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Quatro ferramentas de tatuagem de 2.700 anos ainda tinham restos de tinta, e duas podem ter sido feitas de ossos humanos

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
01/09/2026
Em Entretenimento
Vestígios de pigmento ajudaram a esclarecer para que os pequenos objetos eram utilizados

Vestígios de pigmento ajudaram a esclarecer para que os pequenos objetos eram utilizados

Em quatro pequenos pentes de osso, ferramentas de tatuagem de 2.700 anos ainda guardavam vestígios de tinta. Duas foram feitas com ossos de aves marinhas e outras duas provavelmente com ossos humanos, mantendo uma forma muito parecida com instrumentos tradicionais do Pacífico.

Por que esses quatro pequenos pentes chamaram tanta atenção?

As peças vieram de Tongatapu, principal ilha de Tonga. A datação por radiocarbono colocou os objetos em aproximadamente 2.700 anos, tornando-os os mais antigos pentes de tatuagem confirmados na Oceania.

O formato também importa. São ferramentas com vários dentes que recebiam um cabo e trabalhavam como parte de um conjunto. Instrumentos tradicionais usados no Pacífico conservaram uma estrutura muito parecida durante muitos séculos, permitindo comparar forma e função.

O material empregado em algumas ferramentas tornou o conjunto ainda mais incomum

Que sinais mostraram que aqueles ossos haviam sido usados para tatuar?

Os pesquisadores não dependeram apenas da semelhança visual. Examinaram a forma, marcas deixadas pelo uso e resíduos escuros presos aos ossos. Esses vestígios eram compatíveis com pigmento de carvão ou de origem vegetal.

Quatro detalhes sustentaram a identificação:

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1
Datação por radiocarbono A análise colocou os quatro pentes em aproximadamente 2.700 anos de idade.
2
Formato com vários dentes A estrutura corresponde ao tipo de pente associado à tatuagem tradicional na Oceania.
3
Marcas de uso O exame detalhado mostrou que as peças haviam trabalhado como ferramentas, e uma delas estava quebrada e aparentemente em reparo.
4
Resíduos de tinta Pigmento permaneceu incrustado nos ossos milhares de anos depois do uso.

Como os pesquisadores chegaram à hipótese de ossos humanos?

Duas peças puderam ser relacionadas a grandes aves marinhas. As outras duas vieram de ossos de mamíferos grandes, e é nesse ponto que a conclusão precisa manter a palavra “provavelmente”.

A hipótese se apoia em informações bem específicas:

  • os dois pentes foram produzidos com osso de um mamífero grande;
  • não havia outro mamífero terrestre daquele porte na ilha naquele período;
  • ossos humanos são conhecidos em ferramentas tradicionais desse tipo;
  • a equipe considerou origem humana a explicação mais provável;
  • o estudo não transforma essa inferência numa identificação absoluta do indivíduo.

A distinção é pequena na frase, mas grande para a precisão. As aves puderam ser reconhecidas como origem de duas ferramentas, enquanto os outros dois pentes foram classificados como provavelmente humanos a partir do contexto biológico e tecnológico.

Leia também: Um pente de cerca de 3.700 anos guarda uma frase contra piolhos e ainda conserva restos do parasita entre os dentes

As peças oferecem pistas sobre uma prática corporal realizada há milhares de anos

O que os quatro pentes permitem afirmar sobre a tatuagem daquela época?

As ferramentas comprovam que pentes ósseos de múltiplos dentes já faziam parte da tecnologia de tatuagem na Polinésia Ocidental há cerca de 2.700 anos. A comparação com equipamentos tradicionais também mostra uma continuidade marcante no formato.

Fato e interpretação ficam separados desta maneira:

Evidência O que ela mostra Nível
Idade Cerca de 2.700 anos A tecnologia já existia na Polinésia Ocidental nesse período. Datado
Tinta Resíduo nos ossos Os instrumentos preservaram pigmento compatível com o uso para tatuagem. Encontrado
Aves marinhas Dois pentes Metade das ferramentas tinha origem óssea identificada nesse grupo. Identificado
Ossos humanos Outros dois pentes A origem humana é considerada a hipótese mais provável. Provável

Por que a semelhança com ferramentas tradicionais importa tanto?

O desenho básico dos pequenos pentes mudou pouco ao longo de muitos séculos. Isso dá aos arqueólogos uma referência concreta para compreender como as peças antigas podiam ser montadas e usadas durante a aplicação do pigmento.

As ferramentas de tatuagem também mostram que uma técnica especializada já estava estabelecida muito cedo na região. Os quatro pentes exigiam fabricação cuidadosa, manutenção e pigmento, enquanto uma peça quebrada preservou sinais de que alguém ainda tentava repará-la.

💡 Curiosidade Os quatro pentes foram encontrados em 1963 junto de um recipiente para tinta, mas esse recipiente não foi recuperado quando o conjunto voltou a ser estudado.
Tags: arqueologiaossos humanostatuagem antigaTonga

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