Museu costuma caber em um prédio, e por isso quase sempre se resolve em uma tarde. Em Brumadinho, a menos de uma hora de Belo Horizonte, o passeio se mede em dias: são 140 hectares de jardins onde galerias de arte contemporânea aparecem entre lagos, palmeiras raras e trechos de mata nativa. O Instituto Inhotim é museu e jardim botânico ao mesmo tempo, e essa segunda condição acaba de lhe render um reconhecimento raro no país.
Por que esse jardim entrou em uma lista de cem no mundo inteiro?
Porque passou pela acreditação do Botanic Gardens Conservation International (BGCI), rede internacional que audita práticas de conservação de plantas. Conforme a Prefeitura de Bauru, cujo jardim municipal recebeu a mesma chancela, apenas cerca de cem instituições no mundo carregam o selo, e no Brasil são só duas: a paulista e o Inhotim.
O título nacional é bem mais antigo. Segundo a Rede Brasileira de Jardins Botânicos, o instituto foi reconhecido como jardim botânico em 2010 pela Comissão Nacional de Jardins Botânicos e hoje cuida de mais de 4,3 mil espécies nativas e exóticas, além de manter uma Reserva Particular do Patrimônio Natural de 250 hectares no entorno da área visitável.

O que faz um passeio precisar de mais de um dia?
A distância entre uma obra e outra. De acordo com o portal oficial de turismo do estado, Minas Gerais, a área de visitação soma 140 hectares, com mais de 200 obras expostas em 22 galerias e jardins, e o museu já recebeu mais de três milhões de pessoas desde a abertura, em 2006.
O acervo é maior do que aquilo que fica à vista. Conforme o Google Arts & Culture, a coleção reúne mais de 700 trabalhos de cerca de 200 artistas de diferentes países, com galerias construídas sob medida para abrigar peças específicas. Caminhar entre elas, com o jardim funcionando como sala de espera, é parte do próprio projeto.

A fazenda que virou museu e o nome que veio de um inglês
Antes das galerias, ali havia terra de mineração e pasto. O nome do lugar nasceu na boca dos moradores: a propriedade pertencia a um inglês chamado Timothy, o senhor Tim, que na fala local virou Nhô Tim e depois Inhotim.
Na década de 1980, o empresário Bernardo Paz começou a plantar espécies raras e a reunir arte contemporânea na fazenda. O instituto foi formalizado em 2002 e abriu ao público quatro anos depois, transformando o município do Vale do Paraopeba em endereço cultural conhecido fora do Brasil.

O que não dá para perder entre as galerias e os jardins
A visita mistura arte, botânica e caminhada, e vale escolher o percurso antes de entrar. Confira abaixo os destaques mais citados por quem já foi:
- Galeria Adriana Varejão: pavilhão erguido sobre encosta, com obras que discutem história colonial e miscigenação.
- Jardim de Transição: trecho que mostra o encontro entre Mata Atlântica e Cerrado, os dois biomas que se cruzam no terreno.
- Coleção de palmeiras: alamedas cobertas por espécies raras, marca do paisagismo que rendeu o título de jardim botânico.
- Bancos de Hugo França: peças esculpidas em troncos aproveitados, espalhadas pelos caminhos e usadas para descanso.
- Lagos ornamentais: espelhos d’água que refletem as galerias e organizam o traçado dos jardins.
- Obras ao ar livre: instalações de grande escala distribuídas pela mata, que só aparecem depois de alguns minutos de caminhada.
Quem quer conhecer um dos maiores museus a céu aberto do mundo, vai curtir esse vídeo do canal Fui Ser Viajante, com mais de 21 mil visualizações, que apresenta o Instituto Inhotim, em Brumadinho:
Qual a melhor época para caminhar pelos jardins?
O verão deixa a vegetação no auge, mas concentra as chuvas de fim de tarde e o calor que pesa em um passeio de horas a pé. Veja abaixo como o ano se divide:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
A cidade onde arte e floresta ocupam o mesmo endereço
Brumadinho conseguiu algo que poucos municípios do mundo têm: um acervo de arte contemporânea de alcance internacional que só existe porque a mata em volta foi preservada junto. O selo do BGCI reconhece exatamente essa parte menos fotografada do passeio, a que fica no chão, nas estufas e nas mudas. É o mesmo tipo de cuidado que aparece em outras cidades mineiras que ganharam reconhecimento internacional.
Você precisa reservar pelo menos dois dias e atravessar os jardins devagar, porque em Brumadinho o caminho entre uma obra e outra também faz parte da exposição.




