No litoral do Maranhão, o vento e a chuva desenham um cenário que muda de forma a cada estação. Os Lençóis Maranhenses reúnem 155 mil hectares de dunas brancas e lagoas de água doce que surgem no período chuvoso e desaparecem no verão, formando o maior campo de dunas da América do Sul. O calor da areia e o silêncio do vento transformam cada passo em uma caminhada fora do mundo.
Como se forma o fenômeno das lagoas temporárias entre as dunas?
As lagoas surgem porque a areia fina repousa sobre uma camada impermeável no subsolo. Entre janeiro e junho, as chuvas enchem os vales entre as dunas e a água fica represada ali, criando milhares de piscinas naturais azul-turquesa.
De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o parque foi criado pelo decreto 86.060 de 2 de junho de 1981 e possui 155 mil hectares, dos quais 90 mil são formados por dunas livres e lagoas interdunares. A unidade está inserida em uma zona de transição entre Cerrado, Caatinga e Amazônia, fato raro entre parques brasileiros.

Por que os Lençóis entraram para a lista da UNESCO?
Os Lençóis entraram para a lista por serem um fenômeno natural único no planeta. Em 26 de julho de 2024, o parque foi inscrito como Patrimônio Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) durante a 46ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Nova Délhi, na Índia.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) confirmou que o reconhecimento veio com base em critérios de beleza natural e características geomórficas excepcionais. Foi a primeira vez em 23 anos que o Brasil recebeu um Patrimônio Natural da UNESCO, elevando o país a 24 títulos mundiais, entre eles 15 culturais, oito naturais e um misto.

O que fazer nos Lençóis Maranhenses?
O parque oferece trilhas a pé, passeios de 4×4 e travessias entre oásis. Cada roteiro revela uma face diferente do terreno arenoso e das lagoas que aparecem no período chuvoso.
Principais experiências dentro e no entorno do parque:
- Lagoa Azul e Lagoa Bonita: os dois oásis mais famosos do circuito de 4×4 saindo de Barreirinhas, com águas transparentes e dunas altas no entorno.
- Circuito Lagoa do Peixe: alternativa mais tranquila, com menos turistas e paisagens igualmente intensas.
- Travessia dos Lençóis: caminhada de vários dias por dentro do parque, saindo de Barreirinhas e terminando em Atins ou Santo Amaro do Maranhão, com pernoite em oásis habitados por famílias locais.
- Passeio pelo Rio Preguiças: travessia de lancha por manguezais, com paradas em Vassouras, Mandacaru e Caburé.
- Observação do céu noturno: o parque tem baixa poluição luminosa, o que permite ver a Via Láctea com nitidez em noites sem lua.
- Voo panorâmico: sobrevoo de avião monomotor que revela a escala gigantesca do campo de dunas, impossível de captar de dentro do parque.
Quem planeja explorar os Lençóis Maranhenses, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Casal Alencar, que conta com mais de 434 mil visualizações, onde Bruna e Adrien mostram um roteiro completo por Barreirinhas, Atins e Santo Amaro no Maranhão:
Qual a melhor época para ver as lagoas cheias?
A melhor época é entre junho e setembro, quando as lagoas estão mais cheias e o sol aparece com frequência. Cada estação oferece uma experiência diferente do deserto brasileiro, conforme a tabela a seguir.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Barreirinhas, porta de entrada do parque?
A porta de entrada mais usada é Barreirinhas, a cerca de 260 km de São Luís, capital do Maranhão. O caminho mais rápido sai da capital pela MA-402, rodovia totalmente asfaltada, e leva entre 4 e 5 horas de carro ou van.
De avião, o acesso é feito pelo Aeroporto Internacional de São Luís, que recebe voos diários de várias capitais brasileiras. Muitas agências oferecem transfers diretos até Barreirinhas. De lá, os passeios dentro do parque são feitos apenas em veículos 4×4 credenciados, já que a areia impede o tráfego de carros comuns.
Um deserto que todo brasileiro deveria ver pelo menos uma vez
Os Lençóis Maranhenses são o raro caso de um cenário que muda de rosto conforme a estação. As dunas brancas, as lagoas que aparecem e somem e o silêncio quase absoluto colocam o parque em outra categoria de paisagem.
Você precisa ir ao Maranhão pelo menos uma vez e caminhar por esse deserto de água doce, de preferência entre junho e setembro, quando o espetáculo está completo.




