Quando um pequeno recipiente romano foi aberto em Londres, seu interior ainda guardava um creme facial romano esbranquiçado com marcas de dedos. O pote tinha cerca de seis centímetros de largura e vinha de aproximadamente 150 d.C. A conservação permitiu descobrir até a receita usada no cosmético.
Como um creme conseguiu sobreviver dentro do pote?
O recipiente metálico foi encontrado em julho de 2003 durante uma escavação arqueológica em Londres. Ele estava com a tampa no lugar e ainda conservava seu conteúdo, uma situação rara para um material orgânico com quase dois milênios.
O objeto apareceu em uma área de templo romano dedicado a Mars Camulus. O pote mede aproximadamente seis centímetros de largura e foi datado de cerca de 150 d.C.

O que havia dentro daquele creme de quase 2.000 anos?
A análise química revelou uma fórmula relativamente simples. Os dois maiores componentes eram gordura animal refinada e amido, cada um representando aproximadamente 40% do conteúdo estudado.
O restante incluía um composto de estanho. A equipe da Universidade de Bristol reproduziu a mistura usando ingredientes novos e conseguiu observar como ela se comportava sobre a pele.
Para que servia o estanho misturado ao cosmético?
O composto identificado era óxido de estanho. Ele não apresentava uma função medicinal evidente, por isso os pesquisadores interpretaram sua presença como pigmento usado para deixar o produto mais branco.
A pele clara era valorizada em partes da sociedade romana. Compostos de chumbo também eram utilizados para produzir maquiagem branca, mas o estanho oferecia uma alternativa sem a mesma toxicidade conhecida do chumbo.
- A gordura formava a base cremosa do produto.
- O amido reduzia a sensação oleosa e deixava o toque mais seco.
- O óxido de estanho dava tonalidade branca à mistura.
- A combinação podia cobrir visualmente pequenas marcas na pele.
Quando a equipe refez a fórmula e passou o produto na pele, a mistura produziu uma camada clara com textura suave e empoeirada. O teste ajudou a confirmar que a composição funcionava como cosmético facial.

O que as marcas de dedos acrescentaram à descoberta?
O creme estava tão bem preservado que sua superfície ainda mostrava marcas de dedos. Elas indicam que o conteúdo permaneceu praticamente intocado depois que o recipiente foi fechado e descartado.
A conservação também permitiu medir os componentes em vez de trabalhar apenas com resíduos mínimos. Isso tornou possível recriar a fórmula e comparar diretamente a aparência do produto antigo com uma mistura preparada em laboratório.
| Característica | O que foi encontrado | Resultado |
|---|---|---|
| Recipiente Pequeno pote metálico | Tampa ainda colocada | Fechado |
| Conteúdo Material orgânico | Creme preservado em quantidade analisável | Excepcional |
| Superfície Creme antigo | Marcas de dedos ainda visíveis | Preservadas |
O pote mostrou algo além de uma antiga receita de beleza?
O achado permite chegar muito perto de um produto cotidiano usado na Londres romana. A tampa, o recipiente e o próprio creme sobreviveram juntos, deixando pistas sobre fabricação, aparência e uso que raramente permanecem no registro arqueológico.
Quase dois milênios depois, a mistura ainda conservava a textura necessária para identificar gordura, amido e estanho. As marcas na superfície completam esse registro com um detalhe simples: alguém tocou aquele creme antes de o pote desaparecer no solo.




