O cancelamento de voos e a espera excessiva em aeroportos são problemas recorrentes que geram o direito a indenizações por danos morais. Em uma decisão recente do TJES, o sofrimento de um menor de idade foi reconhecido após 18 horas de atraso.
O que motivou a condenação por danos morais em Colatina?
A 1ª Vara Cível de Colatina condenou uma companhia aérea após uma família enfrentar um descaso logístico no retorno do Chile. O voo original foi cancelado e a assistência prometida, como hospedagem e alimentação, demorou horas para ser oferecida.
O magistrado considerou que a longa espera em saguões, somada à perda de um dia letivo, ultrapassou o mero aborrecimento cotidiano. No Espírito Santo, a justiça entendeu que a “tenra idade” do autor agravou o impacto emocional e físico da situação vivenciada.
Quais os direitos do passageiro segundo a Resolução 400 da ANAC?
A ANAC estabelece regras claras sobre a assistência material que as empresas devem fornecer em casos de atrasos. Quando o passageiro aguarda por mais de duas horas, a companhia é obrigada a oferecer meios de comunicação e alimentação adequada.
Se a espera ultrapassar quatro horas e exigir pernoite, a empresa deve providenciar hospedagem e transporte de ida e volta. Conforme as normas da Agência Nacional de Aviação Civil, o descumprimento desses deveres fundamenta o pedido de reparação na justiça.

Como o STJ avalia os danos morais em voos em 2026?
Em janeiro de 2026, o entendimento jurídico sobre o tema passou por uma revisão importante. O Superior Tribunal de Justiça decidiu que o dano moral por atraso de voo não é mais automático, exigindo que o passageiro comprove o transtorno real sofrido.
No entanto, situações que envolvem crianças, falta de assistência básica ou perda de compromissos inadiáveis continuam sendo fortes candidatas a indenização. Confira os elementos que facilitam a prova de danos morais em processos judiciais:
- Voucher de reacomodação com os horários originais e atualizados.
- Fotos e vídeos da situação precária no aeroporto.
- Comprovantes de gastos extras com refeições ou transporte.
- Documentação de prejuízos concretos, como faltas escolares ou em reuniões.
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Qual a importância do Estatuto da Criança e do Adolescente?
O Estatuto da Criança e do Adolescente reforça que os menores devem receber proteção integral contra qualquer forma de negligência. Deixar uma criança por 13 horas em um saguão sem suporte adequado fere esse princípio constitucional de prioridade absoluta.
Por isso, indenizações para menores costumam ter valores mais expressivos. Para entender as nuances dessa proteção, a Lei 8.069/1990 detalha os deveres da sociedade e das empresas privadas para com o público infantojuvenil no Brasil.
Como documentar o atraso para garantir seus direitos?
Em 2026, a tecnologia é a maior aliada do consumidor na hora de produzir provas. Solicitar a declaração de contingência por escrito na própria companhia é um passo obrigatório para quem deseja ingressar com uma ação de danos morais futuramente.
Guardar prints de conversas e protocolos de atendimento telefônico ajuda a demonstrar a tentativa de solução amigável. Ao agir com rapidez e organizar os comprovantes, o passageiro garante que a falha na prestação de serviço seja devidamente punida e compensada financeiramente.




