Em quatro pequenos pentes de osso, ferramentas de tatuagem de 2.700 anos ainda guardavam vestígios de tinta. Duas foram feitas com ossos de aves marinhas e outras duas provavelmente com ossos humanos, mantendo uma forma muito parecida com instrumentos tradicionais do Pacífico.
Por que esses quatro pequenos pentes chamaram tanta atenção?
As peças vieram de Tongatapu, principal ilha de Tonga. A datação por radiocarbono colocou os objetos em aproximadamente 2.700 anos, tornando-os os mais antigos pentes de tatuagem confirmados na Oceania.
O formato também importa. São ferramentas com vários dentes que recebiam um cabo e trabalhavam como parte de um conjunto. Instrumentos tradicionais usados no Pacífico conservaram uma estrutura muito parecida durante muitos séculos, permitindo comparar forma e função.

Que sinais mostraram que aqueles ossos haviam sido usados para tatuar?
Os pesquisadores não dependeram apenas da semelhança visual. Examinaram a forma, marcas deixadas pelo uso e resíduos escuros presos aos ossos. Esses vestígios eram compatíveis com pigmento de carvão ou de origem vegetal.
Quatro detalhes sustentaram a identificação:
Como os pesquisadores chegaram à hipótese de ossos humanos?
Duas peças puderam ser relacionadas a grandes aves marinhas. As outras duas vieram de ossos de mamíferos grandes, e é nesse ponto que a conclusão precisa manter a palavra “provavelmente”.
A hipótese se apoia em informações bem específicas:
- os dois pentes foram produzidos com osso de um mamífero grande;
- não havia outro mamífero terrestre daquele porte na ilha naquele período;
- ossos humanos são conhecidos em ferramentas tradicionais desse tipo;
- a equipe considerou origem humana a explicação mais provável;
- o estudo não transforma essa inferência numa identificação absoluta do indivíduo.
A distinção é pequena na frase, mas grande para a precisão. As aves puderam ser reconhecidas como origem de duas ferramentas, enquanto os outros dois pentes foram classificados como provavelmente humanos a partir do contexto biológico e tecnológico.
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O que os quatro pentes permitem afirmar sobre a tatuagem daquela época?
As ferramentas comprovam que pentes ósseos de múltiplos dentes já faziam parte da tecnologia de tatuagem na Polinésia Ocidental há cerca de 2.700 anos. A comparação com equipamentos tradicionais também mostra uma continuidade marcante no formato.
Fato e interpretação ficam separados desta maneira:
| Evidência | O que ela mostra | Nível |
|---|---|---|
| Idade Cerca de 2.700 anos | A tecnologia já existia na Polinésia Ocidental nesse período. | Datado |
| Tinta Resíduo nos ossos | Os instrumentos preservaram pigmento compatível com o uso para tatuagem. | Encontrado |
| Aves marinhas Dois pentes | Metade das ferramentas tinha origem óssea identificada nesse grupo. | Identificado |
| Ossos humanos Outros dois pentes | A origem humana é considerada a hipótese mais provável. | Provável |
Por que a semelhança com ferramentas tradicionais importa tanto?
O desenho básico dos pequenos pentes mudou pouco ao longo de muitos séculos. Isso dá aos arqueólogos uma referência concreta para compreender como as peças antigas podiam ser montadas e usadas durante a aplicação do pigmento.
As ferramentas de tatuagem também mostram que uma técnica especializada já estava estabelecida muito cedo na região. Os quatro pentes exigiam fabricação cuidadosa, manutenção e pigmento, enquanto uma peça quebrada preservou sinais de que alguém ainda tentava repará-la.




