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Mulher paga R$ 2.100 por fios de sustentação no rosto, descobre que recebeu outra substância e precisa gastar R$ 21 mil para retirá-la

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
31/08/2026
Em Notícias, Relatos
O material aplicado no procedimento pode ser decisivo para definir a responsabilidade — imagem meramente ilustrativa

O material aplicado no procedimento pode ser decisivo para definir a responsabilidade — imagem meramente ilustrativa

Na clínica, a mulher esperava sair com fios de sustentação no rosto após pagar R$ 2.100. Vieram inflamações e manchas, e exames apontaram PMMA. O caso terminou com cirurgia de R$ 21 mil e indenizações fixadas pela Justiça mineira depois que o problema apareceu.

O que foi contratado e o que apareceu nos exames?

A consumidora contratou fios espiculados de polidioxanona, ou PDO, usados para sustentação facial. Depois do procedimento, surgiram inflamações sob a pele e manchas. A diferença entre o combinado e o material encontrado virou um dos pontos centrais do processo.

O acórdão da 11ª Câmara Cível registra que exames identificaram polimetilmetacrilato, o PMMA. A clínica negou ter aplicado a substância, mas as provas produzidas no processo levaram o colegiado a outra conclusão.

Prontuários, recibos e exames ajudam a mostrar o que foi prometido e o que realmente foi utilizado — imagem meramente ilustrativa

Como os valores chegaram a R$ 23,1 mil e R$ 25 mil?

Havia duas contas diferentes. Uma correspondia aos gastos efetivamente reconhecidos com os procedimentos. A outra tratava das consequências morais e estéticas suportadas pela cliente.

Os números considerados no julgamento foram estes:

1
R$ 2.100 no primeiro procedimento Esse foi o desembolso reconhecido pelo colegiado para a intervenção inicialmente contratada.
2
R$ 21 mil para retirar o PMMA A cliente precisou passar por cirurgia para remover a substância encontrada na face.
3
R$ 23,1 mil de danos materiais O valor reuniu o procedimento de R$ 2.100 e os R$ 21 mil gastos posteriormente.
4
R$ 25 mil por danos morais e estéticos Essa quantia foi mantida considerando o resultado visual, a cirurgia e os efeitos psicológicos descritos no processo.

Por que saber exatamente qual produto foi aplicado faz tanta diferença?

O PMMA é um preenchedor permanente que precisa de registro sanitário. A orientação oficial atual informa que seu uso aprovado é reparador, e o paciente tem direito à etiqueta de rastreabilidade do produto implantável.

Num problema após procedimento, alguns registros ajudam a reconstruir exatamente o que ocorreu:

  • contrato ou ficha indicando o material combinado;
  • prontuário e registros do procedimento realizado;
  • etiqueta de rastreabilidade, quando aplicável;
  • exames que identifiquem o produto encontrado;
  • recibos das despesas necessárias depois da intercorrência.

Nesse processo, a prova técnica encontrou material diferente daquele que a cliente afirmou ter contratado. Os comprovantes também permitiram ao Tribunal corrigir o valor dos danos materiais, reduzindo o custo inicial alegado de R$ 7 mil para os R$ 2.100 efetivamente reconhecidos.

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Quais fatos pesaram na decisão sobre a indenização?

O colegiado não se limitou à insatisfação com o resultado. Foram considerados o material identificado, as complicações apresentadas e os gastos comprovados para tentar corrigir o problema.

Os principais pontos ficaram assim:

Fato O que o processo mostrou Peso
Material PDO contratado As provas apontaram presença de PMMA e ácido hialurônico. Divergente
Complicações Após o procedimento Foram relatadas inflamações subcutâneas e manchas na pele. Considerado
Cirurgia Retirada do produto A consumidora comprovou gasto de R$ 21 mil para remover o PMMA. Comprovado

Esse resultado vale para qualquer procedimento estético que dê errado?

Não automaticamente. As regras sobre defeitos na prestação de serviços exigem análise das circunstâncias, e a responsabilidade pessoal de profissional liberal tem tratamento próprio. Neste processo, o relator também considerou a finalidade estética e a obrigação de resultado assumida.

O caso ganhou contorno específico porque houve prova de material diverso do contratado, complicações e nova cirurgia. Foi essa sequência concreta que sustentou os valores reconhecidos, inclusive os R$ 23,1 mil de danos materiais e os R$ 25 mil por danos morais e estéticos.

💡 Curiosidade Preenchedores à base de PMMA têm etiqueta de rastreabilidade com dados como registro, lote e validade, informação útil caso apareça um evento adverso.
Tags: indenizaçãoPMMAProcedimento estético

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