Ruas de interior tranquilo, cheiro de cerrado e silos de grãos no horizonte: Indianópolis, no Triângulo Mineiro, parece um vilarejo comum de 6 mil pessoas. Mas os números surpreendem: o PIB per capita cresceu 149% em um ano e chegou a 7 vezes acima da média de Minas Gerais, colocando o município na 2ª posição do ranking estadual.
Por que o PIB per capita de Indianópolis explodiu em um ano
O salto aconteceu entre 2022 e 2023, quando a economia local registrou o maior crescimento de PIB per capita entre todos os municípios mineiros no período. Segundo estudo da Fundação João Pinheiro (FJP), parceira do IBGE no cálculo dos dados municipais, Indianópolis subiu para a 2ª posição no ranking estadual de renda por habitante em 2023, atrás apenas de Extrema, no Sul de Minas.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou PIB per capita de R$ 348.422 para o município naquele ano. A média estadual foi de R$ 47.321, o que coloca Indianópolis em um patamar mais de 7 vezes superior. Para ter ideia do tamanho dessa diferença, Belo Horizonte, com mais de 2 milhões de moradores, ficou bem abaixo desse número.
Quem quer conhecer o Triângulo Mineiro, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Zona Sul Evolution, que conta com mais de 5.500 visualizações, onde o apresentador mostra o turismo e a travessia de balsa em Indianópolis, Minas Gerais:
A fábrica de classe mundial que chegou ao cerrado mineiro
O fator que explica o salto tem nome e endereço. A LD Celulose é uma fábrica instalada entre Indianópolis e o município vizinho de Araguari, fruto de uma parceria entre a empresa austríaca Lenzing e a brasileira Dexco. De acordo com a Agência Minas, a unidade é uma das maiores produtoras de celulose solúvel do mundo, com capacidade de 500 mil toneladas por ano.
A planta começou a operar em 2022 e atingiu capacidade máxima em 2023, exatamente o ano do salto no ranking. A celulose produzida ali vai principalmente para a indústria têxtil asiática, onde vira viscose e outras fibras especiais. Durante as obras, o canteiro chegou a empregar 9,6 mil pessoas em um município que tem menos de 6,5 mil habitantes. O investimento total superou R$ 6 bilhões.
O que era Indianópolis antes de virar uma das cidades mais ricas de MG
A história do lugar começa muito antes da celulose. Segundo a Prefeitura de Indianópolis, o território foi ocupado por volta de 1750, quando o coronel Antônio Pires de Campos fundou a Aldeia de Santana do Rio das Velhas após expulsar os índios Caiapós da região. Os jesuítas chegaram para catequizar os povos originários. Com o tempo, os colonizadores foram tomando as terras dos indígenas.
Em 1840, a aldeia virou freguesia. Em 1882, passou a ser distrito de Araguari. Só em 1938 o município foi criado com o nome de Indianópolis, uma homenagem direta às origens indígenas do território. O nome carrega quase três séculos de história antes de qualquer fábrica ou lavoura mecanizada.
Quando visitar e o que aproveitar em cada estação
O clima tropical de altitude garante verão chuvoso e inverno seco, com temperaturas amenas entre maio e agosto:
Riqueza de gigante em escala de vilarejo
Indianópolis une uma economia industrial de nível mundial a um território de tradição rural, com menos de 7 mil habitantes e raízes que remontam a uma aldeia indígena do século 18. O número que resume tudo isso, R$ 348 mil de PIB per capita, é mais do que uma estatística. É o retrato de um interior que mudou em ritmo acelerado sem perder a cara de cidade pequena.
Se você ainda não conhece o Triângulo Mineiro por esse ângulo, Indianópolis é um bom ponto de partida para entender como o cerrado mineiro pode surpreender quem chega sem expectativa.




