Neste exemplo, um proprietário empresta o carro e depois recebe autuações de responsabilidade de quem estava dirigindo. Ele reconhece o verdadeiro motorista, mas deixa vencer o prazo da indicação do condutor. Proprietário, empréstimo, multas e demais fatos foram criados para explicar a regra.
Quanto tempo o proprietário tem para dizer quem realmente dirigia?
Quando a infração não identifica o motorista no momento em que acontece, o CTB permite que o proprietário ou o principal condutor indique quem estava ao volante.
O artigo 257, parágrafo 7º, do CTB fixa prazo de 30 dias, contado da notificação da autuação. A data limite também aparece na própria notificação. Se ninguém for apresentado dentro desse período, a responsabilidade administrativa passa ao principal condutor ou, na ausência dele, ao proprietário.

O que acontece quando os 30 dias passam sem indicação?
A consequência não é apenas perder um formulário. Para infrações ligadas ao comportamento de quem estava dirigindo, a falta de indicação pode manter a responsabilidade administrativa e a pontuação vinculadas ao proprietário.
Há diferenças importantes entre quatro situações:
Ainda dá para simplesmente mandar o formulário atrasado?
Na via administrativa comum, a resposta tende a ser negativa depois do prazo indicado na notificação. A regulamentação considera o proprietário responsável quando a identificação não é apresentada corretamente e em tempo.
Isso não significa que qualquer outra discussão esteja proibida. O entendimento consolidado pelo STJ afirma que a perda do prazo produz preclusão na esfera administrativa, mas não impede que o proprietário tente provar judicialmente quem foi o verdadeiro responsável.
- Confira qual órgão aplicou cada autuação.
- Separe as notificações e observe os prazos já encerrados.
- Guarde documentos que mostrem quem estava com o veículo.
- Preserve mensagens, contratos ou outros registros do empréstimo.
- Considere orientação jurídica se a indicação administrativa já não for aceita.
Uma ação judicial não garante automaticamente a retirada dos pontos. O proprietário ainda precisa comprovar os fatos, e o resultado depende da análise concreta do caso.

Quais multas podem ser ligadas ao condutor e quais ficam com o proprietário?
O artigo 257 separa deveres. Infrações causadas pelo ato de dirigir são atribuídas ao condutor identificado, enquanto obrigações de regularização, conservação e condições do veículo recaem sobre o proprietário.
Por isso, indicar outra pessoa não serve para transferir toda multa vinculada ao carro.
| Situação | O que acontece | Caminho |
|---|---|---|
| Dentro de 30 diasInfração de condutor | O verdadeiro motorista pode ser indicado | Via administrativa |
| Prazo vencidoSem indicação | Proprietário pode ser considerado responsável | Prazo perdido |
| Obrigação do proprietárioVeículo irregular | Não é transferida apenas porque outra pessoa dirigia | Fica com proprietário |
| Prova após o prazoVerdadeiro condutor conhecido | STJ admite discussão na esfera judicial | Depende de prova |
Emprestar o carro por meses exige mais atenção às notificações?
Sim, porque o proprietário continua sendo a pessoa que recebe normalmente a notificação ligada ao veículo. Se ele sabe que outra pessoa estava dirigindo, precisa agir dentro do prazo indicado para evitar que a responsabilidade administrativa seja atribuída a quem não cometeu aquela infração de condução.
No exemplo, o problema não nasceu no dia em que os pontos apareceram. Ele começou quando as notificações chegaram e os 30 dias passaram sem providência. Depois disso, corrigir a identificação pode sair da rotina administrativa e exigir uma discussão bem mais trabalhosa.



