Destaques
O artigo 1.283 do Código Civil permite cortar galhos e raízes que ultrapassam a divisa, até a linha do terreno.
O dono da árvore responde pelos danos a terceiros, e as indenizações variam conforme o estrago de cada caso.
A Lei nº 15.299/2025 trata da poda por risco de acidente quando o órgão público não responde em 45 dias.
Galho que derruba telha, raiz que racha o muro, folha que entope a calha. As árvores na divisa de terrenos estão entre as maiores fontes de briga entre vizinhos no Brasil, e quase sempre o conflito poderia ser evitado com uma boa conversa e uma poda no momento certo.
O que o Código Civil garante a quem tem o terreno invadido
A base de tudo está no artigo 1.283 do Código Civil. Ele diz que raízes e ramos que passam da linha divisória entre os imóveis, chamada de estrema, podem ser cortados pelo dono do terreno invadido.
O melhor é que esse direito vale sem autorização do vizinho e sem precisar de decisão judicial. Ou seja, se o galho atravessou a cerca e está sobre o seu quintal, você pode apará-lo. É um efeito direto do seu direito de propriedade.

Afinal, quem paga a conta quando a árvore causa estrago?
Aqui mora a parte que pega muita gente de surpresa. O dono do imóvel onde a árvore está plantada é, em regra, responsável pelos danos que ela provoca em terceiros. Calha entupida, infiltração no muro, telha quebrada por queda de galho, tudo isso pode virar conta no fim.
Os tribunais brasileiros costumam reconhecer essa responsabilidade, especialmente quando o proprietário é avisado do problema e não toma providências. Nesses casos, a poda preventiva quase sempre sai bem mais barata do que a indenização que pode vir depois.
Os limites da poda que muita gente ignora
Cortar o galho do vizinho não é um vale-tudo. Existem duas fronteiras que poucos conhecem e que fazem toda a diferença na hora de evitar um problema maior. Veja os pontos que merecem atenção antes de pegar a tesoura de poda:
- O corte só pode ir até a linha da divisa, nunca além dela. Entrar no terreno do vizinho para podar é ilegal.
- Intervenção que comprometa a saúde da árvore em excesso pode virar dano ambiental e gerar responsabilidade civil.
- Dependendo da espécie, o exagero responde até na esfera criminal, com base na Lei de Crimes Ambientais.
- Para cortes mais sérios, o ideal é chamar um profissional habilitado e buscar autorização da prefeitura antes de agir.
Pontos-chave
Distância importa
Recomendações técnicas e regras municipais sugerem cerca de 3 metros da divisa para árvores pequenas e 10 metros para as de grande porte.
Prova é tudo
Fotos com data, vídeos e mensagens trocadas formam a base de prova em qualquer conflito de vizinhança.
Notifique antes
Avisar o vizinho por escrito demonstra boa-fé e evita que você seja responsabilizado ao agir.
Quanto pode pesar no bolso quando vira processo
Quando o assunto chega à Justiça, a multa e as indenizações por danos materiais dependem totalmente do caso, e em situações mais sérias podem ultrapassar os R$ 5 mil. Vale lembrar que esse valor é apenas ilustrativo, não um patamar fixado em lei.
Por isso, conhecer as distâncias recomendadas antes de plantar é a forma mais eficaz de não cair nessa armadilha. Uma muda pequena hoje pode virar, em poucos anos, uma árvore enorme com raízes empurrando o muro do vizinho.

Direito de vizinhança em 2026: prints e laudos viram prova
No direito de vizinhança, é bom não confundir duas situações. Para aparar um galho que passou da cerca, basta o artigo 1.283. Já a Lei nº 15.299/2025 mira outro cenário, o de árvores com risco de acidente, permitindo a poda por conta própria quando o órgão ambiental não responde em 45 dias, com laudo técnico e risco comprovado.
No fim das contas, toda essa história sobre árvores na divisa cabe em uma lição simples. Uma conversa franca com o vizinho e uma poda no tempo certo continuam sendo a solução mais barata, mais rápida e menos desgastante de todas.
Gostou de entender como funciona a poda de árvores na divisa? Compartilhe este artigo com aquele amigo ou vizinho que vive às voltas com galhos passando a cerca. Pode ser que você evite uma boa dor de cabeça para alguém.




