A Justiça da Argentina impôs uma condenação severa a uma instituição financeira após uma aposentada perder todas as suas economias em um golpe digital. O valor da indenização superou a marca de 26 milhões de pesos, punindo a falha na segurança bancária.
Como os criminosos esvaziaram as contas da vítima?
A vítima, identificada como Liliana, foi alvo de uma manobra de engenharia social através do aplicativo WhatsApp. Criminosos se passaram por funcionários da entidade para obter credenciais de acesso, subtraindo US$ 22.000 e $772.000 pesos que seriam usados em um tratamento de saúde.
O dinheiro desapareceu em poucas horas sem que nenhum mecanismo de proteção do banco fosse ativado para bloquear as movimentações atípicas. A falta de alertas preventivos foi um dos pontos centrais que levaram os magistrados a questionar a eficácia dos protocolos de defesa digital da instituição.

Qual foi o fundamento da condenação em primeira instância?
Em outubro de 2025, a juíza Guillermina Di Luca responsabilizou o banco pela fragilidade de seu sistema informático. A sentença destacou que a entidade tem o dever jurídico de prevenir fraudes contra seus clientes, independentemente da sofisticação técnica utilizada pelos golpistas no ambiente virtual.
Para reparar o dano causado à idosa, a justiça ordenou não apenas a devolução dos valores roubados, mas também o pagamento de danos morais. Veja abaixo a composição dos valores que o banco foi condenado a pagar conforme a decisão proferida em La Plata:
- Restituição integral: Devolução de cada dólar e peso subtraído das contas.
- Dano Moral: Compensação pelo abalo psicológico sofrido pela aposentada.
- Dano Punitivo: Multa aplicada para desestimular a negligência da instituição.
Por que a segunda instância confirmou a punição milionária?
Em 31 de março de 2026, a Câmara de Apelação manteve o veredito, reforçando que as entidades financeiras possuem responsabilidade objetiva. Isso significa que o banco responde pelos riscos do serviço que presta, não podendo transferir ao consumidor o ônus de uma falha de sistema.
Os juízes Laura Marta Larumbe e Andrés Antonio Soto enfatizaram que a segurança bancária deve ser infalível contra acessos não autorizados. Essa decisão segue uma tendência global de proteção ao correntista, similar às diretrizes defendidas por órgãos como a Organização dos Estados Americanos em termos de direitos do consumidor.
Existem outros casos semelhantes registrados recentemente?
Sim, um tribunal em Mar del Plata também condenou um banco público a pagar mais de 26,7 milhões de pesos a outra cliente vítima de phishing. Mesmo após a consumidora inserir dados em um site falso, a justiça entendeu que o banco falhou ao não detectar operações que fugiam do perfil habitual da conta.
O valor total dessa condenação incluiu a restituição de $3.731.000 pesos, acrescidos de juros e multas pesadas. A sentença determinou que o pagamento fosse realizado em até 10 dias, demonstrando o rigor com que o judiciário argentino está tratando a ineficiência dos sistemas de monitoramento antifraude.

Como o princípio do enriquecimento sem causa se aplica aqui?
Embora o banco não tenha ficado com o dinheiro, ele é considerado o guardião dos valores e responde pela guarda segura do patrimônio. Quando o sistema permite que um terceiro retire o montante indevidamente, a instituição deve recompor o saldo para evitar o prejuízo injusto ao depositante fiel.
A jurisprudência consolidada pela Justicia de Córdoba aponta que o banco é o elo mais forte da relação e detém a tecnologia para barrar crimes. Portanto, a reparação financeira visa restabelecer o equilíbrio e forçar investimentos em camadas extras de proteção para os usuários do homebanking.
O que as vítimas de fraude devem fazer para garantir seus direitos?
A primeira orientação dos especialistas é o registro imediato de um boletim de ocorrência detalhando o método utilizado pelos criminosos. Em seguida, é vital notificar a instituição financeira por escrito, solicitando o bloqueio de contas e a contestação formal de todas as transferências realizadas sem consentimento.
Guardar comprovantes, capturas de tela e protocolos de atendimento é essencial para fundamentar uma futura ação judicial. A documentação robusta foi o que permitiu que Liliana e outros clientes conseguissem vitórias expressivas nos tribunais em 2026, garantindo que a negligência corporativa fosse punida com o rigor necessário.




