Boa parte do guarda-roupa vendido em Minas Gerais nasce a pouco mais de 100 km de Belo Horizonte, em uma cidade que quase ninguém associa à passarela. Divinópolis, a Princesinha do Oeste, concentra o segundo maior número de confecções do estado e transformou a costura em identidade econômica. No alto de um morro do município, uma estrutura metálica de quase 74 metros cresce para completar um conjunto religioso que começou no Líbano.
Como uma cidade do interior virou a segunda maior em confecções de Minas?
Somando fábricas grandes, oficinas de costura e fornecedores. Segundo a Prefeitura de Divinópolis, com dados do Sindicato da Indústria do Vestuário de Divinópolis (Sinvesd), o município reúne mais de 2.550 empresas ativas no setor, entre elas cerca de 500 indústrias formais, que produzem aproximadamente 19 milhões de peças por ano.
A comparação com outras cidades explica o peso. Levantamento do Sebrae com base em dados da Receita Federal de 2024 mostra que Divinópolis supera Uberlândia, com 1.249 empresas de confecção, Juiz de Fora, com 1.225, e Contagem, com 1.120, ficando atrás apenas de Belo Horizonte e seus 4.024 negócios do ramo. O apelido de Capital Mineira da Moda vem daí.

O que a ferrovia tem a ver com as fábricas de roupa?
Tudo, porque foi o trilho que trouxe a indústria. A cidade cresceu entre os rios Itapecerica e Pará, e a chegada da estrada de ferro no fim do século XIX atraiu primeiro as siderúrgicas, que fixaram a cultura do trabalho fabril na região.
Conforme a Prefeitura de Divinópolis, o município se destaca hoje no vestuário e no setor siderúrgico e metalúrgico, além de ter papel estratégico na logística regional e de funcionar como cidade universitária. A costura veio depois do metal, mas encontrou mão de obra já acostumada à linha de produção.

Por que uma cruz de quase 74 metros está sendo erguida em um morro?
Para fechar um conjunto religioso espalhado por três continentes. De acordo com a Associação Terra de Deus, a Cruz de Todos os Povos começou a ser construída em 2017 no Morro da Gurita, no distrito de Santo Antônio dos Campos, e segue o modelo de outras duas já instaladas no Líbano e no México.
Cada uma representa uma pessoa da Trindade, e a mineira ficou com o Espírito Santo, padroeiro que deu nome à cidade. A Prefeitura de Divinópolis registrou o lançamento da pedra fundamental no morro, que fica a 875 metros acima do nível do mar. A obra ainda não foi concluída, mas o ponto já atrai moradores que sobem a estrada de terra para ver a estrutura e o pôr do sol.

O que fazer na cidade além de comprar roupa
O roteiro urbano é curto e mistura compras, memória ferroviária e comida mineira. Confira abaixo os principais programas:
- Rua Goiás: corredor de lojas de pronta entrega que atrai compradores de outros estados durante a semana inteira.
- Semana da Moda: evento organizado pela prefeitura em parceria com o Sebrae e o sindicato do setor, com desfiles e vitrines abertas.
- Festa da Moda: celebração ao ar livre que encerra a semana, com desfile das confecções locais e praça gastronômica.
- Morro da Gurita: ponto mais alto do município, onde a cruz está sendo montada, procurado para fotos no fim da tarde.
- Estação Ferroviária: construção que lembra o período em que o trem definiu o traçado e a economia da cidade.
- Cozinha mineira: frango com quiabo, tutu de feijão e doces de tacho servidos nos restaurantes do centro.
Quem quer conhecer a Capital Mineira da Moda, vai curtir esse vídeo do canal Pelos Quatro Ventos, com mais de 30 mil visualizações, que percorre as ruas e atrações de Divinópolis:
Qual é o comportamento do clima ao longo do ano?
O clima tropical de altitude divide o calendário em um verão quente e chuvoso e um inverno seco de manhãs frias. Veja abaixo o que esperar de cada estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
A cidade que troca aço por tecido sem perder o ritmo
Divinópolis construiu duas economias sobre a mesma base: primeiro o metal que veio com a ferrovia, depois a costura que espalhou roupa mineira pelo país. Poucos municípios do interior conseguem manter as duas coisas ao mesmo tempo e ainda erguer um monumento que dialoga com o Líbano e o México, algo que também aparece em outras cidades industriais de Minas.
Você precisa reservar uma manhã para a Rua Goiás e terminar o dia no alto do Morro da Gurita, com a cidade inteira aos seus pés.




