Na Serra da Mantiqueira, a cerca de 350 km de Belo Horizonte, Caxambu cresceu ao redor de doze fontes de água mineral descobertas no início do século XIX, em meio às fazendas que ocupavam a região do antigo município de Baependi. O conjunto de nascentes, todas com composições químicas diferentes entre si, transformou a cidade em ponto obrigatório do Brasil imperial e segue até hoje como a base do turismo de saúde e bem-estar do sul mineiro.
O que torna esse parque o maior complexo hidromineral do planeta?
A diversidade das fontes. Em uma única área urbana, o Parque das Águas Lysandro Carneiro Guimarães reúne 12 nascentes minerais com propriedades químicas distintas, segundo a Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais. Cada uma é indicada para um tipo de uso terapêutico, do tratamento de anemia ao auxílio em cálculos renais.
O segredo está no subsolo. As águas atravessam rochas xistosas e quartzitos por longos períodos, e quanto mais tempo permanecem em contato com diferentes minerais, mais carregadas ficam de elementos químicos específicos. O processo cria fontes únicas no mesmo terreno, fenômeno raro em escala mundial.
O parque tem cerca de 210 mil m² e foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, conforme registra o estudo técnico publicado pela Prefeitura Municipal de Caxambu. Dentro dele estão também o Balneário Hidroterápico, em estilo neoclássico, e o Gêiser Floriano de Lemos, o único gêiser do Brasil, que lança água mineral a vários metros de altura pela pressão natural do gás carbônico, sem qualquer atividade vulcânica.

Vale a pena viver em Caxambu?
Vale para quem busca cidade pequena na Mantiqueira, clima ameno e ritmo tranquilo. O município tem cerca de 21 mil habitantes e ocupa uma posição estratégica entre São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, todas em um raio de até 350 km por rodovia.
A economia gira em torno do turismo de saúde, da hotelaria histórica e do artesanato, segundo a Prefeitura. O calendário cultural inclui o aniversário da cidade em setembro, festas juninas, motetos sacros e a tradicional Festa de Nossa Senhora dos Remédios, programação que movimenta a região durante quase todo o ano.
Para quem visita ou pensa em mudar, a infraestrutura turística centenária aparece em ruas como a Praça Dezesseis de Setembro, no centro, e nos pavilhões históricos que preservam a atmosfera de balneário imperial.

O que fazer em Caxambu
O roteiro gira em torno do parque, das igrejas históricas e dos mirantes da Mantiqueira. Entre os principais pontos da estância, destacam-se:
- Parque das Águas Lysandro Carneiro Guimarães: 12 fontes minerais, lago com pedalinhos, piscinas de água mineral, jardins ingleses e o gêiser, segundo a Secretaria Municipal de Turismo e Cultura.
- Balneário Hidroterápico: construído no início do século XX em estilo neoclássico, oferece banhos de imersão, duchas Vichy, saunas e tratamentos terapêuticos.
- Igreja de Santa Isabel da Hungria: erguida por ordem da Princesa Isabel em agradecimento pela cura, tombada pelo patrimônio estadual.
- Teleférico ao Morro de Caxambu: subida em cadeirinhas individuais até o mirante panorâmico, com vista do vale e da Serra da Mantiqueira.
- Museu Histórico e Genealógico de Caxambu: reaberto pela Prefeitura, reúne acervo sobre o período imperial e a história das águas.
- Passeio de charrete pelo centro: tradição que sobreviveu desde o ciclo das águas no século XIX, ainda oferecida por condutores locais.
Na mesa, o sul mineiro entrega a culinária típica e doces produzidos com receitas centenárias. Para provar o melhor da região:
- Doces e compotas locais: figo, abóbora, leite, banana e goiaba, vendidos em lojas artesanais espalhadas pelo centro.
- Queijos da Mantiqueira: produzidos nas serras vizinhas, com selo de origem e tradição secular.
- Licores de frutas: jabuticaba, jenipapo e amora, herança do receituário das fazendas de café.
- Aguardente artesanal: cachaça envelhecida em madeiras nobres, com produção concentrada no sul de Minas.
- Café da Mantiqueira: grãos cultivados nas altitudes da serra, servidos em cafeterias que mantêm receitas tradicionais.
Quem quer descobrir uma famosa cidade turística em Minas Gerais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 129 mil visualizações, onde Tati Marmon mostra o circuito das águas e os encantos de Caxambu, Minas Gerais:
Qual o clima em Caxambu e a melhor época para visitar
A cerca de 895 metros de altitude, a estância tem clima tropical de altitude e mantém temperaturas amenas o ano inteiro. O inverno, entre junho e agosto, é a alta temporada, com dias secos e noites frias. Confira as médias por estação na cidade:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à estância hidromineral
O acesso é totalmente rodoviário. De Belo Horizonte, são cerca de 350 km pela BR-381 e MG-167. De São Paulo, aproximadamente 300 km pela rodovia Fernão Dias até a saída para o Circuito das Águas. Do Rio de Janeiro, o trajeto fica em torno de 250 km pela BR-040 e MG-355. Para quem chega de avião, o aeroporto mais próximo é o de Pouso Alegre, com transfer rodoviário até a estância.
Beba uma água em cada fonte pelo menos uma vez
A estância mineira juntou subsolo raro, história imperial e arquitetura preservada num só lugar. Poucas cidades do Brasil conseguem oferecer doze tipos diferentes de água mineral, um gêiser único no país e um balneário centenário em pleno funcionamento dentro do mesmo parque.
Você precisa conhecer Caxambu e beber uma água em cada fonte pelo menos uma vez para entender por que a Princesa Isabel voltou tantas vezes a esse pedaço do sul de Minas.




