6 bilhões para modernizar e expandir operações no estado, e entre 2019 e 2024 a empresa formalizou cerca de R$ 5 bilhões em projetos junto à Invest Minas, distribuídos entre Ouro Branco, Ouro Preto e Congonhas. Esse ciclo de investimento industrial concentrado em cidades médias aparece também em outros municípios mineiros que se especializaram em um único setor.
Quanta gente vive do aço na região?
Cerca de 10 mil pessoas circulam diariamente pela planta, entre funcionários próprios e de empresas parceiras, a maioria morando em Ouro Branco, Conselheiro Lafaiete e Congonhas, conforme a Gerdau.
O acúmulo de produção dá a dimensão do tempo. A usina entrou em operação em 1986, já ultrapassou 110 milhões de toneladas de aço bruto produzidas e exporta para dezenas de países. Para uma cidade de porte pequeno, isso significa arrecadação alta, rede de fornecedores instalada no entorno e uma oferta de qualificação técnica que costuma faltar no interior.
O que a cidade oferece fora do horário da usina?
Serra, trilha e barroco, tudo em raio curto. O Instituto Estadual de Florestas (IEF) informa que o parque estadual que abraça o município protege campos rupestres e o manancial que abastece a cidade, com entrada gratuita e trilhas autoguiadas. Confira o que vale a visita:
- Trilha do Topo da Serra: sobe até o platô e abre vista para o vale, para a usina e para as cidades históricas vizinhas.
- Trilha da Canela de Ema: percurso curto entre a vegetação típica de altitude, boa opção para quem viaja com crianças.
- Poço do Córrego da Colônia: ponto de banho dentro da unidade de conservação, em água corrente e fria.
- Igreja Matriz de Santo Antônio: templo setecentista no centro, com altares dourados e forro pintado, reaberto após um longo restauro.
- Distrito de Itatiaia: antigo arraial com casario colonial e clima de vila rural a poucos quilômetros da sede.
Chegar é direto: cerca de 100 km de Belo Horizonte pela BR-040 até Congonhas, seguindo pela MG-443.
Quem quer conhecer uma cidade entre serras e grandes indústrias, vai curtir esse vídeo do canal Naeco, com mais de 10 mil visualizações, que apresenta Ouro Branco:
Como é o clima de Ouro Branco ao longo do ano?
A altitude da serra segura o calor e deixa o inverno seco, com manhãs frias e céu aberto. Veja o que esperar em cada estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Conheça a cidade onde o aço e a serra dividem o mesmo horizonte
Poucos municípios brasileiros equilibram dessa forma dois extremos: de um lado, altos-fornos que sustentam parte da construção civil do país; de outro, um parque estadual com nascentes protegidas e caminhos de tropeiro ainda visíveis no chão.
Você precisa passar um fim de semana em Ouro Branco, subir a serra pela manhã e descer para o centro histórico à tarde, para entender como uma cidade pequena aprendeu a viver com uma indústria desse tamanho.




