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Ao guardar a bicicleta à noite, Cristiane, entregadora de aplicativos de 29 anos, recebeu às 21h40 um SMS sobre restituição, clicou no link, informou 3 dados pessoais, avisou a Anatel e só depois soube, pela Receita Federal, que restituição não pede dado de cartão

João Victor Por João Victor
04/08/2026
Em Notícias
Entregadora com mochila vermelha e jaqueta com faixas refletivas consulta o celular à noite, ao lado de uma bicicleta e de um portão, em cena que remete a golpe por SMS sobre restituição.

A entregadora confere o celular ao fim do expediente, em um momento que ilustra o risco de mensagens enganosas sobre restituição e pedido de dados pessoais. Imagen generada por IA.

EM RESUMO
✓A Receita Federal não envia links de restituição do Imposto de Renda por SMS, WhatsApp ou redes sociais.
✓O pagamento de restituições ocorre exclusivamente na conta bancária ou chave Pix (CPF) indicada na declaração oficial.
✓Sites oficiais do governo federal utilizam obrigatoriamente a extensão “.gov.br”, diferindo de domínios comerciais.
✓A solicitação de dados do cartão de crédito é o principal sinal de alerta para tentativas de fraude financeira.
✓Em caso de vazamento de dados, recomenda-se avisar o banco, trocar senhas vinculadas ao CPF e registrar BO.

“Sua restituição do Imposto de Renda está disponível. Clique no link abaixo antes que o prazo expire.” A mensagem chegou por SMS às 21h40, bem na hora em que Cristiane, entregadora de aplicativos de 29 anos, guardava a bicicleta em Belo Horizonte depois do último pedido da noite. Cansada, com o polegar quase automático, ela tocou no link sem pensar duas vezes.

A página que abriu parecia o site da Receita Federal — mesma combinação de cores, mesmo tipo de letra, um brasão no topo. Pedia CPF, data de nascimento e número do título de eleitor e, na etapa seguinte, os dados do cartão bancário “para depósito imediato da restituição”. Ela preencheu os 3 primeiros campos antes de parar: por que um órgão público pediria dados do cartão para devolver um dinheiro que já sairia direto na conta cadastrada na declaração?

Fechou o aplicativo, mas a dúvida ficou. No dia seguinte, decidiu conferir o link que havia clicado — e percebeu que o endereço não terminava em “gov.br”, como todo site oficial do governo federal. Terminava em uma sequência de letras aleatórias, seguida de “.com”. Era tarde para não ter clicado, mas ainda dava tempo de agir.

Ela contou o episódio para um colega de trabalho no dia seguinte, ainda sem saber se deveria se preocupar. O colega lembrou de ter recebido mensagem parecida meses antes, também prometendo valores a receber, também com prazo curto, também pedindo dados que nenhuma restituição de verdade exigiria. A coincidência a fez perceber que não tinha sido alvo de um golpe isolado, e sim de uma abordagem repetida, aplicada em massa, testando quem clicava sem parar para conferir.

Por que a pressa é a parte mais importante do golpe

Página com aparência oficial, alerta de urgência e pedido de dados bancários exige verificação antes de qualquer ação.

Mensagens falsas sobre restituição, bloqueio de CPF ou dívidas com a Receita quase sempre usam um prazo curtíssimo — “hoje”, “em 24 horas”, “antes que expire” — porque o objetivo é impedir que a pessoa pare para conferir. A pressa afasta o senso crítico que normalmente faria alguém reparar num detalhe simples: nenhum órgão federal cobra tributo ou libera restituição por link enviado em SMS, WhatsApp ou redes sociais. A Receita Federal também não solicita reconhecimento facial, foto de documento ou senha de aplicativo bancário para liberar valores — qualquer pedido nesse sentido já é, por si só, motivo para desconfiar e interromper o processo.

LeiaTambém

Mulher sentada à mesa da cozinha preenche um formulário de dados cadastrais e bancários em um notebook, com celular, documentos, caderno e xícara ao lado.

Aos 43 anos, Cristiane, contribuinte em dia com o Fisco, recebeu na cozinha um e-mail com o brasão da Receita Federal prometendo regularizar em 2 minutos, digitou dados que o Banco Central recomenda proteger, e só no portal oficial descobriu, 4 dias depois, que a pendência não existia

04/08/2026
Mulher sentada em uma loja observa o celular com expressão preocupada enquanto segura uma carteira; ao lado, aparecem símbolos luminosos de alerta, encomenda e QR Code, representando uma possível cobrança fraudulenta por mensagem.

