No sul da Bahia, entre o mar e as serras cobertas pela Mata Atlântica, uma cidade pequena guarda um dos litorais mais preservados do Nordeste. Itacaré, na Costa do Cacau, reúne mais de 20 praias entre faixas urbanas e enseadas que só dá para chegar por trilha, ondas reconhecidas no circuito mundial de surfe e uma área de proteção ambiental com quase 63 mil hectares. O destino virou cartão-postal internacional após receber o rei Carlos Gustavo e a rainha Sílvia da Suécia em dezembro de 2024 e tem chamado a atenção de veículos como o francês Le Monde e o argentino La Nación.
Por que esta cidade virou referência mundial em surfe?
A resposta começa na geografia. A plataforma continental na região tem apenas 8 milhas de extensão, o que faz as ondas do oceano chegarem ao litoral com força e constância raras no litoral baiano. Esse detalhe geológico transformou a antiga vila de pescadores em parada obrigatória dos surfistas brasileiros e estrangeiros, com destaque para a Praia da Tiririca, que abriga o primeiro Centro de Treinamento público de surfe da Bahia, conforme dados da Prefeitura Municipal de Itacaré.
A história da cidade começa ainda no século XVIII, com a ocupação jesuíta sobre uma antiga aldeia indígena às margens do Rio de Contas. O nome tem origem tupi e significa “rio de ruído diferente”. Durante o ciclo do cacau, no século XIX, o porto local escoava toneladas do fruto produzido no sistema cabruca. A crise das lavouras no século XX isolou a região e, paradoxalmente, preservou as praias e a floresta, até que a abertura da BA-001 projetou a cidade no mapa do turismo nacional.

O reconhecimento nacional e internacional que veio do mar
O destino entrou de vez nas rotas globais. Em dezembro de 2024, recebeu a visita oficial do rei Carlos Gustavo e da rainha Sílvia da Suécia, e a cobertura nos veículos estrangeiros foi imediata. Conforme matéria do Bahia Notícias, o jornal argentino La Nación dedicou reportagem ao município, e o francês Le Monde destacou a conectividade aérea entre Paris e Salvador com voos da Air France, ampliando o acesso de europeus à região.
A chancela ambiental é igualmente robusta. A Área de Proteção Ambiental Costa de Itacaré/Serra Grande, criada em 1993 pelo governo baiano, protege 62.960 hectares de floresta, praias e manguezais. A região integra a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, reconhecida pela UNESCO como a primeira unidade da Rede Mundial de Reservas da Biosfera no Brasil, conforme registra o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A cidade também foi cadastrada no Mapa do Turismo Brasileiro em 2024.

O que fazer em Itacaré?
Entre praias urbanas, enseadas selvagens, trilhas pela mata e cachoeiras escondidas na serra, o destino concentra mais atrações do que cabe em uma viagem só. Os principais atrativos, segundo a Prefeitura Municipal:
- Praia da Concha: a mais central, formada pelo encontro do Rio de Contas com o mar, com mar calmo e estrutura de bares e restaurantes. O Mirante da Ponta do Xaréu, na ponta esquerda, é o melhor ponto para ver o pôr do sol.
- Praia da Tiririca: palco de campeonatos nacionais e internacionais de surfe, com pista de skate à beira-mar e vibe jovem.
- Trilha das Quatro Praias: percurso pela Mata Atlântica que liga as praias da Engenhoca, Havaizinho, Camboinha e Itacarezinho em cerca de 1h30.
- Praia da Prainha: enseada protegida por morros, acessível por trilha de cerca de 40 minutos pela mata virgem.
- Praia de Jeribucaçu: cercada por mata densa e moldurada por rochas, com rio que deságua na areia.
- Cachoeira do Tijuípe: acesso fácil pela BA-001, com piscina natural cercada por pedras, ideal para um banho de água doce no meio do roteiro.
A gastronomia local também ganhou projeção, com forte presença da cozinha baiana e cardápio cosmopolita ao redor da Rua da Pituba. Os pratos que merecem atenção:
- Moqueca de frutos do mar: clássico baiano servido em diversos restaurantes do centro, à base de leite de coco e azeite de dendê.
- Bobó de camarão: receita tradicional com purê de mandioca, frutos do mar e tempero da costa do cacau.
- Acarajé: bolinho de feijão-fradinho frito no dendê, vendido em barracas pela cidade.
- Peixe ao molho de cacau: prato típico da Costa do Cacau, que usa o fruto local como ingrediente principal.
Quem planeja curtir as praias paradisíacas da Costa do Cacau, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Sonhe Alto Viagens, que conta com mais de 26 mil visualizações, onde a apresentadora mostra um roteiro completo de seis dias em Itacaré, Bahia:
Quando é a melhor época para visitar Itacaré?
O clima de Itacaré é tropical úmido, com calor o ano inteiro e temperatura média próxima de 25°C. As chuvas se concentram entre maio e julho, mas costumam ser passageiras, e o sol aparece quase sempre nos intervalos. O verão é alta temporada e atrai gente para a Pituba e as praias urbanas, enquanto o inverno traz as maiores ondas e a passagem das baleias-jubarte pela costa.
Para planejar a viagem, vale conferir as condições do período:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao Havaí Brasileiro?
O acesso mais prático é por via aérea, com pouso no Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus, a cerca de 70 km do município. De lá, são aproximadamente 1h20 de carro pela BA-001, conhecida como Rodovia Scaip. O aeroporto recebe voos diários de São Paulo, Belo Horizonte e Salvador, com transfers e táxis disponíveis para o trajeto até Itacaré. Quem vem de carro do Sudeste segue pela BR-101 e depois pela BA-001 para chegar à orla.
Conheça a Costa do Cacau pelas trilhas e ondas
Poucos lugares no Brasil conseguem unir mais de 20 praias, uma área de proteção ambiental do tamanho de uma cidade média e o reconhecimento de surfistas e monarcas estrangeiros no mesmo CEP. Itacaré prova que isolamento histórico, Mata Atlântica preservada e gastronomia baiana podem florescer juntos.
Você precisa conhecer Itacaré e caminhar por uma de suas trilhas até descobrir uma praia escondida no meio da mata, onde o oceano chega com a força que só este pedaço da Bahia consegue oferecer.




