O nível do mar já subiu cerca de 10 cm desde 1993, segundo análise da NASA. Parece pouco, mas esse avanço aumenta alagamentos, erosão e ressacas em áreas baixas. No Brasil, o risco aparece primeiro em cidades costeiras muito ocupadas.
O que a NASA apontou sobre o aumento do nível do mar?
A análise da NASA mostrou que o nível global do mar subiu mais que o esperado em 2024. A taxa foi de 0,59 cm por ano, acima dos 0,43 cm esperados.
A causa principal foi a expansão da água do mar pelo calor. Em palavra simples, a água ocupa mais espaço quando esquenta. A NASA também liga a alta ao derretimento de geleiras e camadas de gelo.

Quais cidades brasileiras podem sentir os efeitos do nível do mar?
Não existe uma lista única dizendo que uma cidade inteira será engolida. O risco começa por bairros baixos, orlas, áreas de mangue, rios, canais e regiões com drenagem fraca.
A ferramenta da NASA com dados do IPCC permite ver projeções globais e regionais de 2020 a 2150. Com base nessa lógica, planos locais e estudos de adaptação já colocam algumas cidades em atenção.
As áreas que pedem mais cuidado são estas:
- Recife: cidade baixa, cortada por rios e citada pela prefeitura como uma das mais ameaçadas pelo aumento do nível do mar.
- Santos e Baixada Santista: região que já discute obras por causa da elevação do mar, ressacas e áreas próximas a canais.
- Rio de Janeiro: orlas, lagoas e baixadas urbanas aparecem no radar dos estudos municipais de adaptação climática.
- Salvador: áreas de orla, encostas e ocupações costeiras pedem atenção em cenários de clima extremo.
- São Luís: ilha, rios, mangues e frentes costeiras aumentam o risco de erosão e inundação.
- Fortaleza: cidade com orla densa que já trata a mudança do clima como tema de política pública.
Por que algumas cidades sofrem antes de outras?
O mar não avança igual em todos os lugares. O risco aumenta quando a cidade é baixa, tem muita construção perto da praia e perde mangue, restinga ou duna.
O caso de Recife é forte porque a prefeitura citou a cidade entre as mais ameaçadas do planeta pelo aumento do nível do mar. Já Santos estudou medidas contra alta de até 45 cm em 2100.
Os sinais de maior risco são:
- Bairro muito perto da praia ou de canal.
- Rua baixa que já alaga na maré alta.
- Orla com erosão e perda de faixa de areia.
- Mangue ou restinga destruídos por construção.
- Chuva forte junto com ressaca do mar.
- Rede de drenagem antiga ou entupida.
O maior problema costuma ser a soma de maré alta, chuva forte e cidade baixa.
Quem deseja compreender os fenômenos do nosso planeta, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Minuto da Física, que conta com mais de 154 mil visualizações, onde explica como a gravidade define o verdadeiro nível do mar:
Leia também: Cidade que trocou o café pela uva e virou uma das 15 melhores para viver no Brasil
O que pode acontecer antes de uma cidade ficar submersa?
Antes de uma cidade “sumir”, aparecem problemas menores e repetidos. A rua alaga mais vezes, a praia perde areia, a água salgada entra em rios e a drenagem trabalha pior.
A base de projeções do IPCC usada pela NASA cobre o período de 2020 a 2150 e inclui projeções globais, regionais e locais em pontos de maré. O dado ajuda governos a planejar obra, alerta e adaptação.
A diferença aparece assim:
| Efeito | Como aparece | Risco |
|---|---|---|
| Alagamento costeiroMaré alta e chuva juntas | Rua baixa fica cheia com mais frequência | Cresce |
| Erosão da praiaPerda de areia na orla | Calçadão, pista e imóveis ficam mais expostos | Alto |
| Água salgada avançandoRios, canais e solo | Pode afetar água doce e áreas de mangue | Atenção |
| Ressaca mais danosaOndas fortes sobre nível mais alto | O mar alcança pontos que antes não alcançava | Grave |
O litoral brasileiro pode mesmo ser engolido pelo mar?
O litoral inteiro não será engolido de uma vez. O risco real é que partes baixas de cidades costeiras fiquem cada vez mais caras, alagadas e difíceis de proteger.
A Prefeitura do Rio mantém estudos e planos de adaptação climática. E estudo ligado à USP trata Salvador, Recife, Rio de Janeiro e Santos como cidades costeiras de alta vulnerabilidade climática.
O que precisa ser feito para reduzir o prejuízo?
A resposta passa por drenagem, recuperação de mangue, proteção de restinga, obras na orla, aviso de ressaca e regra mais dura para construir em área de risco.
Também é preciso tratar o nível do mar como dado de planejamento, não como susto distante. O mar sobe aos poucos, mas o prejuízo aparece quando a cidade cresce sem respeitar água, praia, rio e mangue.




