No leste do Tocantins, um conjunto de povoados isolados entre dunas, fervedouros e veredas guarda a história de um Brasil pouco conhecido. Os vilarejos do Jalapão reúnem comunidades quilombolas, artesãos premiados e tradições centenárias num dos cenários mais cinematográficos do Cerrado.
Mateiros virou capital nacional graças a um capim que parece ouro
Em dezembro de 2024, o município de Mateiros foi oficialmente declarado Capital Nacional do Capim Dourado pela Lei nº 15.050, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A norma reconhece a importância cultural e econômica de uma cidade que, segundo o IBGE, tinha apenas 2.748 habitantes no Censo de 2022.
O título oficializa décadas de tradição que começaram com povoados quilombolas espalhados pela região. Como aponta a Agência Senado, o capim-dourado é uma planta endêmica do Jalapão que se destaca pela cor metálica e pelo brilho natural. As peças, transformadas em bolsas, bijuterias e chapéus, hoje viajam para mercados internacionais.

O que ver entre os vilarejos do Jalapão
Os povoados estão cercados por algumas das paisagens mais impressionantes do Brasil. O Parque Estadual do Jalapão, criado em 2001, protege boa parte desse território. As atrações mais visitadas incluem:
- Dunas do Jalapão: 40 metros de altura no meio do Cerrado, palco do pôr do sol mais famoso da região.
- Fervedouro do Ceiça: nascente onde a pressão da água impede que o corpo afunde.
- Cachoeira da Formiga: queda d’água esmeralda em meio à mata fechada.
- Serra do Espírito Santo: trilha com mirante para o nascer do sol no Cerrado.
- Pedra Furada: formação rochosa esculpida pelo vento, ponto de observação ao entardecer.
- Festa da Colheita do Capim Dourado: celebração anual em Mumbuca, em setembro.

Quem planeja uma expedição pelo Jalapão, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 767 mil visualizações, onde os apresentadores mostram um guia completo de 5 dias pelo Tocantins, incluindo fervedouros e a Cachoeira do Formiga:
Quando visitar a região e o que esperar do clima?
O Jalapão tem clima tropical semiúmido, com duas estações bem marcadas e estradas de terra que variam conforme o período. Veja como cada época funciona:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Quem viaja na seca enfrenta menos lama, mas mais areia fofa e poeira. O período de maio a setembro é considerado a alta temporada do ecoturismo, segundo o site oficial do governo estadual.
Como chegar aos vilarejos do Jalapão?
O acesso principal é pelo Aeroporto de Palmas, capital do Tocantins. De lá, o trajeto até Mateiros tem cerca de 340 km e leva entre 6 e 8 horas pelas estradas de terra que cortam o Cerrado. Para Ponte Alta do Tocantins, são aproximadamente 180 km, num percurso de 3 a 4 horas.
Veículos 4×4 são essenciais. As trilhas têm trechos de areia profunda, atoleiros na época das chuvas e poucos pontos de apoio entre os povoados. A maioria dos visitantes opta por agências locais com motoristas experientes para garantir segurança.
Vale a pena conhecer o Jalapão profundo
Os vilarejos do Jalapão entregam o que poucos destinos brasileiros conseguem reunir: paisagens raras do Cerrado, comunidades quilombolas que mantêm a tradição viva e um artesanato reconhecido por lei como patrimônio nacional. Cada povoado preserva uma camada de história que sobreviveu ao isolamento.
Você precisa entrar no Cerrado tocantinense e conhecer Mumbuca, Mateiros e os vilarejos vizinhos para entender por que o Jalapão virou um dos destinos mais autênticos do Brasil.




