Em uma situação fictícia, o cliente paga R$ 22 mil por móveis planejados e, depois da instalação, percebe que armários bloquearam tomadas existentes. A empresa responde que o desenho havia sido aprovado. Essa aprovação pode confirmar cores e medidas, mas não elimina automaticamente a responsabilidade por uma execução tecnicamente inadequada.
A assinatura no projeto significa que o cliente aceitou qualquer resultado?
É preciso saber exatamente o que foi apresentado antes da aprovação. Uma planta que mostra acabamento, divisão dos armários e dimensões gerais não significa necessariamente que o consumidor foi alertado de que pontos elétricos ficariam inutilizados.
Informações claras sobre limitações relevantes fazem parte da qualidade do serviço. Uma autorização dada sem conhecimento de uma consequência técnica importante não deve ser tratada automaticamente como concordância consciente com o problema.

Qual é a diferença entre aprovação estética e instalação adequada?
A escolha de cor, puxadores, portas e distribuição visual pertence ao projeto aceito pelo consumidor. Já medir corretamente o ambiente e instalar o produto de modo compatível com elementos existentes integra a execução profissional do serviço.
O artigo 20 do Código de Defesa do Consumidor prevê soluções quando um serviço apresenta vício que o torna inadequado, diminui seu valor ou diverge daquilo que foi oferecido.
O consumidor pode exigir que os móveis sejam corrigidos?
O artigo 20 permite escolher, conforme o caso, a reexecução do serviço sem custo adicional, a restituição da quantia paga ou o abatimento proporcional do preço. A solução precisa considerar a extensão do problema.
Se bastar adaptar determinado módulo para liberar as tomadas, a correção pode ser uma saída prática. Se todo o conjunto foi fabricado de forma incompatível com o ambiente, a intervenção necessária pode ser maior.
- Projeto entregue antes da fabricação.
- Contrato e orçamento dos R$ 22 mil.
- Fotos das tomadas antes da instalação.
- Imagens mostrando como os móveis bloquearam os pontos.
- Mensagens em que a empresa explica ou recusa a correção.
Se a planta indicava claramente que aquelas tomadas seriam cobertas e o consumidor foi alertado sobre isso, a discussão muda. Ainda assim, deve ser analisado o conteúdo efetivamente informado antes da aprovação.

A empresa pode colocar toda a responsabilidade numa cláusula do contrato?
Cláusulas contratuais não funcionam como autorização para fornecer serviço defeituoso. O CDC restringe disposições que afastem indevidamente a responsabilidade do fornecedor ou imponham desvantagem exagerada ao consumidor.
A análise fica diferente quando o cliente exige uma solução contrária à orientação técnica e assume conscientemente aquela escolha depois de receber informação clara. Nesse cenário, é necessário provar que o risco específico foi efetivamente explicado.
| Situação | Informação prévia | Consequência |
|---|---|---|
| Tomada bloqueada sem aviso | Problema não explicado | Pode haver vício |
| Projeto estético aprovado | Apenas aparência | Não elimina falha técnica |
| Risco explicado e aceito | Consequência claramente informada | Análise muda |
Quem deve pagar para liberar as tomadas?
Na situação fictícia, se o bloqueio resultar de erro de medição, projeto ou instalação e essa consequência não tiver sido claramente aceita pelo cliente, há base para exigir que a empresa corrija o serviço sem transferir automaticamente o custo ao consumidor.
A assinatura em uma imagem do projeto é uma prova importante, mas precisa ser lida pelo que realmente demonstra. Aprovar como o móvel ficará visualmente não significa necessariamente possuir conhecimento técnico suficiente para prever que uma tomada acabaria inutilizada depois da montagem.




