A 340 km de Belo Horizonte, Serro guarda um traçado colonial intacto desde o século XVIII. É o berço do queijo que entrou para a lista da UNESCO em dezembro de 2024.
A primeira cidade tombada do Brasil veio antes de Ouro Preto
Pouca gente sabe, mas a antiga Vila do Príncipe foi pioneira em algo grandioso. Em 8 de abril de 1938, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) inscreveu o conjunto arquitetônico e urbanístico do Serro no Livro de Belas-Artes. Foi o primeiro tombamento de um município brasileiro, antes de Ouro Preto e Diamantina.
A história começa em 1702, quando uma bandeira chefiada por Antônio Soares Ferreira descobriu ouro na região chamada pelos indígenas de Ivituruí. O nome vem do tupi-guarani e significa vento do morro frio. Em 1714, o arraial foi elevado à categoria de vila e tornou-se sede de uma das quatro primeiras comarcas da Capitania das Minas Gerais.
Quando o ouro e os diamantes se esgotaram no início do século XX, a cidade ficou isolada dos novos centros econômicos. Esse abandono salvou o casario. As ruas longitudinais, as igrejas barrocas e os sobrados coloniais permaneceram intactos, segundo a Prefeitura de Serro.

Vale a pena viver na Terra do Queijo?
Para quem busca silêncio, ar puro e tradição mineira preservada, sim. Serro tem 21.952 habitantes segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e ritmo lento de cidade interiorana, longe do turismo de massa de outras vilas históricas mineiras.
A economia local gira em torno da pecuária leiteira e da produção do queijo artesanal. Serro acumula três títulos pioneiros. Em 2002, o modo de fazer o Queijo do Serro foi o primeiro bem cultural imaterial registrado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG). Em 2008, o IPHAN ampliou o reconhecimento ao nível nacional.
O capítulo mais expressivo veio em 4 de dezembro de 2024. Durante a 19ª Sessão do Comitê Intergovernamental, em Assunção, no Paraguai, os Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal foram inscritos na Lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Foi a primeira vez que um alimento brasileiro recebeu esse título.

O que fazer e onde comer no Caminho dos Diamantes?
O centro tombado é um museu a céu aberto que cabe em uma caminhada de algumas horas. Algumas atrações imperdíveis:
- Igreja de Santa Rita: erguida no topo de uma escadaria de pedra que se transformou em cartão postal, é vista das principais ruas do centro histórico.
- Igreja de Nossa Senhora do Rosário: erguida pelos negros escravizados no século XVIII, guarda detalhes barrocos no interior e é uma das mais importantes da Estrada Real.
- Casa dos Otoni: sobrado do século XVIII em estrutura de madeira com varanda e balaustrada, hoje abriga o Museu Regional Casa dos Otoni.
- Chácara do Barão: construção do século XIX em madeira e taipa, com cantaria em pedra-sabão e tanques de pedra do antigo sistema de abastecimento.
- Distritos de Milho Verde e São Gonçalo do Rio das Pedras: vilas rurais com cachoeiras, casarões e produtores tradicionais de queijo, ambos reconhecidos pelo turismo de experiência da Estrada Real.
A gastronomia segue a tradição mineira mais autêntica, com receitas passadas há gerações. Entre os destaques:
- Queijo do Serro: o protagonista, feito com leite cru e pingo natural, é vendido nas fazendas e nas quitandas do centro com mais de 300 anos de tradição.
- Doce de leite artesanal: produzido nas fazendas serranas em panelas de cobre, é uma das maiores tradições da Estrada Real.
- Frango com quiabo e angu: prato típico mineiro servido em restaurantes de comida caseira no centro histórico, com farofa de pequi como acompanhamento.
- Quitandas mineiras: broas de fubá, biscoitos de polvilho e bolos caseiros vendidos em padarias e quitandas tradicionais como acompanhamento ao café.
Quem busca conhecer as belezas e histórias de Minas Gerais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que conta com mais de 1 milhão de visualizações, onde Matheus Boa Sorte mostra um roteiro completo pelo Serro, incluindo distritos como Milho Verde e a Serra do Carola:
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima na Serra do Espinhaço é ameno o ano todo, com noites frias mesmo no verão. Veja como cada estação influencia a experiência:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Serro
O acesso a partir de Belo Horizonte é feito pela MG-010, em trajeto de cerca de 340 km que leva quatro horas de carro. A rodovia conecta a capital mineira a uma série de cidades históricas da Estrada Real, passando pela Serra do Cipó. Linhas regulares de ônibus operam o trecho a partir do Terminal Rodoviário de Belo Horizonte. Para os distritos de Milho Verde e São Gonçalo do Rio das Pedras, parte do percurso é por estrada de terra batida.
Vá conhecer o berço do primeiro queijo patrimônio mundial
A cidade combina três séculos de história colonial intactos, o primeiro tombamento do Brasil e o queijo que entrou para a lista da humanidade. É um destino para quem prefere o sossego das vilas mineiras autênticas em vez do circuito turístico tradicional.
Você precisa subir a Serra do Espinhaço e conhecer Serro, a cidade onde o tempo parou para preservar uma das maiores tradições gastronômicas do mundo.




