Ruas de pedra, casarões brancos de janelas coloridas e o Rio Vermelho cortando o casario. A Cidade de Goiás, no interior do estado de Goiás, é uma dessas raridades onde o relógio parou no século XVIII. Antiga capital e apelidada de Goiás Velho, ela atravessou os séculos quase sem mudar, preservando o melhor do Brasil colonial.
A capital que o ouro fez e o esquecimento preservou
A cidade nasceu do ouro e se conservou justamente quando ele acabou. Fundada em 1729 como Arraial de Sant’Anna, depois Vila Boa, ela foi capital de Goiás até 1937, quando o governo se mudou para a recém-criada Goiânia.
O esgotamento das minas e a perda do posto de capital deixaram a antiga Vila Boa isolada, e esse isolamento acabou preservando o conjunto colonial quase intacto. Hoje a cidade conserva mais de 90% de sua arquitetura barroco-colonial original, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1978, conforme o IPHAN. Foi o primeiro núcleo urbano oficialmente reconhecido a oeste da linha do Tratado de Tordesilhas.

O que fazer no centro histórico de Goiás Velho?
O centro se percorre a pé, entre igrejas barrocas, museus e ruas de pedra. Estas são as paradas que resumem a visita:
- Casa de Cora Coralina: museu na antiga residência da poetisa à beira do Rio Vermelho, com objetos pessoais e exposições sobre sua vida e obra.
- Museu das Bandeiras: instalado na antiga Casa de Câmara e Cadeia, do século XVIII, conta a história da ocupação do Brasil Central.
- Igreja de Sant’Ana: uma das mais antigas da cidade, símbolo da fé e da tradição colonial goiana.
- Palácio Conde dos Arcos: antiga sede do governo da capitania, com mobiliário e ambientação do período colonial.
- Cachoeira das Andorinhas: queda d’água nos arredores, opção para quem quer unir história e natureza.
Quem deseja conhecer uma das mais encantadoras cidades históricas do Brasil, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 86 mil visualizações, onde o casal de apresentadores mostra um roteiro de dois dias com pontos turísticos, dicas de hospedagem e a culinária da Cidade de Goiás:
A cidade de Cora Coralina e da Procissão do Fogaréu
Goiás Velho é a terra de Cora Coralina, a doceira que se tornou uma das poetisas mais queridas do Brasil e escreveu sobre as ruas e o cotidiano da própria cidade. Sua casa às margens do Rio Vermelho é hoje um dos museus mais visitados do estado.
A cidade também guarda uma das tradições religiosas mais antigas do país. A Procissão do Fogaréu, celebrada na Semana Santa desde 1745, percorre as ruas escuras à luz de tochas, com figuras encapuzadas que encenam a perseguição a Cristo, atraindo visitantes de todo o Brasil.
Quando visitar a Cidade de Goiás?
A melhor época vai de maio a setembro, quando a estação seca do cerrado traz dias ensolarados e noites amenas. Junho e julho são os meses preferidos, com temperaturas que variam de cerca de 17°C a 32°C e chuva quase nula, ideal para caminhar pelo centro histórico, conforme o Goiás Turismo. O verão, entre dezembro e março, é mais quente e chuvoso, com pancadas à tarde, mas deixa as cachoeiras dos arredores mais cheias, segundo o Climatempo.
Como chegar a Goiás Velho?
O acesso mais comum é por Goiânia, de onde a cidade fica a cerca de 140 km pela rodovia GO-070, em estrada asfaltada percorrida em torno de duas horas. A capital é a porta de entrada para a maioria dos visitantes.
A Cidade de Goiás não tem aeroporto, então quem vem de outros estados desembarca no aeroporto de Goiânia e segue de carro ou ônibus. De Brasília, o trajeto é de aproximadamente 320 km, passando por Anápolis e seguindo pelas rodovias estaduais até o centro histórico.
Vale voltar no tempo
A Cidade de Goiás reúne ruas de pedra, igrejas barrocas e a memória viva de uma antiga capital que o tempo decidiu poupar. Poucos lugares no Brasil permitem caminhar por um cenário colonial tão completo e tão bem conservado.
Você precisa caminhar pelas ruas de pedra de Goiás Velho ao anoitecer, sob a luz dos lampiões, e sentir o Brasil de quase três séculos atrás.