Aos 29 anos, Juliana, vendedora, esperava há 3 semanas uma encomenda quando um SMS cobrou taxa em menos de 24 horas, quase digitou os dados do cartão, mas parou, pesquisou e só depois entendeu, com a Receita Federal e o Banco Central, que taxa de importação não é cobrada por link

04/08/2026
Homem idoso de óculos demonstra preocupação enquanto observa um celular sobre a mesa da cozinha, ao lado de um cartão bancário, contas impressas e uma caneca.

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Como conferir se o endereço é realmente oficial

Todo site do governo federal termina em “gov.br” — não em “.com”, “.net” ou variações parecidas. Antes de clicar em qualquer link recebido por mensagem, vale abrir o navegador separadamente e digitar o endereço oficial, em vez de seguir o atalho enviado. A Receita Federal mantém uma página própria só para explicar os golpes mais comuns que usam o nome do órgão, incluindo os que chegam por link, aplicativo e até carta física.

Sinais que costumam aparecer juntos

  • pedido de dados bancários para “receber” um valor que a própria pessoa nem sabia que tinha direito;
  • erros de português ou formatação diferente do site oficial;
  • número de telefone ou remetente que não corresponde a nenhum canal já conhecido;
  • insistência para que a resposta seja imediata.

O que fazer depois de informar dados por engano

Se dados como CPF, data de nascimento ou número de cartão já foram informados, o primeiro passo é entrar em contato com o banco para monitorar ou bloquear movimentações suspeitas. Vale também acessar os canais oficiais da Receita Federal para confirmar a situação da declaração e verificar se existe algum registro de tentativa de golpe em nome do contribuinte. Guardar prints da mensagem, do link e da página falsa ajuda caso seja necessário registrar um boletim de ocorrência depois. Se algum valor chegou a ser pago — por boleto ou Pix apresentado como “taxa” para liberar a restituição —, vale lembrar que a Receita não cobra taxa alguma para restituir imposto de renda, e esse pagamento também deve constar no relato feito à polícia e ao banco.

Plano de Ação: O que fazer de acordo com o seu caso
Se você recebeu uma mensagem suspeita sobre restituição, selecione até qual etapa você avançou para ver os procedimentos de proteção recomendados.
Selecione o seu nível de exposição:
Procedimentos Recomendados (Nível 1)
✓Bloqueie o remetente: Utilize a opção de bloquear número/contato diretamente nas configurações de SMS ou aplicativo.
✓Denuncie a linha: Encaminhe a mensagem recebida para o serviço de denúncias de spam da sua operadora (SMS para o número 7726 no Brasil).
✓Não compartilhe o link: Evite reenviar o endereço para terceiros para evitar cliques acidentais.
Nota de segurança e fonte: Diretrizes elaboradas com base nas orientações do Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br) e Receita Federal.

O número que enviou o SMS pode ainda ser denunciado à Anatel, que recebe reclamações sobre uso indevido de linhas telefônicas para golpe e spam.

Quando vale desconfiar mesmo de mensagens “oficiais”

Mulher reúne documentos e pesquisa informações no computador para conferir uma cobrança e registrar as evidências.

A entregadora só percebeu o problema porque parou para pensar num detalhe pequeno: o pedido de dados do cartão. Isso mostra por que vale desconfiar até de mensagens com aparência cuidada, principalmente quando pedem informações que um órgão público já teria, ou quando o link foge do padrão gov.br. Um alerta parecido apareceu recentemente em outra reportagem sobre uma mensagem falsa envolvendo bancos, que também usava urgência e identidade visual conhecida. O padrão se repete porque funciona: quem recebe a mensagem no fim de um dia cansativo, no meio de outras notificações do celular, tende a reagir por hábito, não por análise — e é justamente esse automatismo que o golpe explora.

Passados alguns dias, ela decidiu revisar as configurações de segurança do próprio celular e trocar as senhas dos aplicativos que usavam o CPF como login, mesmo sem ter informado dados bancários completos. Não era garantia de que nada aconteceria, mas reduzia o risco de que os poucos dados já expostos fossem reaproveitados em outra tentativa de fraude.

Uma história como esta, embora hipotética, mostra o que fazer quando uma cobrança ou restituição chega por link, SMS ou aplicativo: não pagar nem informar dados; acessar a Receita por endereço oficial e registrar o incidente se houve exposição. Cada caso tem particularidades que merecem checagem direta nos canais oficiais antes de qualquer decisão.

Tags: dados pessoaisgolpeImposto de RendaPhishingreceita federalrestituição

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