Em janeiro de 1996, três jovens cruzaram um terreno baldio e disseram ter visto uma criatura estranha. O relato transformou Varginha, no sul de Minas Gerais, na cidade do ET e correu o mundo. Três décadas depois, o episódio virou identidade oficial de um município que, no silêncio dos cafezais, construiu uma das melhores qualidades de vida do estado.
O caso de 1996 que correu o mundo
Tudo começou na tarde de 20 de janeiro de 1996, no bairro Jardim Andere. As jovens Kátia Xavier e as irmãs Liliane e Valquíria Silva relataram ter avistado um ser de cerca de 1,5 metro, corpo magro, olhos grandes e avermelhados. O encontro durou pouco, mas provocou pânico e se espalhou pela cidade em poucos dias.
A repercussão cresceu com relatos de moradores sobre movimentação militar e o transporte de caixas lacradas, o que, para ufólogos, indicaria uma captura. As autoridades sempre negaram qualquer episódio extraordinário, e nenhuma prova física foi apresentada. O caso chegou a virar um Inquérito Policial Militar, instaurado em 1997 para apurar a participação de viaturas do Exército, hoje sob guarda do Superior Tribunal Militar (STM). Até hoje não há consenso, e o episódio permanece sem comprovação.

Como o ET virou identidade oficial da cidade
Em vez de esconder a fama, Varginha a abraçou. A cidade espalhou esculturas de extraterrestres por praças e construiu uma caixa-d’água de 100 mil litros em formato de disco voador, que virou um de seus cartões-postais. Em 2022, inaugurou um memorial dedicado ao tema, com exposição e planetário.
O reconhecimento foi além do folclore. Após estudos abertos em 2023, o Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Cultural oficializou o Caso ET de Varginha e a identidade varginhense como Patrimônio Cultural Imaterial do município, com registro nos livros oficiais, conforme divulgou a Prefeitura de Varginha. O suposto visitante de 1996 deixou de ser apenas lenda e passou a integrar a memória oficial da cidade.

O café que sustenta a economia varginhense
Longe dos discos voadores, a verdadeira potência da cidade está no grão. Varginha é um dos principais centros de exportação de café do Brasil, drenando boa parte da produção do sul de Minas Gerais e negociando com mercados da Europa, da Ásia e da América do Norte.
O motor desse comércio é o Porto Seco Sul de Minas, a primeira Estação Aduaneira do Interior a operar no país, que permite lacrar o café em contêineres no próprio município antes do embarque. A posição equidistante de Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro, somada à Rodovia Fernão Dias e à ferrovia, consolidou a cidade como um centro logístico e exportador de peso.
Quem tem curiosidade sobre mistérios da ufologia e o caso alienígena mais famoso do Brasil, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Daniel Pires, o Lenda, que conta com mais de 23 mil visualizações, onde Daniel Pires mostra a rota por onde o ET passou em Varginha – MG:
Por que Varginha é boa de morar
Os números acompanham a economia aquecida. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade tem Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,778, classificado como alto, e escolarização de 99,79% entre crianças de 6 a 14 anos.
Com cerca de 136 mil habitantes a aproximadamente 900 metros de altitude, Varginha reúne hospitais de alta complexidade, universidades e um parque industrial diversificado, com alimentos, autopeças e eletrônicos. O resultado é uma cidade de interior tranquila, mas com infraestrutura de centro regional, que atrai famílias em busca de qualidade de vida sem abrir mão de oportunidades.
Conheça a cidade do ET e do café
Varginha conseguiu transformar um mistério de 1996 em identidade cultural, sem deixar de ser uma das maiores exportadoras de café do país e um dos melhores lugares para viver em Minas Gerais. Poucas cidades equilibram folclore, economia forte e tranquilidade dessa forma.
Você precisa conhecer Varginha para entender como uma cidade famosa por um ET construiu, entre cafezais, uma vida tão boa no sul de Minas.




