Dentro de um pequeno frasco de pedra, um cosmético vermelho de quase 4 mil anos preservou minerais, ceras vegetais e matéria orgânica. A mistura foi datada entre 1936 e 1687 a.C. e se parece com receitas de batom, embora ninguém saiba quem a usou durante a Idade do Bronze.
O que havia dentro daquele pequeno recipiente de pedra?
O frasco veio da região de Jiroft, no sudeste do Irã e foi produzido em clorita, uma rocha esverdeada. Dentro dele permanecia uma preparação de cor vermelha intensa que podia ser analisada em laboratório.
Os pesquisadores encontraram uma mistura elaborada. O vermelho vinha principalmente da hematita, mineral rico em óxido de ferro. Outros minerais escureciam o tom, enquanto ceras de origem vegetal ajudavam a formar a parte orgânica da preparação.

Quais ingredientes fizeram a mistura lembrar um batom?
A semelhança não veio apenas da cor. O material combinava pigmentos minerais intensamente vermelhos com substâncias cerosas, uma estrutura parecida com a lógica de formulações modernas usadas para levar cor aos lábios.
Os principais componentes identificados foram:
Como um material tão antigo conseguiu revelar sua composição?
Uma única técnica não resolveria todas as perguntas. A equipe combinou métodos capazes de identificar minerais, observar partículas e procurar compostos orgânicos, além de datar a matéria preservada.
As análises incluíram:
- difração de raios X, usada para reconhecer fases minerais;
- microscopia com análise química, que examina partículas muito pequenas;
- cromatografia com espectrometria de massa, aplicada aos componentes orgânicos;
- datação por radiocarbono, feita a partir da matéria orgânica da preparação.
O cruzamento desses resultados colocou a fabricação do material entre 1936 e 1687 a.C., com 95% de probabilidade dentro do intervalo calculado. A data mostra que a formulação pertence ao início do segundo milênio antes da era comum.

Por que os pesquisadores falam em tinta para os lábios com cautela?
Cor intensa, minerais vermelhos e ceras formam um conjunto compatível com uma preparação labial. O próprio estudo descreve o material como provável tinta ou pasta para colorir os lábios e chama atenção para sua semelhança com receitas contemporâneas.
As evidências e seus limites ficam assim:
| Evidência | O que indica | Grau |
|---|---|---|
| Cor vermelha Hematita dominante | A preparação foi feita para produzir um pigmento intenso. | Confirmado |
| Ceras vegetais Parte orgânica | A mistura tinha componentes compatíveis com uma pasta cosmética. | Identificado |
| Uso nos lábios Interpretação funcional | A composição é fortemente compatível com tinta labial. | Provável |
| Quem usava Identidade desconhecida | O contexto preservado não permite definir sexo, gênero ou identidade do usuário. | Sem resposta |
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O que esse frasco permite enxergar sobre um hábito de quase 4 mil anos?
O recipiente conserva mais que uma cor. Sua composição mostra conhecimento para combinar minerais capazes de produzir tons específicos com substâncias vegetais que davam outra consistência ao produto.
O cosmético vermelho provavelmente serviu para colorir os lábios, mas a análise para exatamente onde a evidência termina. A química conseguiu reconstruir ingredientes e idade; o usuário daquele pequeno frasco continua desconhecido, sem base suficiente para atribuir o produto a mulheres, homens ou um grupo social específico.




