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Um pote romano permaneceu fechado por quase 2.000 anos e ainda conservava um creme facial com marcas de dedos

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
21/08/2026
Em Entretenimento
O recipiente preservou até sinais deixados por quem usou o produto

O recipiente preservou até sinais deixados por quem usou o produto

Quando um pequeno recipiente romano foi aberto em Londres, seu interior ainda guardava um creme facial romano esbranquiçado com marcas de dedos. O pote tinha cerca de seis centímetros de largura e vinha de aproximadamente 150 d.C. A conservação permitiu descobrir até a receita usada no cosmético.

Como um creme conseguiu sobreviver dentro do pote?

O recipiente metálico foi encontrado em julho de 2003 durante uma escavação arqueológica em Londres. Ele estava com a tampa no lugar e ainda conservava seu conteúdo, uma situação rara para um material orgânico com quase dois milênios.

O objeto apareceu em uma área de templo romano dedicado a Mars Camulus. O pote mede aproximadamente seis centímetros de largura e foi datado de cerca de 150 d.C.

A descoberta oferece um retrato incomum dos cuidados pessoais no mundo romano

O que havia dentro daquele creme de quase 2.000 anos?

A análise química revelou uma fórmula relativamente simples. Os dois maiores componentes eram gordura animal refinada e amido, cada um representando aproximadamente 40% do conteúdo estudado.

O restante incluía um composto de estanho. A equipe da Universidade de Bristol reproduziu a mistura usando ingredientes novos e conseguiu observar como ela se comportava sobre a pele.

A fórmula reunia três componentes principais:
1
Gordura animal Representava perto de 40% da mistura e provavelmente veio de gado ou outro animal doméstico.
2
Amido Também correspondia a cerca de 40% e ajudava a diminuir a sensação gordurosa na pele.
3
Composto de estanho Funcionava como pigmento e ajudava a produzir a aparência branca do cosmético.

Para que servia o estanho misturado ao cosmético?

O composto identificado era óxido de estanho. Ele não apresentava uma função medicinal evidente, por isso os pesquisadores interpretaram sua presença como pigmento usado para deixar o produto mais branco.

A pele clara era valorizada em partes da sociedade romana. Compostos de chumbo também eram utilizados para produzir maquiagem branca, mas o estanho oferecia uma alternativa sem a mesma toxicidade conhecida do chumbo.

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Cada ingrediente ajudava de uma maneira diferente:
  • A gordura formava a base cremosa do produto.
  • O amido reduzia a sensação oleosa e deixava o toque mais seco.
  • O óxido de estanho dava tonalidade branca à mistura.
  • A combinação podia cobrir visualmente pequenas marcas na pele.

Quando a equipe refez a fórmula e passou o produto na pele, a mistura produziu uma camada clara com textura suave e empoeirada. O teste ajudou a confirmar que a composição funcionava como cosmético facial.

O conteúdo ajuda a entender como cosméticos eram preparados e usados na Antiguidade

Leia também: A 336 metros da entrada de uma caverna, neandertais usaram cerca de 400 pedaços de estalagmites e montaram enormes círculos há 176.500 anos

O que as marcas de dedos acrescentaram à descoberta?

O creme estava tão bem preservado que sua superfície ainda mostrava marcas de dedos. Elas indicam que o conteúdo permaneceu praticamente intocado depois que o recipiente foi fechado e descartado.

A conservação também permitiu medir os componentes em vez de trabalhar apenas com resíduos mínimos. Isso tornou possível recriar a fórmula e comparar diretamente a aparência do produto antigo com uma mistura preparada em laboratório.

Característica O que foi encontrado Resultado
Recipiente Pequeno pote metálico Tampa ainda colocada Fechado
Conteúdo Material orgânico Creme preservado em quantidade analisável Excepcional
Superfície Creme antigo Marcas de dedos ainda visíveis Preservadas

O pote mostrou algo além de uma antiga receita de beleza?

O achado permite chegar muito perto de um produto cotidiano usado na Londres romana. A tampa, o recipiente e o próprio creme sobreviveram juntos, deixando pistas sobre fabricação, aparência e uso que raramente permanecem no registro arqueológico.

Quase dois milênios depois, a mistura ainda conservava a textura necessária para identificar gordura, amido e estanho. As marcas na superfície completam esse registro com um detalhe simples: alguém tocou aquele creme antes de o pote desaparecer no solo.

💡 Curiosidade Antes da análise química, chegaram a ser consideradas hipóteses tão diferentes quanto pasta de dentes, medicamento e produto usado em animais.
Tags: arqueologiaCosméticosLondresRoma Antiga

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