Um estudo de DNA com restos de neandertais da Bélgica e da França mudou o retrato de seus últimos grupos. Eles eram mais conectados e não mostraram piora genética contínua. O achado enfraquece a ideia de que seus genes se deterioraram até causar o desaparecimento.
O que o novo estudo de DNA analisou?
Os pesquisadores geraram dados genéticos de 27 neandertais que viveram há menos de cerca de 52.500 anos. Os restos vieram de 10 sítios arqueológicos localizados na atual Bélgica e na França.
O estudo sobre a diversidade dos últimos neandertais também trouxe um genoma de alta qualidade de uma mulher que viveu há cerca de 45 mil anos na Caverna de Goyet. Esse foi apenas o 5º genoma neandertal obtido com esse nível de detalhe.

O que os genes revelaram sobre os últimos neandertais?
Os dados mostraram que boa parte dos grupos do noroeste europeu tinha ligação genética. Eles não viviam apenas em pequenas comunidades isoladas, como estudos feitos com neandertais da Sibéria haviam sugerido.
Os resultados principais mudam pontos importantes do antigo retrato:

Como os pesquisadores recuperaram DNA tão antigo?
O DNA antigo costuma estar quebrado e misturado com material genético de quem tocou os ossos durante escavações e estudos. Em algumas amostras, menos de 1% das sequências encontradas vinha do próprio neandertal.
Para separar o material antigo, a equipe procurou marcas químicas deixadas pela passagem do tempo e analisou cerca de 2,3 milhões de pontos do genoma.
O trabalho seguiu etapas cuidadosas:
- Pequenos fragmentos de ossos e dentes foram recolhidos;
- O material passou por limpeza para reduzir a contaminação;
- O DNA foi retirado em laboratórios preparados para amostras antigas;
- Sequências com sinais de envelhecimento foram separadas das recentes;
- Os dados foram comparados com genomas de outros neandertais;
- A ligação entre indivíduos e grupos foi calculada.
O método permitiu reconstruir relações entre pessoas que viveram há dezenas de milhares de anos, mesmo quando os restos estavam incompletos.

Leia também: Estudo da NASA aponta aumento do nível do mar e cidades podem ser engolidas no litoral brasileiro
Qual teoria sobre o desaparecimento perdeu força?
Uma das explicações dizia que grupos pequenos e isolados teriam acumulado mutações prejudiciais. Essa carga genética, quantidade de alterações que podem causar problemas, teria aumentado geração após geração.
O levantamento sobre os grupos do noroeste europeu não encontrou esse aumento contínuo. Isso não elimina todos os problemas causados por populações pequenas, mas mostra que a teoria não pode explicar sozinha o desaparecimento.
A comparação resume o que mudou:

O estudo explica por que os neandertais desapareceram?
O trabalho não apresenta uma causa única. Os dados sobre comunidades neandertais conectadas mostram apenas que uma deterioração genética constante não parece ter sido o motivo principal na Bélgica e na França.
Clima, falta de alimentos, queda no número de pessoas, competição e contato com o Homo sapiens e outros grupos humanos ainda precisam ser estudados juntos. O novo retrato mostra que os últimos neandertais eram mais diversos e complexos do que uma população isolada caminhando para o fim.




